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Produtores brasileiros começam a sentir efeitos da taxação dos EUA

Setores de pescados e cítricos apontam primeiros impactos de medidas

Mar­i­ana Tokar­nia – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 14/07/2025 — 20:37
Rio de Janeiro
Manaus (AM), 20/11/2023, Marcos César Antonio, o Marcos do Pescado, comerciante, vende peixes na região do Porto de Manaus. Manaus sofrre com a maior seca em 121 anos. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­dução: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Pro­du­tores brasileiros aguardam reuniões e medi­das do gov­er­no brasileiro para revert­er ou mes­mo min­i­mizar a tax­ação anun­ci­a­da pelo pres­i­dente dos Esta­dos Unidos (EUA), Don­ald Trump, de 50% sobre todas as expor­tações brasileiras ao país norte-amer­i­cano a par­tir do dia 1º de agos­to. Para alguns setores, o momen­to é de apreen­são e espera, para out­ros, os impactos já começaram a ser sen­ti­dos.

O setor de pesca­dos é um dos que foram ime­di­ata­mente impacta­dos. De acor­do com a Asso­ci­ação Brasileira das Indús­trias de Pesca­dos (Abipesca), pelo menos 58 con­têineres com 1.160 toneladas de pesca­dos que seri­am des­ti­nadas aos Esta­dos Unidos perder­am os com­pradores e terão que retornar aos pro­du­tores.

“Os embar­ques que seri­am feitos ago­ra chegam em agos­to. Pelo tim­ing aí do transla­do dos con­têineres eles já chegari­am sob essa nova tar­i­fa. Então, os com­pradores de lá sus­pender­am as com­pras, sus­pender­am os embar­ques”, disse o dire­tor exec­u­ti­vo da Abipesca, Jairo Gund.

Segun­do Gund, os EUA respon­dem por 70% do mer­ca­do exter­no brasileiros de pesca­do. Somente de tilápia, o país é o des­ti­no de 90% do pro­du­to. Os con­têin­ers que tiver­am as com­pras can­ce­ladas eram de con­ge­la­dos. O mer­ca­do de pro­du­tos fres­cos, feito por avião, segue nor­mal­mente.

Os mais impacta­dos são os pro­du­tores mais vul­neráveis, afir­mou Gund.

“O prin­ci­pal item de expor­tação é a lagos­ta. A lagos­ta é vista como um pro­du­to de gente rica, mas quem pro­duz é gente pobre. É peça arte­sanal. Então, o impacto nesse públi­co é dire­to. Quem vai sofr­er não é que quem vai com­er lagos­ta, vai sofr­er quem pro­duz. Quem pro­duz são pes­soas de baixa condição social, geral­mente de comu­nidades tradi­cionais”, ressaltou.

A Abipesca está entre as enti­dades que se reunirão nes­ta terça-feira (15) com o vice-pres­i­dente da Repúbli­ca e min­istro do Desen­volvi­men­to, Indús­tria e Comér­cio, Ger­al­do Alck­min.

A prin­ci­pal deman­da será pelo menos adi­ar a tax­ação para o setor em 90 dias, para que a pro­dução já con­trata­da pos­sa ser escoa­da. Além dis­so, os pro­du­tores pedirão que se dis­cu­ta a exclusão dos pesca­dos das tar­i­fas, uma vez que o Brasil rep­re­sen­ta menos de 1% da impor­tação amer­i­cana dos itens, acres­cen­tou a Abipesca.

“A gente está no meio da safra das prin­ci­pais espé­cies. E com con­tratos andan­do”, infor­mou a asso­ci­ação. “Que a gente con­si­ga, sen­si­bi­lizar o gov­er­no amer­i­cano de tirar o pesca­do, pelo menos. Porque a gente rep­re­sen­ta menos de 1% de todo o abastec­i­men­to amer­i­cano, de tudo o que eles impor­tam. É pouco para eles, mas muito para nós.”

Aguardando decisões

Pé de Laranja
Repro­dução: Cit­ricul­tores dizem que é pre­ciso ter cautela — Divulgação/Embrapa

Os pro­du­tores de cítri­cos tam­bém aguardam os próx­i­mos pas­sos.

“Temos que ter cautela. Essa tar­i­fa é para o dia 1º de agos­to. Temos que deixar o gov­er­no faz­er as ações, faz­er a defe­sa e nego­ciar. Acho que uma boa con­ver­sa é muito mel­hor do que uma má dis­cussão”, ressaltou o pres­i­dente da Câmara Seto­r­i­al da Cit­ri­cul­tura do Esta­do de São Paulo e vice-pres­i­dente da Asso­ci­ação Brasileira de Cit­ros de Mesa, Anto­nio Car­los Simon­et­ti.

