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Com 493 blocos, BH deve registrar maior carnaval de sua história

Repro­dução: © Alexan­dre Guzanshe/Belotur/Divulgação

Folia deve movimentar R$ 600 milhões e gerar mais de 20 mil empregos


Pub­li­ca­do em 11/02/2023 — 09:08 Por Léo Rodrigues – Repórter da Agên­cia Brasil — Belo Hor­i­zonte

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A mobi­liza­ção de 5 mil­hões de foliões esti­ma­da pela Prefeitu­ra de Belo Hor­i­zonte fará com que este seja o maior car­naval da história da cidade. Des­de que os blo­cos de rua voltaram a gan­har força a par­tir de 2009, o públi­co que toma os bair­ros da cap­i­tal mineira cresceu expo­nen­cial­mente. Em 2023, depois de dois anos sem car­naval em decor­rên­cia da pan­demia de covid-19, o municí­pio apos­ta na ansiedade de moradores e vis­i­tantes para matar a saudade da maior fes­ta pop­u­lar do país.

“A folia na cap­i­tal mineira con­tará com uma pro­gra­mação exten­sa e descen­tral­iza­da, dis­tribuí­da pelas nove region­ais da cidade. Orga­ni­za­do de maneira espon­tânea, um dos prin­ci­pais atra­tivos da fes­ta é a sua essên­cia democráti­ca e plur­al”, reg­is­tra nota divul­ga­da no site da prefeitu­ra.

Com a inscrição de 493 blo­cos de rua, o municí­pio já reg­is­tra um recorde. O número supera de longe os 347 cadastra­dos no últi­mo car­naval, em 2020. Como alguns deles des­fil­am mais de uma vez, estão pre­vis­tos para este ano 538 corte­jos. Alguns deles já ocor­reram ao lon­go dessa sem­ana. A pro­gra­mação com­ple­ta pode ser con­feri­da no por­tal eletrôni­co da prefeitu­ra. Neste fim de sem­ana, há opções em quase todas as regiões da cidade.

Segun­do a pro­jeção da prefeitu­ra, a folia deve movi­men­tar R$ 600 mil­hões e ger­ar mais de 20 mil empre­gos dire­tos e indi­re­tos. Foram cadastra­dos 16,1 mil ambu­lantes, cer­ca de 10% a mais que em 2020.

Ocupação das ruas

A retoma­da da força do car­naval de rua de Belo Hor­i­zonte teve como pon­to de par­ti­da um movi­men­to for­ma­do por artis­tas e uni­ver­sitários que surgiu em 2009. Eles cri­aram for­mas lúdi­cas de con­tes­tar medi­das restri­ti­vas de ocu­pação do espaço públi­co, em espe­cial um decre­to da prefeitu­ra que proib­ia even­tos na Praça da Estação, no cen­tro da cidade.

Os blo­cos foram surgin­do com o intu­ito de ocu­par as vias da cap­i­tal mineira através da folia. Pas­sa­dos 14 anos, a maio­r­ia dos blo­cos que se con­sol­i­daram como refer­ên­cia da pro­gra­mação desse car­naval orga­ni­zam corte­jos que divertem e tam­bém car­regam ban­deiras políti­cas: há man­i­fes­tações críti­cas ao machis­mo, à homo­fo­bia, ao racis­mo e defe­sa de pau­tas lig­adas à democ­ra­ti­za­ção da cul­tura e à inclusão social.

Blo­cos como Então Bril­ha, Juven­tude Bronzea­da, Tchanz­in­ho Zona Norte, Chama o Síndi­co, Pena de Pavão de Krish­na, Ango­la Jan­ga, Fil­hos de Tcha Tcha e Alco­va Lib­erti­na são expressões desse movi­men­to. Ao mes­mo tem­po, fomen­tam um car­naval esteti­ca­mente e musi­cal­mente plur­al diante das especi­fi­ci­dades de cores e de rit­mos obser­vadas em cada um. Há corte­jos para todos os gos­tos: é pos­sív­el tran­si­tar do sam­ba ao rock, pas­san­do pelo axé, pela músi­ca pop­u­lar brasileira, pelo jazz e até por mantras ref­er­en­ci­a­dos na cul­tura indi­ana.

