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Cariocas pretas com atuação de destaque recebem prêmio no Rio

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Homenagem marca o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha


Pub­li­ca­do em 25/07/2023 — 17:46 Por Bruno de Fre­itas Moura — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Mul­heres car­i­o­cas pre­tas com pro­tag­o­nis­mo na sociedade ocu­param, nes­ta terça-feira (25), um lugar de destaque em um dos requin­ta­dos salões do Palá­cio da Cidade – uma das sedes da prefeitu­ra do Rio de Janeiro, em Botafo­go, bair­ro de classe média do Rio. A plateia, for­ma­da prin­ci­pal­mente por mul­heres pre­tas, acom­pan­ha­va a primeira edição do Prêmio Glória Maria — Mul­heres Afro-Lati­nas Car­i­o­cas, pro­movi­do pela Sec­re­taria Munic­i­pal de Políti­cas e Pro­moção da Mul­her.

A cer­imô­nia faz parte das comem­o­rações do Dia da Mul­her Negra Lati­no-Amer­i­cana e Cariben­ha. De acor­do com a prefeitu­ra do Rio, as pre­mi­adas alcançaram destaques pelo tra­bal­ho desen­volvi­do, pela capaci­dade de lid­er­ança e por ações que con­tribuíram para um cam­in­ho mel­hor da sociedade brasileira. A pre­mi­ação rece­beu o nome Glória Maria para hom­e­nagear a jor­nal­ista, mor­ta em 2 de fevereiro de 2023, que foi uma das primeiras negras a alcançar papel de destaque no tele­jor­nal­is­mo brasileiro. As fil­has dela, Lau­ra e Maria da Sil­va, rece­ber­am uma hon­raria espe­cial.

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Foram entregues sete prêmios, nas cat­e­go­rias Comu­ni­cação, Relações Inter­na­cionais, Saúde, Aces­so a Dire­itos, Ini­cia­ti­vas Ino­vado­ras, Cul­tura e Serviço Públi­co.

RIO DE JANEIRO (RJ), 25/07/2023 – A jornalista homenageada, Flávia Oliveira fala após receber o Prêmio Glória Maria, mulheres afrolatinas cariocas. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: A jor­nal­ista Flávia Oliveira foi hom­e­nagea­da na cat­e­go­ria Comu­ni­cação — Tomaz Silva/Agência Brasil

Na cat­e­go­ria Comu­ni­cação, a pre­mi­a­da foi a col­u­nista e comen­tarista de TV Flávia Oliveira. A jor­nal­ista clas­si­fi­cou a tra­jetória de Glória Maria como inspi­rado­ra, con­tou que tem raízes em bair­ros mais pop­u­lares da cidade, se definiu como uma mul­her de axé, em refer­ên­cia a religiões de origem afro, e fez questão de lem­brar o lega­do da vereado­ra Marielle Fran­co, pre­ta de origem no con­jun­to de fave­las da Maré, assas­si­na­da no Rio de Janeiro em março de 2018.

“Marielle nos per­mi­tiu imag­i­nar uma par­tic­i­pação políti­ca mais efe­ti­va das mul­heres negras. Marielle Fran­co pode­ria dar muito ao Rio, ao Brasil. Mas, a par­tir da bru­tal­i­dade [que ela sofreu], pro­duz­iu muitas sementes de luta pela dig­nidade humana, pela vida, pela justiça e por mais pre­sença fem­i­ni­na negra nos espaços de poder”, disse a jor­nal­ista no dis­cur­so de agradec­i­men­to.

RIO DE JANEIRO (RJ), 25/07/2023 –A médica homenageada Liana Tito fala após receber o Prêmio Glória Maria, mulheres afrolatinas cariocas. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Na cat­e­go­ria Saúde, a pre­mi­a­da foi a médi­ca Liana Tito — Tomaz Silva/Agência Brasil

Liana Tito rece­beu a hom­e­nagem na cat­e­go­ria Saúde. A médi­ca faz parte do Grupo Ifé Med­i­c­i­na, for­ma­do por cin­co mul­heres negras. A oftal­mol­o­gista defende uma med­i­c­i­na basea­da em evidên­cia e escu­ta do paciente, com foco na pes­soa e não somente na doença.