O Brasil é o maior fornece­dor de suco de laran­ja para os EUA, que com­pram mais de 40% das expor­tações brasileiras.

A pro­dução de Simon­et­ti segue com nor­mal­i­dade. “Ain­da está tudo nor­mal, sem nada de aler­tar, tudo cor­ren­do nor­mal por enquan­to. Não tive­mos ain­da nen­hu­ma estraté­gia anun­ci­a­da.”

O Con­sel­ho dos Expor­ta­dores de Café do Brasil (Cecafé) par­tic­i­pa de uma série de reuniões com os gov­er­nos fed­er­al e estad­u­ais, enti­dades de classe e par­la­mentares que foram mar­cadas des­de esta segun­da-feira (14). As reuniões prosseguem até quar­ta-feira (16), quan­do, além de falar sobre o que foi dis­cu­ti­do, o Cecafé dev­erá apre­sen­tar o desem­pen­ho das expor­tações do grão no fechamen­to do ano safra 2024/25.

O café está entre os dez pro­du­tos que rep­re­sen­tam 57% das expor­tações brasileiras. Ape­nas o café tor­ra­do rep­re­sen­ta 4,7%.

Indústria

Em posi­ciona­men­to divul­ga­do nes­ta segun­da, a Con­fed­er­ação Nacional da Indús­tria (CNI), aler­tou que o momen­to “exige ações enér­gi­cas, con­tun­dentes”, para revert­er o quadro, tan­to inter­na quan­to exter­na­mente.

“Nas relações exte­ri­ores, pre­cisamos de mod­er­ação e equi­líbrio para con­tornar a políti­ca tar­ifária dos EUA. Deve­mos nego­ciar a revo­gação da tax­ação na condição de país par­ceiro e de nação sober­ana. Cabe ao gov­er­no brasileiro defend­er os inter­ess­es da sociedade brasileira, evi­tan­do, sobre­tu­do, as armadil­has da polar­iza­ção políti­ca que o episó­dio colo­ca no cam­in­ho”, diz a con­fed­er­ação.

Além dis­so, a CNI enfa­ti­za que a tax­ação colo­ca em risco os planos de inves­ti­men­to e os negó­cios em anda­men­to.

“A tax­ação põe fim à pre­vis­i­bil­i­dade que sus­ten­ta mil­hares de con­tratos de lon­go pra­zo, afe­tan­do fábri­c­as brasileiras e plan­tas nos Esta­dos Unidos que depen­dem de com­po­nentes e insumos pro­duzi­dos no Brasil para man­ter lin­has pro­du­ti­vas e empre­gos. Aumen­ta, por­tan­to, o risco de retro­ces­so de for­ma sub­stan­cial, ameaçan­do a com­pet­i­tivi­dade de ambos os lados e lançan­do mais incerteza sobre planos de inves­ti­men­to e negó­cios em anda­men­to”, diz a nota.

Governo

Nes­ta segun­da, o pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va anun­ciou a cri­ação do Comitê Inter­min­is­te­r­i­al de Nego­ci­ação e Con­trame­di­das Econômi­cas e Com­er­ci­ais, para adoção de medi­das de pro­teção da econo­mia brasileira. O grupo será cri­a­do por meio do decre­to de reg­u­la­men­tação da Lei de Rec­i­pro­ci­dade Econômi­ca (Lei 15.122/25) e terá o obje­ti­vo de ouvir os setores empre­sari­ais para detec­tar as impli­cações do anún­cio feito Trump de impor tar­i­fas de 50% sobre todos os pro­du­tos impor­ta­dos do Brasil, a par­tir do dia 1º de agos­to.

A primeira reunião do comitê será real­iza­da nes­ta terça-feira (15), às 10h, com setores da indús­tria. Tam­bém aman­hã, o comitê fará sua segun­da reunião com rep­re­sen­tantes do agronegó­cio.

Até esta terça, dev­erá ser pub­li­ca­do o decre­to de reg­u­la­men­tação da Lei de Rec­i­pro­ci­dade Econômi­ca. San­ciona­da em abril, a lei esta­b­elece critérios para a sus­pen­são de con­cessões com­er­ci­ais, de inves­ti­men­tos e de obri­gações rel­a­ti­vas a dire­itos de pro­priedade int­elec­tu­al, em respos­ta a medi­das uni­lat­erais ado­tadas por país ou blo­co econômi­co que impactem neg­a­ti­va­mente a com­pet­i­tivi­dade inter­na­cional brasileira.

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