Para apoiar o car­naval de rua deste ano, a Empre­sa Munic­i­pal de Tur­is­mo (Belo­tur), vin­cu­la­da à prefeitu­ra, lançou um edi­tal de auxílio finan­ceiro ain­da no fim do ano pas­sa­do. Foi investi­do um total de R$ 1,6 mil­hão, que con­tem­plou 95 blo­cos.

Por meio das redes soci­ais, os blo­cos vêm divul­gan­do infor­mações sobre seus ensaios aber­tos e seus corte­jos. Uma exceção é o Alco­va Lib­erti­na. Famoso por trans­for­mar clás­si­cos do rock nacional e inter­na­cional em músi­cas de car­naval, ele anun­ciou em suas redes que só vol­ta a des­fi­lar em 2024.

“Esta­mos pas­san­do por um proces­so de reestru­tu­ração e ren­o­vação e ain­da não temos condições de lev­an­tar a nau na aveni­da. Sen­tire­mos fal­ta de toda mas­sa que sem­pre nos car­regou pelo blo­co, mas logo logo voltare­mos”, reg­is­tra a postagem.

Outras atrações

A aber­tu­ra ofi­cial do car­naval ocor­reu no dia 1º de fevereiro, quan­do o prefeito Fuad Noman entre­gou sim­boli­ca­mente a chave da cidade à Corte Real Momesca. Na ocasião, foram divul­gadas tam­bém as atrações que ocor­rerão na cap­i­tal mineira. Em 14 cen­tros cul­tur­ais, acon­te­cerão shows, exposições, ofic­i­nas e bailes infan­tis.

Os des­files de esco­las de sam­ba na Aveni­da Afon­so Pena estão con­fir­ma­dos para a terça-feira (21) de car­naval. Des­de 1956, as agremi­ações de Belo Hor­i­zonte se apre­sen­taram de for­ma semel­hante ao que acon­tece hoje, guiadas por sam­ba-enre­do. Nos anos que ante­ced­er­am o ressurg­i­men­to dos blo­cos de rua, elas eram a prin­ci­pal atração de um car­naval tími­do e de pouco públi­co.

Os vence­dores são definidos por um grupo de jura­dos que anal­isa nove que­si­tos téc­ni­cos. Para apoiar as agremi­ações, a prefeitu­ra des­ti­nou R$ 230 mil para a sub­venção do Grupo Espe­cial, val­or 15% supe­ri­or à últi­ma edição de 2020.

Car­ac­terís­ti­cos da folia belor­i­zon­ti­na, os blo­cos car­i­catos se apre­sen­tam na segun­da-feira (20) de car­naval. Eles se tornaram uma cat­e­go­ria de des­file na déca­da de 1950, mas sua origem ain­da não é total­mente con­heci­da dos his­to­ri­adores.

Entre algu­mas hipóte­ses, eles podem ter influên­cia dos car­ros alegóri­cos que par­ti­am dos clubes e sociedades no iní­cio do sécu­lo 20 ou do cor­so (des­files em car­ros comuns), que exis­tia des­de a fun­dação da cidade, em 1897.

No cor­so, famílias des­filavam fan­tasi­adas em seus car­ros par­tic­u­lares, em uma época em que os veícu­los eram mais aber­tos e as pes­soas con­seguiam ficar de pé nas lat­erais. Nos blo­cos car­i­catos, a bate­ria vai em cima de um cam­in­hão.

Tam­bém tradi­cional no car­naval da cap­i­tal mineira, o Con­cur­so de March­in­has Mestre Jonas não acon­te­cerá neste ano. O even­to cos­tu­ma con­sagrar com­posições que fazem paró­dia de acon­tec­i­men­tos da vida social e políti­ca nacional, como as clás­si­cas Imag­i­na na Copa, de 2013, e O Baile do Pó Roy­al, de 2014, que se dis­sem­i­naram pelas redes soci­ais. A pro­du­to­ra Cria Cul­tura, que orga­ni­za a dis­pu­ta, pre­vê a retoma­da em 2024.

Edição: Denise Griesinger

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