“A luta das mul­heres negras pre­cisa ser vista todos os dias, mas quan­do a gente con­segue reunir, num dia só, cruzar cam­in­hos e perce­ber a importân­cia na nos­sa luta diária, eu acho que é cada vez mais colo­car em voga essa neces­si­dade de dis­cu­tir nos­sos próx­i­mos pas­sos através de políti­ca públi­ca para que a gente, real­mente, seja um povo livre e feliz”, disse a médi­ca, que tam­bém tra­bal­ha em hos­pi­tais pediátri­cos pelo Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS).

RIO DE JANEIRO (RJ), 25/07/2023 – A advogada homenageada Angela Borges Kimbangu fala após receber o Prêmio Glória Maria, mulheres afrolatinas cariocas. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: A advo­ga­da Angela Borges Kim­ban­gu rece­beu o prêmio na cat­e­go­ria Aces­so a Dire­itos — Tomaz Silva/Agência Brasil

Vence­do­ra na cat­e­go­ria Aces­so aos Dire­itos, a advo­ga­da Angela Borges Kim­ban­gu, fun­dado­ra da Asso­ci­ação Advo­ca­cia Pre­ta Car­i­o­ca, can­tou na hora da pre­mi­ação: “Tire o seu racis­mo do cam­in­ho, que eu quero pas­sar com a min­ha cor”. E con­cluiu: “Qua­tro ‘pês’: poder para o povo pre­to.”

RIO DE JANEIRO (RJ), 25/07/2023 – A gestora pública homenageada, Rafaela Bastos fala após receber o Prêmio Glória Maria, mulheres afrolatinas cariocas. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: Pres­i­dente do Insti­tu­to Fun­dação João Goulart, Rafaela Bas­tos fala após rece­ber o prêmio na cat­e­go­ria Serviço Públi­co — Tomaz Silva/Agência Brasill

A pres­i­dente do Insti­tu­to Fun­dação João Goulart, Rafaela Bas­tos, foi destaque na cat­e­go­ria Serviço Públi­co. A mis­são do órgão é “impactar pos­i­ti­va­mente o cidadão car­i­o­ca a par­tir da gestão públi­ca”. Rafaela enx­er­ga na pre­mi­ação um con­tex­to de reparação. “Talvez, reparar para mit­i­gar seja um proces­so e não o obje­ti­vo ou resul­ta­do final para uma sociedade mais jus­ta”, disse a gesto­ra públi­ca, que tam­bém é vice-pres­i­dente de Pro­je­tos Espe­ci­ais da Estação Primeira de Mangueira e foi pas­sista da esco­la de sam­ba por 23 anos.

“Utopicamente realista”

RIO DE JANEIRO (RJ), 25/07/2023 – A advogada e ativista homenageada, Dione Assis fala após receber o Prêmio Glória Maria, mulheres afrolatinas cariocas. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: A advo­ga­da e ativista Dione Assis foi hom­e­nagea­da na cat­e­go­ria Ini­cia­ti­vas Ino­vado­ras — Tomaz Silva/Agência Brasil

Na cat­e­go­ria Ini­cia­ti­vas Ino­vado­ras, a hom­e­nagea­da foi a advo­ga­da Dione Assis, fun­dado­ra da rede Black­Sis­ters in Law (Irmãs Negras na Lei, em tradução livre), que propõe conexões, tro­cas e cresci­men­to entre advo­gadas negras e atual­mente tem cer­ca de 1,5 mil inte­grantes. No dis­cur­so de agradec­i­men­to, ela citou o con­ceito de “utopi­ca­mente real­ista”, do escritor e his­to­ri­ador holandês Rut­ger Breg­man. “Ele disse que, um dia, tudo o que a gente vive hoje foi uma utopia e que as pes­soas não acred­i­tavam. De repente, acon­te­ceu. Então, eu acred­i­to, sim, que essa trans­for­mação vai acon­te­cer. É só a gente ten­tar e trans­for­mar de ver­dade”, citou.

