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Rádio Nacional é tema de exposição no Museu da Imagem e do Som

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Mostra traz origem da arte negra no carnaval carioca


Pub­li­ca­do em 28/03/2023 — 12:44 Por Fran­cis­co Eduar­do Fer­reira* — Estag­iário da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Con­heci­da como “a mais queri­da do Brasil”, a Rádio Nacional mar­cou defin­i­ti­va­mente a Era de Ouro do Rádio. Des­de 1972, seu acer­vo con­sti­tui uma das coleções mais exten­sas e valiosas do Museu da Imagem e do Som (MIS) com suas radionov­e­las e pro­gra­mas de auditório.

Com curado­ria de Ana Paula Rocha, a exposição Nos­sas Sen­sações Não São Nos­sas visi­ta as décadas de 40 e 50, perío­do escol­hi­do para mostrar a influên­cia da Rádio Nacional na rep­re­sen­tação social, seus com­pos­i­tores, intér­pretes, astros e estre­las do car­naval, o uni­ver­so sonoro da época e seus reflex­os na atu­al­i­dade.

Ao destacar a importân­cia dessa folia na história da radio trans­mis­são e a riqueza do acer­vo do museu, a exposição apre­sen­ta reflexões sobre as par­tic­u­lar­i­dades e con­tradições soci­ais e de gênero nas canções da atu­al­i­dade, segun­do afir­mou Ana, em entre­vista à Rádio Nacional.

“Desafian­do as nor­mas da época, ess­es artis­tas vêm à tona hoje, na Lapa, em 2023, para que o públi­co se lem­bre das histórias, con­heça, ouça, veja e sin­ta como a arte de ontem segue trazen­do inspi­ração para os nos­sos tem­pos, espe­cial­mente na região da Lapa, que abri­ga a mostra, e que tem grande importân­cia no cir­cuito artís­ti­co da cidade, dev­i­do à her­ança cul­tur­al do ter­ritório, espaço pelo qual eles muito tran­si­taram.”

A exposição mostra o Rio de Janeiro do iní­cio do sécu­lo 20, vinte anos atrás, após a abolição do tra­bal­ho escra­vo no Brasil, perío­do em que os artis­tas negros eram fre­quente­mente clas­si­fi­ca­dos como artis­tas “pop­u­lares” ou “prim­i­tivos”. É o caso de Heitor dos Praz­eres e seu par­ceiro de infân­cia e profis­são João da Baiana, mem­bro da Orques­tra Brasileira do pro­gra­ma Um Mil­hão de Melo­dias, da Rádio Nacional, que cir­cula­va pela Cidade Nova, Praça Onze, espaços de gov­er­no, e de out­ros int­elec­tu­ais.

Inspiração do passado

A exposição Nos­sas Sen­sações Não São Nos­sas é com­pos­ta por itens do acer­vo do MIS, com destaque para memórias das pro­duções de João da Baiana e Heitor dos Praz­eres, além de fotos e arti­gos que remon­tam ao car­naval e à Rádio Nacional, espe­cial­mente de artis­tas como Clementi­na de Jesus, Elizeth Car­doso, Pixin­guin­ha, Sin­hô, Ismael Sil­va, Ara­cy de Almei­da, Orlan­do Sil­va e Zé Keti.

A mostra desta­ca que os artis­tas pop­u­lares troux­er­am reflexões e aspec­tos a respeito dos car­navais de seu tem­po, mes­mo que muitas vezes invis­i­bi­liza­dos por artis­tas bran­cos com maior pro­jeção. Em out­ras vezes, ditan­do novos padrões sonoros e estéti­cos de fontes e exper­iên­cias comuns: a rua, a fes­ta, a boemia, o racis­mo e a perseguição poli­cial.

O car­naval, fes­ta pop­u­lar ori­un­da da pop­u­lação negra, está pre­sente na exposição, res­gatan­do a memória das sonori­dades car­navalescas, que ecoam pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro até os dias de hoje e que têm, com as trans­mis­sões do rádio e seus per­son­agens, uma “inegáv­el relação”, segun­do Ana Paula Rocha.

“São home­ns e mul­heres, todos negros, que tiver­am a cor­agem de cri­ar arte, faz­er car­naval, e de levar reflexões e feli­ci­dade para um Brasil extrema­mente racista e hos­til. Muitas vezes, eles foram persegui­dos por isso, evi­den­cian­do não só ale­grias, mas práti­cas de exclusão em suas músi­cas. Já os artis­tas de hoje vêm para dialog­ar com essas obras, demon­stran­do muitas vezes ressonân­cia entre essa pro­dução e as suas próprias, fazem ecoar ima­gens, sons e a mes­ma luta nos tem­pos atu­ais”.

Diálogo com o presente

A nova cena con­tem­porânea se faz rep­re­sen­tar por Jef­fer­son Medeiros com o  tra­bal­ho inédi­to Vira­mun­do, e o artista Ramo, que apre­sen­ta a série Ausar e duas telas inédi­tas, Sete Coroas e Kushi­ta. Os artis­tas André Var­gas, Mulam­bö e Uberê Guelé tam­bém têm obras na mostra. O fotó­grafo Guga Fer­reira expõe obras inédi­tas da série Pon­to Risca­do, mostran­do fes­tas de ter­reiros de religiões de matriz africana, da zona oeste do Rio de Janeiro.

A curado­ra enfa­ti­za que a mostra traz pes­soas, cos­tumes, estéti­cas e sons que ecoaram antes de nós, que muitas vezes foram ampla­mente perseguidas e crim­i­nal­izadas, e que pro­puser­am questões que ain­da podem ser iden­ti­fi­ca­dos e, prin­ci­pal­mente, ouvi­dos hoje, “essa é a pro­pos­ta da exposição que explo­ra a relação entre arte con­tem­porânea, músi­ca e o car­naval através dos tem­pos”.

“A relação entre arte con­tem­porânea, músi­ca e car­naval é algo que vem sendo pau­lati­na­mente con­sol­i­da­do. Tam­bém entre os novos artis­tas, a temáti­ca da fes­ta de rua, seja o próprio car­naval, pas­san­do pelas folias, o mara­catu ou os bailes funk, gan­ha uma relevân­cia nas for­mas como eles vêm se expres­san­do. Assim, é inevitáv­el unir essas tem­po­ral­i­dades”, expli­cou Ana Paula, que já atu­ou como colab­o­rado­ra no acer­vo da Dis­cote­ca do MIS.

Além dis­so, no acer­vo musi­cal da exposição, o públi­co poderá con­ferir depoi­men­tos con­ce­di­dos à Rádio Nacional, espe­cial­mente de artis­tas como Clementi­na de Jesus, Elizeth Car­doso e Pixin­guin­ha.

Serviço

Vis­i­tação: até 5 de maio de 2023

Local: Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ)

Endereço: Rua Vis­conde de Maranguape 15, Lapa

Horários: De segun­da a sex­ta, das 10h às 17h

Entra­da gra­tui­ta

*Estag­iário sob super­visão de Ake­mi Nita­hara

Edição: Maria Clau­dia

LOGO AG BRASIL

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