...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Direitos Humanos / Mulheres negras marcham em SP pedindo democracia e justiça

Mulheres negras marcham em SP pedindo democracia e justiça

Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Evento contou com intervenções culturais e políticas


Pub­li­ca­do em 25/07/2023 — 21:09 Por Elaine Patri­cia Cruz – Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

ouvir:

Em cel­e­bração ao Dia Inter­na­cional da Mul­her Negra Lati­no-Amer­i­cana e Cariben­ha, cel­e­bra­do nes­ta terça-feira (25), foi real­iza­da em São Paulo a oita­va edição da Mar­cha das Mul­heres Negras de São Paulo. O even­to reuniu cen­te­nas de mul­heres e teve iní­cio na Praça da Repúbli­ca, no cen­tro da cap­i­tal, com inter­venções cul­tur­ais e políti­cas. O grupo cam­in­hou até o The­atro Munic­i­pal. 

São Paulo (SP) 25/07/2023 - Oitava edição da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.Tema de 2023: “Mulheres negras em marcha por um Brasil com democracia! Sem racismo! Sem violências! Sem anistia para os fascistas! Justiça por Marielle Franco e Luana Barbosa! Por nós, por todas nós, pelo Bem Viver!”. Juliana Gonçalves.Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Mar­cha con­tou com inter­venções cul­tur­ais– Paulo Pinto/Agência Brasil

“A Mar­cha das Mul­heres Negras de São Paulo está fazen­do a sua oita­va edição. Começamos [o even­to] quan­do mul­heres negras foram para Brasília, em 2015, para falar da importân­cia do man­i­festo da luta con­tra o machis­mo, o racis­mo, a vio­lên­cia e pelo bem viv­er, pau­tan­do um novo mar­co civ­i­liza­tório para o Brasil. Des­de então, aqui em São Paulo, todos os anos a gente faz, no dia de Tereza de Benguela e da Mul­her Negra, essa man­i­fes­tação”, disse Simone Nasci­men­to, inte­grante da mar­cha.

Uma das orga­ni­zado­ras do even­to, Juliana Gonçalves expli­ca que a história da Mar­cha das Mul­heres Negras de São Paulo diz que os assas­si­natos da vereado­ra Marielle Fran­co, em 2018, e de Lua­na Bar­bosa,  2016 impul­siona estas mul­heres a irem às ruas. “Nós já tín­hamos mar­cha­do em 2015, na grande mar­cha nacional, e, em 2016, a gente enten­deu que não dava para deixar de ocu­par as ruas”, expli­cou.

“A gente ocu­pa as ruas com as nos­sas reivin­di­cações,  trazen­do as nos­sas denún­cias, mas mais do que isso: a gente está apre­sen­tan­do um novo pro­je­to de sociedade para o Brasil, não só para o esta­do de São Paulo”, diz Juliana.

Neste ano, a Mar­cha escol­heu como tema Mul­heres Negras em Mar­cha por um Brasil com Democ­ra­cia! Sem Racis­mo! Sem Vio­lên­cias! Sem Anis­tia para os Fascis­tas! Justiça por Marielle Fran­co e Lua­na Bar­bosa! Por nós, por todas nós, pelo Bem Viv­er!

“Neste ano, [a mar­cha] pede reparação e bem viv­er. A pau­ta da reparação aju­da a resolver muitas coisas, porque vai falar des­de a questão do aces­so à ter­ra, aces­so a comi­da e chegan­do nesse lugar do lim­ite da vida. Hoje a gente enfrenta números muito altos de fem­i­nicí­dio. A mes­ma coisa com o genocí­dio do povo negro, a mes­ma coisa com o encar­ce­ra­men­to. A gente vê que são várias estraté­gias para ain­da diz­imar a nos­sa vida. E é por isso que a gente mar­cha pelo bem viv­er, porque a gente quer a vida, a vida em abundân­cia e com dire­itos, que pre­cisam ser respeita­dos”, expli­ca Juliana.

“A Mar­cha das Mul­heres Negras, neste ano, fala da importân­cia da gente con­stru­ir a democ­ra­cia para as mul­heres negras e com­bat­er a fome, o genocí­dio, a morte, o desem­prego. E fala tam­bém da importân­cia de se faz­er justiça por pes­soas que nós perdemos nesse perío­do de recrude­sci­men­to no país como a Marielle Fran­co, mas tam­bém da Lua­na Bar­bosa”, disse Simone. “No Brasil, a nos­sa for­ma de lem­brar desse lega­do é lem­brar dos que lutaram pela nos­sa liber­dade”, acres­cen­tou.

