...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Saúde / Dia Mundial do Alzheimer alerta para aumento de casos no mundo

Dia Mundial do Alzheimer alerta para aumento de casos no mundo

Repro­dução: © Daniel Mel­lo / Agên­cia Brasil

Com o evenlhecimento da população, OMS prevê aumento de casos


Pub­li­ca­do em 21/09/2022 — 09:32 Por Alana Gan­dra – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Ouça a matéria:

De acor­do com a Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS), cer­ca de 55 mil­hões de pes­soas vivem com algum tipo de demên­cia, sendo a mais comum a doença de Alzheimer, que atinge sete entre dez indi­ví­du­os nes­sa situ­ação em todo o mun­do. A OMS aler­ta para a tendên­cia de aumen­to pre­ocu­pante dess­es números, com o envel­hec­i­men­to da pop­u­lação. Esti­ma­ti­vas da Alzheimer’s Dis­ease Inter­na­tion­al, sedi­a­da no Reino Unido, os números globais poderão chegar a 74,7 mil­hões, em 2030, e 131,5 mil­hões, em 2050.

Já aqui no Brasil, dados do Min­istério da Saúde indicam que em torno de 1,2 mil­hão de pes­soas têm a doença e 100 mil novos casos são diag­nos­ti­ca­dos por ano.

Nes­ta quar­ta-feira (21) cel­e­bra-se o Dia Mundi­al da Doença de Alzheimer, cri­a­do pela Asso­ci­ação Inter­na­cional do Alzheimer. No Brasil, a data mar­ca o Dia Nacional de Con­sci­en­ti­za­ção da Doença de Alzheimer, insti­tuí­do para esclare­cer os brasileiros sobre a importân­cia da par­tic­i­pação de famil­iares e ami­gos nos cuida­dos aos diag­nos­ti­ca­dos com a doença.

“A doença de Alzheimer se man­i­fes­ta por uma dis­função em que alguns neurônios do nos­so cére­bro começam a mor­rer”, disse à Agên­cia Brasil o neu­rol­o­gista Sil­vio Pes­san­ha Neto, dire­tor do Insti­tu­to de Edu­cação Médi­ca (Idomed). As doenças neu­rode­gen­er­a­ti­vas têm todas esse mes­mo per­fil. “Depen­den­do da local­iza­ção dess­es neurônios, vão ocor­rer sinais e sin­tomas difer­entes. Mas a fisiopa­tolo­gia é a mes­ma”, desta­cou o médi­co.

No caso do Alzheimer, um con­jun­to de neurônios sofre um proces­so defeitu­oso e começa a mor­rer. Como ess­es neurônios são jus­ta­mente aque­les respon­sáveis pela memória, o paciente começa a ter inca­paci­dade para ger­ar novas memórias. “Começa o esquec­i­men­to rela­ciona­do a even­tos recentes”.

Pes­san­ha expli­ca que os primeiros sinais são iden­ti­fi­ca­dos pela família e por ami­gos. “O indi­ví­duo começa a esque­cer coisas, como o nome dos netos; começa a repe­tir a mes­ma per­gun­ta várias vezes; não con­segue apren­der coisas novas”.

Mais jovens

O Alzheimer é uma das for­mas de demên­cia neu­rode­gen­er­a­ti­va que, geral­mente, afe­tam os idosos, já que tra­ta-se de um proces­so lento e pro­gres­si­vo. Os sin­tomas começam, em ger­al, depois da sex­ta ou séti­ma décadas de vida. Para espe­cial­is­tas, a doença em jovens é muito rara e ocorre quan­do há pre­dis­posição genéti­ca para a doença.

“O jovem, enten­di­do como alguém na faixa de 40 anos, quan­do tem [Alzheimer], esse proces­so começa muito pre­co­ce­mente, porque é pre­ciso muito tem­po para essa dis­função se man­i­fes­tar”, diz Pes­san­ha.

O espe­cial­ista esclarece ain­da que o Alzheimer não pode ser con­fun­di­do com a demên­cia senil: “o cére­bro envel­hece, como todo o cor­po envel­hece. Alzheimer é a doença. Não é o  envel­hec­i­men­to nat­ur­al do nos­so cére­bro”.

