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Bioacústica é usada para conservar biodiversidade em ilhas oceânicas

Repro­dução: © Raul Rio/Ocean Sound

Proposta é de pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora


Pub­li­ca­do em 21/08/2021 — 17:37 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

O uso da fer­ra­men­ta da bioacús­ti­ca para con­ser­vação da bio­di­ver­si­dade mar­in­ha é a pro­pos­ta da equipe de pesquisadores, coor­de­na­da pelo pro­fes­sor de med­i­c­i­na vet­er­inária da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Juiz de Fora (UFJF), Raul Rio, que ini­ciou o tra­bal­ho pela ilha oceâni­ca de mais fácil logís­ti­ca, que é a Ilha de Fer­nan­do de Noron­ha. O arquipéla­go vul­câni­co está situ­a­do a cer­ca de 350 quilômet­ros ao largo da cos­ta nordeste do Brasil.

O pro­je­to usa a bioacús­ti­ca para avaliar o com­por­ta­men­to dos cetáceos que se abrigam nas ilhas oceâni­cas. “Quan­do a gente fala em cetáceos, esta­mos falan­do de baleias, golfin­hos, inclu­sive de botos, nas qua­tro ilhas oceâni­cas que são Fer­nan­do de Noron­ha, o Arquipéla­go de São Pedro e São Paulo (per­ten­cente a Per­nam­bu­co), Atol das Rocas (agru­pa­men­to de ilhas vin­cu­ladas ao esta­do do Rio Grande do Norte), e Trindade e Mar­tins Vaz (arquipéla­go local­iza­do no Oceano Atlân­ti­co, na cos­ta do Espíri­to San­to)”, disse o pro­fes­sor da UFJF à Agên­cia Brasil.

Repro­dução: Pesquisa de bioacús­ti­ca em Fer­nan­do de Noron­ha — Raul Rio/Ocean Sound

Nes­sas ilhas, o grupo já tem estru­tu­ra mon­ta­da e autor­iza­ções do Insti­tu­to Brasileiro do Meio Ambi­ente e dos Recur­sos Nat­u­rais Ren­ováveis (Iba­ma) para realizar os estu­dos. Rio é tam­bém pres­i­dente da orga­ni­za­ção não gov­er­na­men­tal (ONG) Ocean Sound, que reúne pesquisadores nacionais e estrangeiros que uti­lizam a bioacús­ti­ca em pesquisas cien­tí­fi­cas.

Impacto acústico

O pesquisador infor­mou que a escol­ha de Fer­nan­do de Noron­ha para dar par­ti­da aos tra­bal­hos se deu tam­bém pelo impacto acús­ti­co muito grande que o cresci­men­to da ativi­dade turís­ti­ca gera para os golfin­hos, seja pelas embar­cações, pelas canoas hava­ianas, pelos bar­cos de obser­vação. “É uma coisa que nos pre­ocu­pa muito. Tudo isso tem impacta­do muito o com­por­ta­men­to dos golfin­hos em Noron­ha, que já mudou muito nos últi­mos anos”.

O pro­fes­sor expli­cou que os golfin­hos cos­tu­mavam ficar no local con­heci­do como Baía dos Golfin­hos, onde foi insta­l­a­do um hidrofone,para cap­tação de sons no oceano. “Mas a gente já obser­va, nos últi­mos anos, que eles estão se dis­tribuin­do para vários pon­tos da ilha e, curiosa­mente, um dos pon­tos é o por­to, onde existe grande número de embar­cações”. Ele afir­mou que essa relação para­dox­al do impacto do ruí­do antro­pogêni­co com a aprox­i­mação dos ani­mais das áreas mais habitadas é uma incóg­ni­ta que os pesquisadores querem enten­der mel­hor.

A equipe em Fer­nan­do de Noron­ha é integra­da por sete pesquisadores. A pesquisa é impor­tante tam­bém porque os golfin­hos habitam a ilha. Pela man­hã, eles bus­cam abri­gos em águas trans­par­entes onde podem des­cansar, socializar, cuidar dos fil­hotes e se repro­duzir. À noite, eles deix­am a ilha para se ali­menta­rem de lulas, camarões e peix­es que aflo­ram em super­fí­cies de mais fácil aces­so no oceano. A pop­u­lação de golfin­hos de Fer­nan­do de Noron­ha é esti­ma­da em torno de 2,7 mil ani­mais, à média de 250 a 300 por dia.

Preservação

“Esse é um dos atra­tivos de Noron­ha”, disse Raul Rio. Por isso, ele defende a importân­cia da preser­vação da espé­cie para garan­tir sua qual­i­dade de vida e tam­bém para sus­ten­tar eco­nomi­ca­mente a ilha. “A gente quer uti­lizar a ciên­cia, a pesquisa cien­tí­fi­ca, para dar sub­sí­dio para que os gestores pos­sam uti­lizar essas infor­mações para ger­ar políti­cas públi­cas que per­mi­tam o equi­líbrio sus­ten­táv­el entre tur­is­mo e con­ser­vação”. Desta­cou ain­da a neces­si­dade da edu­cação ambi­en­tal para os vis­i­tantes. “É uma questão mul­ti­dis­ci­pli­nar, de edu­cação ambi­en­tal, que pas­sa pelos tur­is­tas, pelos moradores e autori­dades da ilha. É necessário que todos ten­ham essa con­sciên­cia de lon­go pra­zo”.

O tra­bal­ho em Fer­nan­do de Noron­ha tem pra­zo mín­i­mo pre­vis­to de exe­cução de cin­co anos. “É um pro­je­to de lon­go pra­zo, que chamamos mon­i­tora­men­to acús­ti­co de lon­go pra­zo”. O pesquisador e a ONG Ocean Sound estão bus­can­do parce­rias para aju­dar na com­pra dos equipa­men­tos, que são muito caros.

No iní­cio de 2022, a pesquisa de bioacús­ti­ca se esten­derá até a Ilha São Pedro e São Paulo; chegará ao Atol das Rocas no final desse ano ou começo de 2023; e a par­tir daí abrangerá Trindade e Mar­tins Vaz. “Uma vez a pesquisa ini­ci­a­da, ela não para. Con­tin­ua. A gente vai soman­do as out­ras ilhas oceâni­cas a esse nos­so cal­endário até ter, daqui a qua­tro anos, o mon­i­tora­men­to com­ple­to e con­tin­uo das qua­tro ilhas oceâni­cas”, disse o pesquisador e pro­fes­sor da UFJF.

Edição: Maria Clau­dia

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