Segun­do Regi­na Lúcia dos San­tos, coor­de­nado­ra estad­ual do Movi­men­to Negro Unifi­ca­do (MNU), a mar­cha vai ser encer­ra­da no The­atro Munic­i­pal, local onde o MNU surgiu, em 1978. “O MNU está com­ple­tan­do 45 anos. E a Mar­cha de São Paulo, oito anos. A Mar­cha rev­er­en­cia nos­sa história, que nasceu em um tem­po [regime mil­i­tar] em que era difí­cil — difí­cil não, em que era proibido — falar da questão racial no Brasil”, disse em entre­vista à EBC.

Para Regi­na, nos dias atu­ais, a Mar­cha con­tin­ua mostran­do sua resistên­cia.

“Este é o segun­do ano da mar­cha depois da pan­demia. E ela con­tin­ua sendo impor­tante  porque nós, mul­heres negras, somos a base da pirâmide econômi­ca e víti­mas do maior número de fem­i­nicí­dios, de vio­lên­cia obstétri­ca e de vio­lên­cia sex­u­al de todos os gêneros. Então é da maior importân­cia hoje poder diz­er: eu mar­cho, eu resis­to e eu luto”.

São Paulo (SP) 25/07/2023 - Oitava edição da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.Tema de 2023: “Mulheres negras em marcha por um Brasil com democracia! Sem racismo! Sem violências! Sem anistia para os fascistas! Justiça por Marielle Franco e Luana Barbosa! Por nós, por todas nós, pelo Bem Viver!”. Juliana Gonçalves. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Oita­va edição da Mar­cha das Mul­heres Negras saiu às ruas de São Paulo com o tema: Mul­heres negras em mar­cha por um Brasil com democ­ra­cia! Sem racis­mo! Sem vio­lên­cias! Sem anis­tia para os fascis­tas! Justiça por Marielle Fran­co e Lua­na Bar­bosa! Por nós, por todas nós, pelo bem viv­er!”. — Foto — Paulo Pinto/Agência Brasil

Dia da mulher negra

O Dia Inter­na­cional da Mul­her Negra Lati­no-Amer­i­cana e Cariben­ha foi insti­tuí­do em 1992 pela Orga­ni­za­ção das Nações Unidas, durante o Primeiro Encon­tro de Mul­heres Afro-Lati­no-Amer­i­canas e Afro-Cariben­has, real­iza­do em San­to Domin­go, na Repúbli­ca Domini­cana. No Brasil, essa data tam­bém cel­e­bra o Dia Nacional de Tereza de Benguela, uma data em hom­e­nagem à líder quilom­bo­la que resis­tiu à escravidão.

“A gente res­ga­ta o nome dela, inclu­sive porque as mul­heres negras foram muito apa­gadas durante o perío­do históri­co e a gente sabe que muitas lid­er­anças são apa­gadas cotid­i­ana­mente. Então sem­pre ten­ta­mos traz­er o nome dessas lid­er­anças pra mar­cha”, disse a co-dep­uta­da estad­ual pelo Movi­men­to Pre­tas, Ana Lau­ra Car­doso Oliveira.

“O Dia da Mul­her Negra Lati­no-Amer­i­cana e Cariben­ha tem a ver com a luta de várias mul­heres negras na Améri­ca Lati­na que se reuni­ram pra reivin­dicar o seu dire­ito de serem mul­heres porque a luta fem­i­nista ain­da exclui muitas mul­heres negras desse espaço. Então, as mul­heres negras se encon­traram e colo­caram tam­bém a sua voz para que o fem­i­nis­mo negro pudesse exi­s­tir”, acres­cen­tou a dep­uta­da.

Em suas redes soci­ais, a min­is­tra da Igual­dade Racial, Anielle Fran­co, lem­brou da data falou sobre a assi­natu­ra de um mem­o­ran­do de entendi­men­to entre Brasil e Colôm­bia para pro­moção da Igual­dade Racial. O acor­do pre­vê inter­câm­bios, ações para povos tradi­cionais e pro­dução acadêmi­ca e cien­tí­fi­ca.

A min­is­tra da Cul­tura, Mar­gareth Menezes, tam­bém lem­brou da data em suas redes soci­ais. “Um bom dia espe­cial. Começamos o Dia da Mul­her Negra Lati­no-Amer­i­cana e Cariben­ha num café da man­hã com jor­nal­is­tas negras aqui em Brasília. Um encon­tro que traz toda a potên­cia das mul­heres negras e nos inspi­ra na luta pelo for­t­alec­i­men­to da democ­ra­cia”.

Brasília (DF) 25/07/2023 - A Ministra da Cultura, Margareth Menezes, participa de uma café da manhã com as profissionais de imprensa por ocasião do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Repro­dução: Min­is­tra da Cul­tura pro­move café da man­hã com as profis­sion­ais de impren­sa por ocasião do Dia Inter­na­cional da Mul­her Negra, Lati­no-Amer­i­cana e Cariben­ha — Joéd­son Alves/Agência Brasil

Edição: Aline Leal

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d