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Não é não: lei é garantia contra assédio sexual no carnaval

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Pena para beijo à força ou ato não consentido pode chegar a 5 anos


Pub­li­ca­do em 16/02/2023 — 10:51 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Car­naval é época de diver­são e durante a folia acon­tece mui­ta paque­ra. No entan­to, o que não é con­sen­ti­do é con­sid­er­a­do crime: a Lei 13.718, em vig­or des­de 2018, crim­i­nal­iza os atos de impor­tu­nação sex­u­al e divul­gação de cenas de estupro, nudez, sexo e pornografia.

A pena para as duas con­du­tas é prisão de 1 a 5 anos. A impor­tu­nação sex­u­al foi defini­da em ter­mos legais como a práti­ca de ato libidi­noso con­tra alguém sem a sua anuên­cia “com o obje­ti­vo de sat­is­faz­er a própria lascívia ou a de ter­ceiro”.

Atos con­sid­er­a­dos por muitos como parte da fes­ta como pas­sar a mão no cor­po de alguém ou roubar um bei­jo hoje são tip­i­fi­ca­dos como crime de impor­tu­nação sex­u­al. Bei­jo à força ou qual­quer out­ro ato con­suma­do medi­ante vio­lên­cia ou grave ameaça, impedin­do a víti­ma de se defend­er, de acor­do com a mes­ma lei, con­figu­ra crime de estupro. Bei­jo, por­tan­to, só con­sen­ti­do.

A psiquia­tra Danielle Admoni, espe­cial­ista pela Asso­ci­ação Brasileira de Psiquia­tria, expli­ca porque, ape­sar da lei, é tão difí­cil o entendi­men­to de que “não é não”, prin­ci­pal­mente pelos home­ns.

“Muitas vezes o ‘não’ é enten­di­do como: ‘ela quer, mas quer dar uma de difí­cil’, ‘ela quer, mas está com ver­gonha’, e isso é ter­rív­el porque essa pes­soa está falan­do não, e não é não. Mes­mo que ela fale de for­ma edu­ca­da, ou sor­rindo, não é não. Mas a pes­soa que está do out­ro lado não tem esse entendi­men­to por essa questão socio­cul­tur­al, de que ele está aci­ma.”

A ped­a­goga Clau­dia Petry, espe­cial­ista em Sex­olo­gia Clíni­ca e em Edu­cação para a Sex­u­al­i­dade pela Uni­ver­si­dade Fed­er­al de San­ta Cata­ri­na, con­cor­da que, mes­mo com a lei, a questão é cul­tur­al, mas prin­ci­pal­mente de não saber lidar com as frus­trações.

“Nos­sa sociedade, ao lon­go da nos­sa história, foi muito per­mis­si­va para as questões do homem sobre a mul­her. Assim, for­mamos no pas­sa­do, e tam­bém no pre­sente, uma sociedade em que o homem pen­sa ter o poder — e posse — e, que pode ter tudo o que quer, não apren­den­do a lidar com quais­quer frus­trações e prin­ci­pal­mente, com os dire­itos da mul­her ou de qual­quer out­ra pes­soa. Ouvir um ‘não’ – e aceitá-lo – é respeitar o livre arbítrio do out­ro e tirar do abu­sador o ‘poder’ de faz­er o que quer”.

Já a psicólo­ga Mon­i­ca Macha­do, espe­cial­ista em Psi­canálise e Saúde Men­tal pelo Insti­tu­to de Ensi­no e Pesquisa do Hos­pi­tal Albert Ein­stein, aler­ta que, em caso de vio­lên­cias, abu­so ou impor­tu­nação, é pre­ciso procu­rar aju­da psi­cológ­i­ca.

“Não deixe de falar com pes­soas próx­i­mas e pro­cure aju­da profis­sion­al. Muitas mul­heres se sen­tem enver­gonhadas e pref­er­em se calar. No entan­to, essa feri­da pode ger­ar um trau­ma e transtornos psi­cológi­cos. Guardar para si é ali­men­tar a con­tinuidade da situ­ação e não pen­sar que alguém próx­i­mo tam­bém pode ser víti­ma algum dia”, reforça.

Medi­das de pre­venção

Mes­mo com a tip­i­fi­cação de crime e ações gov­er­na­men­tais para acol­hi­men­to às víti­mas, algu­mas dicas de espe­cial­is­tas podem aju­dar a se pro­te­ger no car­naval:

Cuida­do com os golpes da bebi­da: não aceite bebidas de estran­hos e não deixe seu copo soz­in­ho na mesa. Essas medi­das impe­dem que os abu­sadores colo­quem qual­quer tipo de sub­stân­cia que pos­sa deixar a víti­ma des­ori­en­ta­da e assim facil­i­tar o abu­so.

Api­to: ten­ha em mãos um api­to e uma cane­ta mar­ca tex­to pre­ta, para riscar um “X” (sím­bo­lo de socor­ro) na pal­ma da mão e deixar visív­el, caso pre­cise. “Estas téc­ni­cas já aju­daram muitas mul­heres a se livrar de situ­ações de risco”, ressalta a psicólo­ga Mon­i­ca Macha­do.

Man­ten­ha con­ta­to com seu grupo de ami­gos: antes de sair, crie um grupo com os ami­gos que estarão com você. Caso se per­ca deles ou pre­cise de aju­da, con­tate-os pelo grupo. Vale ain­da mar­car um pon­to de refer­ên­cia, de prefer­ên­cia, que seja movi­men­ta­do. “Evite ficar soz­in­ha. Mes­mo em meio à mul­ti­dão, você será um alvo fácil, prin­ci­pal­mente para home­ns sob efeito de álcool/drogas. Ao se sen­tir persegui­da ou em situ­ação vul­neráv­el, busque um poli­cial próx­i­mo ou entre em um esta­b­elec­i­men­to”, acon­sel­ha a sexólo­ga Clau­dia Petry.

Cuida­do com o celu­lar e per­tences: além de cuidar de sua inte­gri­dade físi­ca, cuide tam­bém de seus per­tences. Leve o mín­i­mo pos­sív­el para a folia. Guarde seu celu­lar em uma ‘doleira’, por baixo da roupa, assim como a cópia da sua iden­ti­dade e o din­heiro. Evite pagar por PIX e delete todos os aplica­tivos de ban­co. Além da vio­lên­cia sex­u­al, os abu­sadores podem roubar a víti­ma tam­bém.

Atenção no trans­porte públi­co: na vol­ta para casa, seja de metrô ou ônibus, pro­cure sen­tar per­to do motorista ou de out­ras pes­soas, prin­ci­pal­mente se for tarde da noite. Evite ficar iso­la­da e dormir no ban­co. Se estiv­er de car­ro, cer­ti­fique-se de que não há ninguém próx­i­mo ao ir emb­o­ra. Tam­bém evite esta­cionar em ruas deser­tas.

Como denunciar

Se pres­en­ciar ou for víti­ma de impor­tu­nação sex­u­al, as denún­cias podem ser feitas para o Ligue 180 – Cen­tral de Atendi­men­to à Mul­her ou procu­ran­do dire­ta­mente a Guar­da Munic­i­pal da sua cidade ou a Polí­cia Mil­i­tar, lig­an­do 190.

Edição: Maria Clau­dia

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