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Plataforma reúne informações sobre herança negra brasileira

Repro­dução: © Arquivo/Agência Brasil

Iniciativa é parceria da Fundação Tide Setúbal e do Itaú Cultural


Pub­li­ca­do em 07/11/2021 — 19:45 Por Daniel Mel­lo — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

As her­anças cul­tur­ais que fazem parte da for­mação do Brasil são tema da platafor­ma Ances­tral­i­dades, que será lança­da nes­ta segun­da-feira (8), às 17h. A pro­pos­ta reúne ver­betes, biografias, fatos históri­cos e mapeia orga­ni­za­ções impor­tantes para com­preen­der as questões raci­ais negras no país. A ini­cia­ti­va é um tra­bal­ho con­jun­to da Fun­dação Tide Setúbal e do Itaú Cul­tur­al.

Para além de apre­sen­tar con­teú­do próprio, a platafor­ma vai faz­er lig­ações com infor­mações pro­duzi­das por out­ros gru­pos e orga­ni­za­ções, a par­tir de um mon­i­tora­men­to dos temas em dis­cussão na atu­al­i­dade. “A ideia é que a gente pos­sa faz­er um espaço mais forte e con­sis­tente, que pos­sa ser um hub [conec­tor] que sis­tem­ati­za ess­es tra­bal­hos e que você jogue para os difer­entes núcleos que estão dis­per­sos”, disse, em enre­vista à Agên­cia Brasil, a pres­i­dente do con­sel­ho da Fun­dação Tide Setúbal e ide­al­izado­ra da pro­pos­ta, Neca Setúbal.

A Ances­tral­i­dades vai ofer­e­cer ain­da cur­sos e incen­ti­var pesquisas. Jun­to com o lança­men­to, serão feitos encon­tros medi­a­dos pelos con­sel­heiros do pro­je­to: pela escrito­ra Ana Maria Gonçalves, a filó­so­fa Sueli Carneiro e o músi­co Tiganá San­tana. Os encon­tros, que serão trans­mi­ti­dos ao vivo no Youtube do Itaú Cul­tur­al, vão abor­dar eixos do pro­je­to: democ­ra­cia e dire­itos humanos; ciên­cia e tec­nolo­gia; artes e cul­tur­ais. A primeira con­ver­sa será no próprio dia de lança­men­to da platafor­ma (8), às 17h, com o filó­so­fo e pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Fed­er­al da Bahia Eduar­do Oliveira.

Eixos

A nave­g­ação na platafor­ma pode ser fei­ta tan­to a par­tir dos eixos estru­tu­rantes quan­to através de uma lin­ha tem­po­ral apre­sen­ta­da em uma man­dala espi­ral, em um con­ceito de tem­po não nec­es­sari­a­mente lin­ear. Os even­tos históri­cos e biografias foram sele­ciona­dos ten­do como pon­to de par­ti­da os acon­tec­i­men­tos atu­ais. “É uma platafor­ma que traz todo o con­ceito de ances­tral­i­dades a par­tir do momen­to pre­sente, com seus acon­tec­i­men­tos prin­ci­pais, histórias e biografias que fiz­er­am chegar nesse momen­to pre­sente hoje”, enfa­ti­za Neca.

O con­teú­do deve servir como base de pesquisa, na opinião de Neca, não só para estu­diosos e gru­pos que já têm inter­esse nas questões raci­ais, mas tam­bém para setores que começam, ago­ra, a dar atenção para o assun­to. “É um tema que está per­pas­san­do toda a sociedade brasileira. Óbvio que está longe de mudar a chave, mas está per­pas­san­do a sociedade brasileira nos seus difer­entes setores: nas empre­sas, nas esco­las, nas uni­ver­si­dades”, acres­cen­ta.

O aproveita­men­to do mate­r­i­al e as pos­si­bil­i­dades devem, segun­do o dire­tor do Itaú Cul­tur­al, Eduar­do Saron. ficar mais claros com a platafor­ma em fun­ciona­men­to. “A própria platafor­ma vai cam­in­har no sen­ti­do de cumprir um papel além das nos­sas orga­ni­za­ções ao ser esse hub [conec­tor] de espaço artic­u­lador”, ressaltou em entre­vista à Agên­cia Brasil.

O con­teú­do, ape­sar de elab­o­ra­do com cuida­do, não pre­tende, de acor­do com Saron, abranger toda a temáti­ca. “A gente não tem essa pre­ten­são de ser exaus­ti­vo. A gente é parte do proces­so que a sociedade e alguns setores têm con­duzi­do”, acres­cen­ta.

Aprendizado contínuo

Den­tro dessa dinâmi­ca, a ideia é que, em algum momen­to, Ances­tral­i­dades incor­pore tam­bém os assun­tos lig­a­dos às questões indí­ge­nas brasileiras. A pro­pos­ta de aper­feiçoa­men­to con­tín­uo é em si, segun­do o dire­tor da insti­tu­ição, um dos ele­men­tos que leva a con­strução da platafor­ma. A Ances­tral­i­dades se aprovei­ta de exper­iên­cias práti­cas do Itaú Cul­tur­al, como a enci­clopé­dia de artes visuais, e de dis­cussões feitas ao lon­go da tra­jetória do espaço.

Saron relem­bra da situ­ação, em 2015, com a peça Mul­her do Trem, da Cia Os Fofos, que foi acu­sa­da de racis­mo por usar black­face – atores bran­cos com o ros­to pin­ta­do para rep­re­sen­tar pes­soas negras de for­ma car­i­ca­ta. O espetácu­lo, que esta­va em car­taz no Itau Cul­tur­al, foi dura­mente crit­i­ca­do na ocasião pelo uso da práti­ca que tem um históri­co racista.

O dire­tor se ref­ere ao episó­dio como emblemáti­co para a insti­tu­ição e para ele mes­mo. “Um espetácu­lo que já tin­ha 11 anos. Prêmio Shell. Um grupo impecáv­el, tin­ha uma história no teatro e no cam­po das artes cêni­cas”, diz sobre a sur­pre­sa ao sur­girem as acusações de racis­mo. “A gente trans­for­mou aque­la peça que iria ao pal­co do Itau Cul­tur­al em um grande debate. E para nós foi um momen­to bas­tante divi­sor de águas no Itau Cul­tur­al para que nós pudésse­mos, de fato, tratar desse assun­to”, acres­cen­ta como a situ­ação foi con­tor­na­da, com a peça voltan­do ao pal­co sem o uso de black­face.

Dessa for­ma, Saron con­sid­era o lança­men­to da platafor­ma como um des­do­bra­men­to das pre­ocu­pações que gan­haram força naque­le momen­to. “O [pro­je­to] Ances­tral­i­dades é um momen­to de reafir­mação dessa tra­jetória, que a gente ten­ha uma con­ver­sa mais orgâni­ca com o cam­po para que a gente pos­sa fruir, fomen­tar e cri­ar proces­sos for­ma­tivos”, diz.

Ances­tral­i­dades pode ser aces­sa­da na pági­na da platafor­ma.

A pro­gra­mação com as rodas de con­ver­sa e apre­sen­tações musi­cais que serão trans­mi­ti­das online pode ser vista na pági­na do Itau Cul­tur­al.

Edição: Maria Clau­dia

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