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A um mês do Enem, professores falam sobre uso de redes sociais

Repro­dução: © Álvaro Hen­rique / Sec­re­taria de Edu­cação do DF

E dão dicas de como aproveitar essas ferramentas para fixar conteúdo


Pub­li­ca­do em 21/10/2021 — 08:39 Por Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Ao som de gri­tos, a pro­fes­so­ra de história Natasha Piedras entra cor­ren­do em um quar­to. Aci­ma da cena, aparece a leg­en­da: “Dom João VI fug­in­do de Por­tu­gal”. Logo em segui­da, a pro­fes­so­ra aparece nova­mente entran­do pela mes­ma por­ta, ago­ra com um chapéu pre­to e uma vare­ta sim­u­lan­do uma espa­da, com a leg­en­da: “Napoleão Bona­parte”. Em um vídeo de cin­co segun­dos, Natasha fala sobre a vin­da da família real por­tugue­sa para o Brasil em 1808, em meio à ameaça do imper­ador francês de invadir o reino de Por­tu­gal.

O vídeo rece­beu mais de 7,7 mil cur­tidas no Insta­gram e mais de 24 mil no Tik Tok. De for­ma descon­traí­da, esco­las, cursin­hos e pro­fes­sores têm usa­do as redes soci­ais para tratar de con­teú­dos para o Exame Nacional do Ensi­no Médio (Enem). A um mês das provas, que serão real­izadas nos dias 21 e 28 de novem­bro, eles dão dicas de como aproveitar essas fer­ra­men­tas para fixar o con­teú­do e tam­bém fazem aler­tas sobre os cuida­dos necessários para não perder o foco dos estu­dos e não aces­sar con­teú­dos com infor­mações erradas.

“Um mês para o exame, a gente diz que é a reta final. Um momen­to de foco total. A inter­net pode ser uma ali­a­da, claro, mas não é o momen­to de ficar horas nas redes soci­ais. Emb­o­ra a inter­net ajude, ela pode ser uma dis­tração. É bom focar nas aulas e ter a inter­net como algo com­ple­men­tar”, diz Natasha, que é pro­fes­so­ra do Descom­pli­ca, ambi­ente vir­tu­al que ofer­ece cur­sos preparatórios para o Enem.

As aulas, segun­do a pro­fes­so­ra, são impor­tantes, até mes­mo para que o estu­dante enten­da as piadas nas redes. “Quan­do estou pen­san­do para o Tik Tok um vídeo sobre proces­so de Inde­pendên­cia do Brasil, claro que quero que o aluno tire daque­le vídeo algu­ma coisa mas, para isso, ele pre­cisa de um con­hec­i­men­to prévio sobre a Inde­pendên­cia, pre­cisa ter assis­ti­do uma aula sobre o assun­to. Assis­tiu a aula, enten­deu min­i­ma­mente o assun­to, um vídeoz­in­ho desse no Tik­tok vai faz­er com que ele, de repente, absor­va um pouco mais, mas de maneira leve”.

Redes sociais na pandemia

O estu­do Dig­i­tal 2021: Glob­al Overview Report, da Hoot­suite e We are Social, mostra que somente no últi­mo ano as redes soci­ais gan­haram meio mil­hão de novos usuários em todo o mun­do, o que rep­re­sen­tou um cresci­men­to de mais de 13%. Ago­ra, são 4,2 bil­hões de pes­soas conec­tadas, o que rep­re­sen­ta 53% de toda a pop­u­lação mundi­al.

O Brasil está entre os país­es que mais usam redes soci­ais no mun­do, ocu­pan­do o ter­ceiro lugar no rank­ing, depois das Fil­ip­inas e da Colôm­bia. Os usuários brasileiros pas­sam, em média, 3 horas e 42 min­u­tos nas redes soci­ais por dia — tem­po aci­ma da média mundi­al de 2 horas e 25 min­u­tos.

“Não é um fenô­meno de ago­ra, mas com a pan­demia o uso das redes soci­ais foi poten­cial­iza­do por causa desse perío­do remo­to, que fez com que muitos alunos, que não tin­ham o hábito de nave­g­ar na rede pas­sas­sem a bus­car mais infor­mações e a aces­sar mais. Os pro­fes­sores que antes não postavam pas­saram a postar”, diz o pro­fes­sor de quími­ca dos colé­gios San­to Agostin­ho e São Ben­to, no Rio de Janeiro, e tam­bém cri­ador do canal Quími­ca Nota Dez, Sil­vio Pre­dis.

Mais con­teú­do na rede exige, no entan­to, mais cuida­do. Segun­do o pro­fes­sor, é pre­ciso bus­car infor­mações sobre quem está divul­gan­do esse con­teú­do, se é algum pro­fes­sor, se tem boa for­mação e, se pos­sív­el, per­gun­tar na esco­la ou no cursin­ho, a pro­fes­sores de con­fi­ança, se deter­mi­na­do per­fil é indi­ca­do. “Há con­teú­dos com uma qual­i­dade muito alta e con­teú­dos com vários erros”, diz.

Maior alcance

As redes soci­ais aju­daram a pro­fes­so­ra de redação e fun­dado­ra do Mar­ka Tex­to Redação e Lin­gua­gens, Letí­cia Lima, a chegar a diver­sas partes do Brasil. Os vídeos que pos­ta no Insta­gram e Tik­tok, com dicas para a redação do Enem, cor­reção de provas e mes­mo com erros cometi­dos pelos estu­dantes, têm cen­te­nas de mil­hares de repro­duções e cur­tidas.

“Para segu­rar o jovem hoje em dia tem que ser rápi­do. Tudo é dis­tração para eles. Tem que ter humor, estar ante­na­do com memes, com o que está em alta, o que é engraça­do. A gente se baseia muito nis­so”, afir­ma.

Porém, além de diver­tir e infor­mar, as redes soci­ais podem tam­bém ser ambi­entes muito tóx­i­cos, de acor­do com a pro­fes­so­ra. “Exis­tem muitos per­fis que pro­je­tam uma ideia de roti­na de estu­do que é imprat­icáv­el e inal­cançáv­el. Essa com­para­ção [com out­ras pes­soas] pode minar a saúde men­tal do estu­dante”, diz. Ela acon­sel­ha os alunos a focarem, nes­ta reta final, na res­olução de questões de provas ante­ri­ores, na revisão de con­teú­dos. A famil­iari­dade com a pro­va, segun­do ela, con­ta muito no Enem.

Edição: Graça Adju­to

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