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Pessoas com deficiência visual ganham álbum da Copa em braille

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Publicação tem uma página a mais para cada seleção


Pub­li­ca­do em 23/10/2022 — 09:13 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil* — Rio de Janeiro

Ouça a matéria:

A menos de um mês do iní­cio da Copa do Mun­do de Fute­bol do Catar – que será real­iza­da no perío­do de 20 de novem­bro a 18 de dezem­bro – o Insti­tu­to Ben­jamin Con­stant (IBC), vin­cu­la­do ao Min­istério da Edu­cação, con­fec­cio­nou e está dis­tribuin­do gra­tuita­mente um álbum de fig­ur­in­has dos jogadores, adap­ta­do em braille, para aten­der pes­soas com defi­ciên­cia visu­al.

O dire­tor da Divisão de Edu­cação do IBC, Lui­gi Amor­im, em entre­vista para a Agên­cia Brasil, disse que a decisão de faz­er um álbum em braille remon­ta à Copa de 2018, quan­do um aluno chamou sua atenção para essa questão.

Amor­im ter­mi­na­va uma aula de matemáti­ca para uma tur­ma do 4ª ano e começou a falar sobre o con­teú­do que daria na aula seguinte em que abor­daria fig­uras geométri­c­as. Ele pediu aos alunos que pas­sas­sem a mão sobre a super­fí­cie da mesa para saberem que se trata­va de um retân­gu­lo.

Soube que um dos alunos gosta­va de fute­bol, tor­cia pela seleção brasileira e que, uti­lizan­do a reglete (instru­men­to cri­a­do para a escri­ta braille) com um artefa­to chama­do punção, ele con­seguia faz­er retân­gu­los para colar fig­ur­in­has da seleção. A reglete é um dos primeiros instru­men­tos cri­a­dos por Louis Braille para a escri­ta braille, para que cegos pos­sam ler e escr­ev­er, furan­do o papel.

No IBC, Amor­im fez parte de um setor de adap­tação de mate­r­i­al didáti­co e tin­ha exper­tise de faz­er fig­uras para a escri­ta braille. Naque­la sem­ana, ele tin­ha acaba­do de com­ple­tar o álbum da Copa com o fil­ho e resolveu elab­o­rar um com retân­gu­los para colagem das fig­ur­in­has e entregá-lo ao aluno na aula seguinte. Amor­im dis­tribuiu tam­bém para out­ros alunos do IBC e con­seguiu man­dar para fora do país alguns exem­plares, mas o tra­bal­ho não teve a divul­gação de ago­ra.

Lançamento

No últi­mo dia 23 de setem­bro, na sem­ana em que o IBC comem­o­rou 168 anos de existên­cia, o novo álbum da Copa — adap­ta­do em braille — foi apre­sen­ta­do para a comu­nidade de assistên­cia a defi­cientes visuais.

Lui­gi Amor­im ori­en­ta os alunos e demais pes­soas com defi­ciên­cia visu­al inter­es­sadas em cole­cionar as fig­ur­in­has da Copa e colá-las no álbum que baix­em um aplica­ti­vo que lê ima­gens chama­do Look­out.

“O aplica­ti­vo lê o número da fig­ur­in­ha e ali eles [pes­soas com defi­ciên­cia visu­al] têm todas as infor­mações que a fig­ur­in­ha traz como altura, peso, nome do jogador e ano em que estre­ou na seleção”, expli­cou.

O álbum tem uma pági­na a mais para cada seleção. A dis­posição das fig­ur­in­has é a mes­ma do álbum comum. O grande difer­en­cial é que cada seleção tem uma pági­na a mais em que vem a leg­en­da com todos os jogadores.

O dire­tor comen­tou que a úni­ca coisa que fal­ta para que o álbum pro­por­cione total inde­pendên­cia e autono­mia às pes­soas com defi­ciên­cia visu­al é que a fig­ur­in­ha ten­ha um corte em cima para iden­ti­ficar se ela está de cabeça para cima ou para baixo.

Tiragem

Foi fei­ta uma tiragem ini­cial de 200 álbuns, dis­tribuí­dos inter­na­mente no IBC. Out­ros 3 mil estão sendo envi­a­dos para assi­nantes da Revista Pon­tin­hos, pub­li­cação trimes­tral em braille, volta­da ao públi­co infan­to­ju­ve­nil, e da Revista Ben­jamin Con­stant (RBC), ambas do IBC, de mais de 20 país­es que falam a lín­gua por­tugue­sa.

“Qual­quer insti­tu­ição que aten­da pes­soas com defi­ciên­cia visu­al pode solic­i­tar que a gente envia. Tam­bém esta­mos disponi­bi­lizan­do o arqui­vo, caso a insti­tu­ição ten­ha uma impres­so­ra braille, para que ela pos­sa faz­er a impressão lá e a pes­soa ten­ha aces­so ao álbum”, infor­mou o dire­tor.

O IBC tem em sua esco­la, com matrícu­las reg­u­lares, 260 alunos da pré-esco­la à edu­cação profis­sion­al. O insti­tu­to atende, porém, um número maior de alunos —  960 — incluin­do edu­cação pre­coce, atendi­men­to, atle­tas, pes­soas que per­dem a visão e procu­ram reabil­i­tação, pós-grad­u­ações e mestra­do.

União

O estu­dante João Lucas Meire­les Uchôa, aluno do 5ª ano da esco­la do IBC, com baixa visão, con­sider­ou uma óti­ma ideia a elab­o­ração do álbum em braille. “Tem gente que não enx­er­ga e vai poder com­ple­tar o álbum. Isso vai unir mais a esco­la. Todo mun­do vai poder tro­car [fig­ur­in­has] e ninguém vai ficar de fora”, comem­o­ra. A fig­ur­in­ha de que ele mais gos­ta, e que ain­da não tem, é a doura­da de Ney­mar. “Muito difí­cil”, disse.

Com as fig­ur­in­has repeti­das, João Lucas disse que ele e os cole­gas fazem um tipo de jogo bate e pas­sa. O jogo é assim: colo­cam-se as fig­ur­in­has de cabeça para baixo, bate-se em cima e aque­las que virarem per­tencem ao jogador que bateu. Com isso, os cole­cionadores con­quis­tam novas fig­ur­in­has para colar nos álbuns, expli­cou o estu­dante do IBC.

*Colaborou Gabriel Brum, repórter da Rádio Nacional.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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