Ferramenta

O médi­co nuclear e mem­bro tit­u­lar da Sociedade Europeia de Med­i­c­i­na Nuclear, José Leite, con­ta que a med­i­c­i­na gan­hou impor­tantes ali­a­dos para a detecção do Alzheimer, como um teste de imagem não inva­si­vo, chama­do PET Amiloide Flor­betabeno (PET-CT com Flor­betabeno-18F). “O exame é capaz de faz­er a medição do vol­ume de pla­cas beta amiloides que, quan­do acu­mu­ladas, inter­fer­em no fun­ciona­men­to das célu­las cere­brais e são con­sid­er­adas como dig­i­tais do Alzheimer pelos médi­cos”.

O exame é uma novi­dade no país e impor­tante porque poten­cial­iza o diag­nós­ti­co. Como é uma doença pro­gres­si­va, quan­to o diag­nós­ti­co mais chances de ini­ciar um trata­men­to cor­re­to para mel­ho­rar a qual­i­dade de vida do paciente. “É muito impor­tante porque, quan­to antes tiv­er o diag­nós­ti­co, o médi­co pode tratar mel­hor, começar a medicar o paciente para que se reduza a veloci­dade com a qual os neurônios começam a mor­rer. Aí, você ele­va a qual­i­dade de vida e o prognós­ti­co do paciente mel­ho­ra muito”, avalia Pes­san­ha.

Segun­do Mar­cus Tulius, neu­rol­o­gista do Com­plexo Hos­pi­ta­lar de Niterói (CHN) e pesquisador da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz), o novo exame é uma fer­ra­men­ta para aux­il­iar no diag­nós­ti­co, mas, iso­lada­mente, não é sufi­ciente. “Ele for­t­alece a hipótese clíni­ca. Pos­si­bili­ta a detecção pre­coce da condição e, jun­ta­mente com a avali­ação dos sin­tomas exis­tentes, é pos­sív­el ten­tar esta­bi­lizá-los”.

Estímulos

Mar­cus Tulius desta­cou que a mel­ho­ra da qual­i­dade de vida do paciente com Alzheimer é prop­i­ci­a­da quan­do se faz um trata­men­to mais pre­coce, “faz­er com que a pes­soa e a família se pre­parem para essa doença, ape­sar de saber que a doença vai pro­gredir no futuro. Os medica­men­tos fazem com que essa evolução seja mais lenta”.

O Alzheimer é uma doença sem cura e não há uma pre­venção com­pro­vada­mente efi­ciente. A pre­venção con­siste em man­ter uma ativi­dade físi­ca e men­tal ati­va, ler muito, escr­ev­er, faz­er palavras-cruzadas, que­bra-cabeças. “Quem ocu­pa o cére­bro adia a doença”, diz Pes­san­ha.

Além dos estí­mu­los men­tais, há evidên­cias cada vez maiores de que exer­cí­cios físi­cos são bené­fi­cos para a pre­venção e trata­men­to do Alzheimer. A ativi­dade físi­ca reg­u­lar, como por exem­p­lo as cam­in­hadas, não ape­nas pro­tege con­tra alguns fatores de risco para o surg­i­men­to do Alzheimer, como hiperten­são, coles­terol alto e dia­betes, como tam­bém traz bene­fí­cio na veloci­dade de raciocínio, favorece a manutenção da memória e aju­da na pre­venção do declínio cog­ni­ti­vo.

Estu­dos recentes rela­cionam o Alzheimer com out­ras doenças e, por esse moti­vo, um cuida­do com a saúde em ger­al pode adi­ar o desen­volvi­men­to da doença. “A gente sabe hoje que Alzheimer está lig­a­do muito ao dia­betes, à hiperten­são, ao tabag­is­mo, à sín­drome da apneia obstru­ti­va do sono, a quadros de depressão. Então, se você pre­co­ce­mente tra­ta essas situ­ações, isso diminui o risco de o idoso, quan­do chega à ter­ceira idade, desen­volver Alzheimer”, diz Mar­cus Tulius.

Apoio

O suporte da família ao paciente com Alzheimer é fun­da­men­tal. “A pes­soa está com uma enfer­mi­dade. Ela não con­funde o nome do neto, por exem­p­lo, porque quer. Ten­to pedir que a família apoie, estim­ule, leve para o cin­e­ma, o museu, o teatro, leve para passear, ten­ha paciên­cia porque ess­es estí­mu­los é que vão man­ter o paciente, por mais tem­po, com uma qual­i­dade mín­i­ma de vida para inter­a­gir com as pes­soas”, recomen­da Pes­san­ha.

 

Edição: Denise Griesinger

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Saúde pública no RJ registra aumento nos atendimentos ligados ao calor

Dor de cabeça, náusea e tontura estão entre os possíveis sinais Ana Cristi­na Cam­pos — …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d