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Pacientes com diabetes têm mais risco de apresentar declínio cognitivo

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal jr/Agência Brasil

Pandemia de covid-19 atrasou pesquisa


Pub­li­ca­do em 15/10/2022 — 12:33 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Estu­do real­iza­do por um grupo de pesquisadores da Esco­la de Med­i­c­i­na da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca do Paraná (PUCPR), pub­li­ca­do na revista cien­tí­fi­ca Dia­betol­ogy & Meta­bol­ic Syn­droME, indi­cou uma pio­ra do déficit cog­ni­ti­vo (difi­cul­dade de apren­diza­do) de pacientes com dia­betes do tipo 2.

Segun­do a Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS), mais de 16 mil­hões de brasileiros adul­tos têm dia­betes tipo 2, que é a dia­betes mel­li­tus (doença que se car­ac­ter­i­za pelo aumen­to dos níveis de gli­cose no sangue).

A Sociedade Brasileira de Dia­betes (SBD) infor­mou que cer­ca de 90% dos pacientes apre­sen­tam o tipo 2 (DM2) da doença, quan­do o organ­is­mo não con­segue usar ade­quada­mente a insuli­na que pro­duz ou não pro­duz o hor­mônio de for­ma sufi­ciente para con­tro­lar a taxa de glicemia. Da enfer­mi­dade decor­rem com­pli­cações em poten­cial, incluin­do o declínio cog­ni­ti­vo.

A avali­ação desse prob­le­ma lev­ou os pesquisadores da PUCPR a estu­dar 250 pes­soas adul­tas com dia­betes tipo 2, pacientes de hos­pi­tal uni­ver­sitário. A pesquisa foi fei­ta entre 2018 e 2021 e sofreu atra­so em função da pan­demia da covid-19. A pro­fes­so­ra da PUCPR, Ana Cristi­na Ravaz­zani de Almei­da Faria, doutoran­da do Pro­gra­ma de Pós-Grad­u­ação em Ciên­cias da Saúde, disse hoje (14) à Agên­cia Brasil que já se sabia que pacientes com dia­betes têm, ao lon­go do tem­po, um déficit de cog­nição maior ou mais chances de ter déficit de cog­nição do que pes­soas sem dia­betes.

Conclusões

“O que a gente procu­ra­va era se den­tro dess­es dia­béti­cos con­seguiria iden­ti­ficar quem teria mais chances de ter esse déficit cog­ni­ti­vo ou maiores chances de evoluir, com o pas­sar do tem­po, para um declínio cog­ni­ti­vo maior do que o resto do grupo”, afir­mou Ana Cristi­na.

Médi­cos e estu­dantes de Med­i­c­i­na que par­tic­i­param da pesquisa con­cluíram que os pacientes mais suscetíveis são pes­soas com baixa esco­lar­i­dade, aci­ma de 65 anos, com mais de 10 anos de dia­betes e que já têm uma doença car­dio­vas­cu­lar, como con­se­quên­cia ou não do dia­betes, e que têm retinopa­tia dia­béti­ca. Além dis­so, pacientes com sin­tomas de depressão tam­bém são mais suscetíveis.

“A gente con­seguiu iden­ti­ficar den­tro do grupo, o setor com maior risco”, especi­fi­cou. Do total de 250 pacientes inves­ti­ga­dos, 14% pio­raram da cog­nição nos 18 meses do estu­do. Foi fei­ta uma avali­ação ini­cial dos pacientes e, depois de um ano e meio, em média, nova avali­ação. “Esse sub­grupo de 14% teve o pior desem­pen­ho”, desta­cou Ana Cristi­na.

Durante con­sul­tas de roti­na e acom­pan­hamen­to, os pacientes foram sub­meti­dos a exame físi­co, triagem de sin­tomas de depressão e testes cog­ni­tivos, entre os quais mini exame do esta­do men­tal, teste de fluên­cia ver­bal semân­ti­ca, teste de tril­has A e B e teste de mem­o­riza­ção de palavras. Dados demográ­fi­cos, como idade e esco­lar­i­dade, lig­a­dos ao esti­lo de vida e tem­po de dia­betes, tam­bém foram anal­isa­dos.

Avaliação cognitiva

Dire­trizes inter­na­cionais recomen­dam que pacientes maiores de 65 anos dev­e­ri­am faz­er avali­ação cog­ni­ti­va, porque sabe-se que existe esse risco maior e que a dete­ri­o­ração cog­ni­ti­va pode inter­ferir na qual­i­dade de vida e no auto cuida­do.

Ana Cristi­na disse, entre­tan­to, que os hos­pi­tais públi­cos têm maior difi­cul­dade de faz­er esse tipo de avali­ação com todos os pacientes, inclu­sive porque eles são encam­in­hados para faz­er uma avali­ação cog­ni­ti­va somente quan­do apre­sen­tam algu­ma queixa, como per­da de memória, por exem­p­lo.

“Mas todos os pacientes que a gente avaliou não tin­ham queixas e se diziam bem. Ou que tin­ham uma queixa muito vaga. Não tin­ham avali­ação prévia, nem diag­nós­ti­co de demên­cia cog­ni­ti­va. Quem tin­ha isso nem entrou na pesquisa”, garan­tiu.

Os pesquisadores sug­erem que pes­soas com dia­betes do tipo 2 ten­ham, pelo menos, uma avali­ação cog­ni­ti­va por ano após os 60 ou 65 anos de idade, que é a faixa etária mais acometi­da. O grupo de pesquisa con­tin­ua acom­pan­han­do os pacientes que fiz­er­am parte do primeiro estu­do, amplian­do para os demais. “A gente quer deixar isso den­tro da nos­sa roti­na de atendi­men­to. Esse é o nos­so plano ini­cial” afir­mou.

Os pacientes avali­a­dos ini­cial­mente serão obje­to de novo exame para ver­i­ficar se alguém piorou ou se hou­ve algu­ma mel­ho­ra. Essa nova inves­ti­gação será acom­pan­ha­da pelo setor de neu­rolo­gia.

A meta é pegar um uni­ver­so maior de pacientes, além de con­tin­uar acom­pan­han­do os que fiz­er­am parte do primeiro estu­do, uma vez por ano, pelo menos. A equipe quer faz­er parce­ria tam­bém com profis­sion­ais de psi­colo­gia, que tem uma área denom­i­na­da neu­rop­si­colo­gia, que apli­ca testes de cog­nição.

“A gente está queren­do faz­er uma parce­ria para que eles par­ticipem”. A nova eta­pa do estu­do, já com a área de psi­colo­gia incluí­da, deve começar em 2023.

Fatores de risco

Alguns fatores de risco estão rela­ciona­dos a hábitos, como tabag­is­mo e seden­taris­mo, cujo con­t­role pode­ria min­i­mizar o impacto da doença na cog­nição. Como níveis mais baixos de esco­lar­i­dade tam­bém refletem no déficit cog­ni­ti­vo dos pacientes com dia­betes tipo 2, os pesquisadores apon­taram como fun­da­men­tal que o Poder Públi­co real­ize cada vez mais inves­ti­men­tos em edu­cação.

Além de Ana Cristi­na Ravaz­zani de Almei­da Faria, assi­nam o tra­bal­ho as pesquisado­ras da Esco­la de Med­i­c­i­na da PUCPR Joce­line Fran­co Dall’Agnol, Aline Maciel Gou­veia, Clara Iná­cio de Pai­va, Vic­to­ria Chechet­to Segal­la e Cristi­na Pel­le­gri­no Bae­na.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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