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Brasil tem cerca de 30 milhões de animais domésticos abandonados

Campanha Dezembro Verde alerta para o cuidado responsável

Guil­herme Jerony­mo — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 27/12/2025 — 09:44
São Paulo
Tutores com cães no Parcão, espaço exclusivo para cachorros, na Praça Ayrton Senna do Brasil.
Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

O mês de dezem­bro é ded­i­ca­do à cam­pan­ha de con­sci­en­ti­za­ção Dezem­bro Verde, para lem­brar da importân­cia do cuida­do respon­sáv­el com ani­mais domés­ti­cos. A data não é aleatória, pois o perío­do de fes­tas é con­sid­er­a­do o de maior incidên­cia de aban­donos, além de ser de maior risco para fugas, em razão de maior tem­po longe dos humanos de refer­ên­cia e com mais fatores de estresse, como a sol­ta de fogos.

A cam­pan­ha reforça a neces­si­dade de medi­das palia­ti­vas para o descon­for­to e a segu­rança dos ani­mais. A esti­ma­ti­va, estáv­el des­de o começo da déca­da, é de 30 mil­hões de cães, gatos e out­ras espé­cies domés­ti­cas aban­don­a­dos.

“Há con­stantes pro­gres­sos na relação esta­b­ele­ci­da entre pes­soas e pets, com inter­ações cada vez mais próx­i­mas, inten­sas e emo­cionais. Ter­mos como ‘posse’ e ‘pro­pri­etário’ já não são mais apro­pri­a­dos. Ser respon­sáv­el por um ani­mal de esti­mação e con­viv­er com ele exige que se ofer­eça todas as suas neces­si­dades, tan­to físi­cas quan­to emo­cionais”, expli­ca a pres­i­dente da Comis­são Téc­ni­ca de Bem-Estar Ani­mal do Con­sel­ho Region­al de Med­i­c­i­na Vet­er­inária do Esta­do de São Paulo (CRMV-SP), Daniela Ramos.

O con­sel­ho desta­ca a importân­cia da ori­en­tação de tutores e de serviços em bus­ca de mel­hores condições para o bem-estar ani­mal. Uma das questões fun­da­men­tais é a con­sci­en­ti­za­ção da neces­si­dade de plane­ja­men­to e ade­quação de roti­nas. É comum os ani­mais domés­ti­cos viverem mais de 10 anos, e seu cuida­do em perío­dos excep­cionais, como as férias, é impor­tante para seu desen­volvi­men­to e con­for­to. Além das neces­si­dades fisi­ológ­i­cas, o bem estar emo­cional, como a sen­sação de ausên­cia de cuidadores, tam­bém é desta­ca­do pelo con­sel­ho. Uma solução, apon­ta, é acos­tu­mar os ani­mais com out­ras pes­soas ou lugares de refer­ên­cia, para que a ausên­cia dos tutores seja menos sen­ti­da.

“Muitos casos de aban­dono pode­ri­am ser evi­ta­dos se, antes da adoção, as pes­soas refletis­sem sobre questões práti­cas como o que faz­er com o ani­mal em caso de mudança? Quem cuidará dele durante uma viagem?”, desta­ca Daniela Ramos.

“Aproveite momen­tos em que você tem mais tem­po em casa, como as férias, para refle­tir sobre a adoção. Nen­hum ani­mal chega pron­to para a con­vivên­cia conosco. É pre­ciso ensiná-lo e guiá-lo para uma vida em har­mo­nia com a família. O respon­sáv­el e todos os mem­bros da casa têm papel fun­da­men­tal nesse proces­so”, com­ple­men­ta a profis­sion­al.

Abandono é crime

A Sec­re­taria Munic­i­pal da Saúde de São Paulo lem­bra que o aban­dono de ani­mais é con­sid­er­a­do crime, con­forme a Lei 9.605/1998, e que noti­fi­cações devem ser feitas aos órgãos de segu­rança públi­ca, por meio da Del­e­ga­cia Eletrôni­ca de Pro­teção Ani­mal e o  Disque Denún­cia Ani­mal, no 0800–600-6428.

O aban­dono de ani­mais pode levar a pena de até 1 ano de prisão, o que é agrava­do se hou­ver indí­cios de maus tratos ou risco para a saúde do ani­mal.

Na cap­i­tal paulista ani­mais aban­don­a­dos são recol­hi­dos pela Divisão de Vig­ilân­cia de Zoonoses (DVZ), da Coor­de­nado­ria de Vig­ilân­cia em Saúde (Cov­isa), o órgão de saúde públi­ca respon­sáv­el pela remoção de cães e gatos sem dono, encon­tra­dos soltos em vias e logradouros públi­cos, em algu­mas situ­ações, como casos com­pro­va­dos de agressão, invasão com­pro­va­da a insti­tu­ições públi­cas, locais em situ­ação de risco à saúde públi­ca ou ani­mais em esta­do de sofri­men­to, sendo pri­or­izadas as situ­ações em que existe risco à saúde humana.

Santa Catarina

Alguns esta­dos tor­nam o mês de dezem­bro como o momen­to estratégi­co para debater o tema. É o caso de San­ta Cata­ri­na, que orga­ni­zou a cam­pan­ha Não aban­done o amor, com pub­li­ci­dade nas ruas e uma cam­pan­ha mul­ti­mí­dia, que vai até janeiro.

“A ideia da cam­pan­ha surgiu a par­tir de uma con­statação, basea­da em dados, de que, prin­ci­pal­mente nes­ta época de final de ano e alta tem­po­ra­da, aumen­tam os casos de adoção, com as pes­soas mais sen­si­bi­lizadas”, disse a dire­to­ra estad­ual do Bem-Estar Ani­mal, Fab­rí­cia Rosa Cos­ta.

No entan­to, ela lem­bra que, ao mes­mo tem­po, aumen­tam os casos de aban­dono de pets, quan­do as famílias saem de férias ou se mudam, e não ten­do como quem deixar ou doar, acabam aban­do­nan­do os ani­mais à própria sorte.

“Essa real­i­dade pre­cisa mudar, afi­nal pet não é brin­que­do e são seres sen­cientes [capazes de sen­tir sen­sações e sen­ti­men­tos de for­ma con­sciente], que sen­tem fome, medo, tris­teza, frio, calor e desam­paro nes­sas situ­ações”, afir­ma.

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