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Dia de Combate à Intolerância Religiosa é marcado por procissão no Rio

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nos últimos dois anos, houve aumento de 45% nos atos de intolerância


Pub­li­ca­do em 21/01/2023 — 19:03 Por Cristi­na Índio do Brasil — Repórter da Agên­cia Brasil* — Rio de Janeiro

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A 2ª Pro­cis­são do Zé Pelin­tra, que começou a cam­in­ha­da nos Arcos da Lapa e seguiu pelas ruas até a Cinelân­dia, no Cen­tro do Rio de Janeiro, reuniu hoje (21) devo­tos de uma das mais pop­u­lares enti­dades das religiões de matriz africanas e que enfrentam dis­crim­i­nação por causa da fé. No fim da pro­cis­são, hou­ve um ato ecumêni­co con­tra a intol­erân­cia reli­giosa.

O San­tuário do Zé Pelin­tra, que orga­ni­zou a pro­cis­são, con­tou com o apoio da Comis­são de Com­bate à Intol­erân­cia Reli­giosa e do Cen­tro de Artic­u­lação de Pop­u­lações Mar­gin­al­izadas (Ceap).

2º Procissão do Zé Pelintra saindo do santuário nos Arcos da Lapa e finalizando na Cinelândia, no centro da cidade, com um ato contra a intolerância religiosa.
Repro­dução: 2º Pro­cis­são do Zé Pelin­tra sain­do do san­tuário nos Arcos da Lapa e final­izan­do na Cinelân­dia, no cen­tro da cidade, com um ato con­tra a intol­erân­cia reli­giosa. — Tânia Rêgo/Agência Brasil

Zé Pelin­tra, que é uma das mais con­heci­das enti­dades das religiões de matriz africana, espe­cial­mente a Umban­da, surgiu no Nordeste, mas foi no Rio de Janeiro que se pop­u­lar­i­zou. Seu Zé, como é chama­do por alguns devo­tos, rep­re­sen­ta a figu­ra de um homem boêmio, malan­dro, sam­bista, vesti­do com um ter­no bran­co, gra­va­ta ver­mel­ha, chapéu panamá e sap­a­to de bico fino.

“Hoje esta­mos unidos pela fé para dar uma respos­ta social àque­les que querem banir qual­quer coisa que seja pau­ta­da em cima do amor de cada um sobre a sua fé. Agradeço muito e que Zé Pelin­tra e meu pai Oxalá deem sem­pre boas metas à vida de vocês, saúde, pros­peri­dade e mui­ta união”, disse o pres­i­dente insti­tu­cional do San­tuário de Zé Pelin­tra, na Lapa, no cen­tro do Rio, Diego Gomes.

O babal­a­wo (pai de san­to) e pro­fes­sor e doutor em História Com­para­da pela Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (PPGHC/UFRJ), Ivanir dos San­tos, lem­brou que o Dia Nacional de Com­bate à Intol­erân­cia Reli­giosa foi insti­tuí­do no Brasil, pela Lei Fed­er­al nº 11.635, de 27 de dezem­bro de 2007, depois da morte da Iyalorixá baiana e fun­dado­ra do Ilê Asé Abassá, Gildásia dos San­tos e San­tos, con­heci­da como Mãe Gil­da. Ela teve a casa e o ter­reiro inva­di­dos por um grupo de out­ra religião. Após perseguições e agressões ver­bais, Mãe Gil­da mor­reu de infar­to ful­mi­nante.

“Se tornou um dia nacional de com­bate. O impor­tante para nós é a diver­si­dade. Não existe democ­ra­cia com intol­erân­cia reli­giosa. Não existe democ­ra­cia com mis­oginia, com racis­mo, com homo­fo­bia. Democ­ra­cia só existe com esta­do laico e diver­si­dade”, disse.

O pres­i­dente da Fun­dação Pal­mares, João Jorge, disse que todo o esforço para a liber­dade reli­giosa é algo civ­i­liza­tório e deve faz­er parte do Brasil mod­er­no.

“É um pas­so avante, vive­mos um perío­do de ódio e ódio inclu­sive reli­gioso, temos que ser ago­ra, família, nação, cul­tura e religião”, afir­mou, acres­cen­tan­do que a função da Fun­dação Pal­mares é defend­er, dar mais pub­li­ci­dade e apoiar nacional­mente os val­ores con­tra a intol­erân­cia. “É pre­ciso que os brasileiros com­preen­dam a dimen­são da liber­dade reli­giosa de cada pes­soa”.

Compromisso de governo

De acor­do com o Min­istério dos Dire­itos Humanos e da Cidada­nia (MDHC), é com­pro­mis­so do gov­er­no “reit­er­ar o respeito a todas as expressões de fé e faz­er valer a lai­ci­dade do Esta­do brasileiro”. Segun­do a pas­ta, dados do Disque 100 indicam, que nos últi­mos dois anos, hou­ve uma ele­vação de 45% nos atos de intol­erân­cia reli­giosa. “Neste sen­ti­do, a nova gestão do Min­istério dos Dire­itos Humanos e da Cidada­nia (MDHC) reit­era o com­pro­mis­so em respeitar as diver­sas man­i­fes­tações reli­giosas ou mes­mo a ausên­cia de crença”, asse­gurou.

Denúncias

Quem quis­er relatar casos de intol­erân­cia reli­giosa pode aces­sar a Ouvi­do­ria Nacional dos Dire­itos Humanos (ONDH), que é o setor do min­istério para rece­ber as denún­cias da sociedade con­tra todo tipo de vio­lên­cia e abri­ga o Disque 100. “Quan­do obser­va­dos os números mais recentes do serviço de atendi­men­to, con­stam ape­nas 113 reg­istros de vio­lações moti­vadas por intol­erân­cia reli­giosa. Os números se ref­er­em a todo o ano de 2022, o que indi­ca tendên­cia de sub­no­ti­fi­cação”, aler­tou.

*Colaborou a repórter do radio­jor­nal­is­mo, Tatiana Alves

Edição: Clau­dia Fel­czak

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