A DJ homenageada, Tamy Reis fala após receber o Prêmio Glória Maria, mulheres afrolatinas cariocas
Repro­dução: A DJ Tamy Reis rece­beu o prêmio na cat­e­go­ria Cul­tura — Tomaz Silva/Agência Brasil

A DJ Tamy Reis foi pre­mi­a­da na cat­e­go­ria Cul­tura. Ela desta­cou a tra­jetória de out­ras DJs para con­seguir ser recon­heci­da hoje. “Mul­heres pre­tas que pavi­men­ta­ram o cam­in­ho para eu estar aqui”, disse.

A dire­to­ra exec­u­ti­va da Anis­tia Inter­na­cional no Brasil, Jure­ma Wer­neck, que defende os dire­itos humanos e luta con­tra o racis­mo, foi destaque na cat­e­go­ria Relações Inter­na­cionais, mas não pode com­pare­cer à pre­mi­ação.

A secretária de Políti­cas e Pro­moção da Mul­her da prefeitu­ra do Rio, Joyce Trindade, defend­eu políti­cas soci­ais para mul­heres em situ­ação de vio­lên­cia e vul­ner­a­bil­i­dade, como auxílio finan­ceiro e capac­i­tação profis­sion­al. “Com­bat­er a pobreza e a vio­lên­cia é a par­tir de profis­sion­al­iza­ção para o mer­ca­do de tra­bal­ho. E a nos­sa pri­or­i­dade é, jus­ta­mente, mul­heres mães, chefes de família e da per­ife­ria car­i­o­ca. A gente sabe que elas são, sim, as mul­heres negras, porque a vio­lên­cia tem cor, tem endereço e tem gênero. A gente está con­sol­i­dan­do políti­cas públi­cas nacionais, a par­tir do Rio de Janeiro, que já são refer­ên­cias para out­ras cidades”, afir­mou a secretária.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduar­do Paes, apon­tou que o prêmio serve para inspi­rar out­ras mul­heres pre­tas e disse que não bas­ta para a cidade não ser racista. “A gente não tem só que não ser racista. A gente tem que ser antir­racista, ativista”. Paes ressaltou o papel da sociedade em cobrar ações da prefeitu­ra. “Gov­er­nos pre­cisam ser pres­sion­a­dos. Essa cobrança, cer­ta­mente, vai sur­tir efeito, vai faz­er com que a gente avance como sociedade, trazen­do mais bem-estar para a nos­sa gente”, con­cluiu.

Dia Internacional

O Dia Inter­na­cional da Mul­her Negra Lati­no-Amer­i­cana e Cariben­ha foi cri­a­do pela Orga­ni­za­ção das Nações Uni­da (ONU), durante o 1º Encon­tro de Mul­heres Afro-Lati­no-Amer­i­canas e Afro-Cariben­has, em San­to Domin­go, na Repúbli­ca Domini­cana, em 1992. No Brasil, a data tam­bém é uma hom­e­nagem à Tereza de Benguela, con­heci­da como “Rain­ha Tereza”, que viveu no sécu­lo 18, no Vale do Gua­poré, em Mato Grosso, e lid­er­ou o Quilom­bo de Quar­iterê.

Marcha em Copacabana

No próx­i­mo domin­go (30), será real­iza­da a Mar­cha das Mul­heres Negras 2023, na Pra­ia de Copaca­bana, zona sul do Rio de Janeiro. Será a nona edição do ato que, este ano, trará o tema “Mul­heres negras unidas con­tra o racis­mo, con­tra todas as opressões, vio­lên­cias, e pelo bem viv­er”.

Edição: Juliana Andrade

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