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Perito estima que Juliana Marins morreu 32 horas após primeira queda

Segunda queda provocou politraumatismo e hemorragia interna

Rafael Car­doso — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 11/07/2025 — 18:16
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 11/07/2025 - O perito Nelson Massini explica o laudo produzido no Brasil, durante coletiva de imprensa concedida pela família de Juliana Marins, brasileira que faleceu durante uma trilha no Monte Rinjani na Indonésia, na Defensoria Pública da União (DPU), centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

A pub­lic­itária Juliana Marins, de 26 anos, mor­reu 32 horas depois de cair do vul­cão Rin­jani, na Indonésia. A esti­ma­ti­va é dos per­i­tos brasileiros que fiz­er­am uma segun­da autóp­sia no cor­po da jovem. O resul­ta­do foi divul­ga­do ofi­cial­mente nes­ta sex­ta-feira (11), no Rio de Janeiro.

A cronolo­gia esti­ma­da é de que a primeira que­da ocor­reu no dia 20 de jun­ho, por vol­ta das 17h, no horário da Indonésia. Juliana caiu cer­ca de 220 met­ros até um paredão rochoso. Em out­ro momen­to, escor­re­gou de costas por mais 60 met­ros e sofreu uma segun­da que­da.

Com o impacto, ela sofreu lesões polivis­cerais e poli­trau­ma­tismo, que provo­caram uma hemor­ra­gia inter­na. Entre 10 e 15 min­u­tos depois, por vol­ta das 12h do dia 22, ela mor­reu. O cor­po ain­da deslizaria mais até o pon­to onde foi encon­tra­do, a 650 met­ros de pro­fun­di­dade.

A primeira equipe de res­gate saiu da base do par­que qua­tro horas depois do aci­dente. Segun­do Mar­i­ana Marins, irmã de Juliana, a equipe do Basar­nas, como é con­heci­da a insti­tu­ição nacional de res­gate da Indonésia, desceu 150 met­ros de rapel, mas Juliana já esta­va em um pon­to mais abaixo.

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Dois dias depois, ela foi local­iza­da por meio de um drone tér­mi­co, mostran­do que ain­da esta­va viva naque­le momen­to. As equipes só con­seguiram chegar até a jovem no dia 24 e o res­gate do cor­po ocor­reu no dia 25.

Rio de Janeiro (RJ), 11/07/2025 - Mariana Marins, irmã de Juliana, esclarece o acidente durante coletiva de imprensa concedida pela família de Juliana Marins, brasileira que faleceu durante uma trilha no Monte Rinjani na Indonésia, na Defensoria Pública da União (DPU), centro da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Mar­i­ana Marins, irmã de Juliana, esclarece o aci­dente durante cole­ti­va de impren­sa Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Perícia no Brasil

Em entre­vista cole­ti­va nes­ta sex­ta-feira, foram relatadas difi­cul­dades para faz­er a autóp­sia, como o fato de o cor­po já estar embal­sama­do, o que com­pro­me­tia parte das anális­es, como ver­i­fi­cação de sinais clíni­cos e horário mais pre­ciso da morte.

Por meio de vestí­gios pre­sentes no couro cabe­lu­do, foi pos­sív­el esti­mar a hora da morte de Juliana. Em um apar­el­ho de radi­olo­gia, ver­i­ficaram-se as frat­uras nas coste­las, no fêmur, na pelve, com san­gra­men­to inten­so.

“Foi uma autóp­sia total­mente con­t­a­m­i­na­da no sen­ti­do téc­ni­co. Os órgãos já estão prati­ca­mente sem sangue, páli­dos, e nat­u­ral­mente se fez necessário um proces­so de embal­sama­men­to com for­mol. Tem um pre­juí­zo, mas o for­mol pos­si­bil­i­tou con­ser­var as lesões exter­nas e os órgãos inter­nos”, disse o per­i­to Regi­nal­do Franklin.

A irmã de Juliana, Mar­i­ana Marins, reforçou as críti­cas sobre como as equipes de res­gate agi­ram durante todo o proces­so. Ela acred­i­ta que se tivessem agi­do de maneira mais ráp­i­da, a irmã pode­ria ter sido sal­va.

“Está­va­mos esperan­do esse momen­to do lau­do. Ago­ra, vamos ver o que faz­er. Só do Basar­nas ter sido chama­do um perío­do lon­go depois do aci­dente já é algo a ser con­sid­er­a­do. Já sabi­am que era um aci­dente grave. E estavam sem o equipa­men­to cor­re­to para chegar até o local. São vários pon­tos a ser con­sid­er­a­dos”, disse Mar­i­ana.

A defen­so­ra públi­ca fed­er­al Taísa Bit­ten­court disse que exis­tem três pos­síveis des­do­bra­men­tos a par­tir da divul­gação da autóp­sia brasileira.

“Sobre a inves­ti­gação crim­i­nal, a Defen­so­ria requereu que a Polí­cia Fed­er­al instau­re inquéri­to poli­cial para inves­ti­gação. É um fato ocor­ri­do no exte­ri­or e incide o princí­pio da extrater­ri­to­ri­al­i­dade. Essa inves­ti­gação depende de uma req­ui­sição do min­istro da justiça. Na esfera cív­el, a família tem pos­si­bil­i­dades efe­ti­vas de procu­ração na própria Indonésia em relação a ind­eniza­ção por dano moral. E a questão inter­na­cional que envolve questões diplomáti­cas é de levar o caso para uma comis­são de dire­itos humanos da ONU”, disse a defen­so­ra.

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