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Comunicadores indígenas: trabalho deve ser revestido de ativismo

Repro­dução: © Joéd­son Alves/Agência Brasil

Evento em Brasília conta com fotógrafos e repórteres de várias etnias


Publicado em 25/04/2024 — 08:48 Por Luiz Claudio Ferreira — Repórter da Agência Brasil — Brasília

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“Awiti mãsa”. A trans­mis­são de, no mín­i­mo, duas horas de duração começa com uma saudação em lín­gua tukano que pode­ria ser traduzi­da como “olá, tudo bem?”. Ao vivo, dire­to do Acam­pa­men­to Ter­ra Livre (ATL), no cen­tro de Brasília, o comu­ni­cador indí­ge­na João Paulo Sam­paio, da Rede Wayuri, da etnia pirat­a­puia, e res­i­dente em São Gabriel da Cachoeira (AM), não para nun­ca. Ele tem a pre­ocu­pação de con­tar as novi­dades do even­to na cap­i­tal do Brasil. Por isso, entra ao vivo na rádio e nas redes soci­ais, fotografa, fil­ma e escreve. “As pes­soas da min­ha comu­nidade estão esperan­do pelas novi­dades daqui”.

Brasília (DF), 24.04.2024 - José Paulo Sampaio da rede Wayuri - A comunicação social dos indígenas no Acampamento Terra Livre 2024. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Repro­dução: Brasília — José Paulo Sam­paio, da rede Wayuri, fala sobre a comu­ni­cação social dos indí­ge­nas — Foto Joéd­son Alves/Agência Brasil

Comu­ni­cadores indí­ge­nas como ele, em difer­entes idiomas, e inclu­sive em por­tuguês, são como envi­a­dos espe­ci­ais ao ATL para um tra­bal­ho que vai além da cober­tu­ra midiáti­ca. Eles são tam­bém ativis­tas, de for­ma a garan­tir a vis­i­bil­i­dade e a memória das reivin­di­cações das comu­nidades. Para eles, a comu­ni­cação deve ser revesti­da de ativis­mo. Os equipa­men­tos eletrôni­cos, de câmeras profis­sion­ais a pequenos apar­el­hos de celu­lar, estão a esse serviço, com­bi­nan­do com as ves­ti­men­tas e adereços diver­sos que mar­cam a plu­ral­i­dade do even­to.

“Nosso arco e flecha”

O antropól­o­go Edgar Kanaykõ Xakri­abá, de 33 anos, pre­sente no even­to, está gru­da­do à máquina fotográ­fi­ca profis­sion­al. Ele recor­da que a paixão pela imagem começou na aldeia em que vive, na cidade de São José das Mis­sões (MG), na déca­da pas­sa­da, quan­do surgiu a ener­gia elétri­ca para a comu­nidade.

“Sur­gi­ram, com a ener­gia, tam­bém os pequenos apar­el­hos de imagem. Pas­sei a fotogra­far as coisas da min­ha aldeia, a mata, os movi­men­tos cul­tur­ais”. A exper­iên­cia inspirou o rapaz a cur­sar o mestra­do e pesquis­ar o que a imagem sig­nifi­ca­va para o seu povo. “Fotografia é uma arma com lente. É nos­so novo arco e flecha”, com­para.

Brasília (DF), 24.04.2024 - Edgar Komyko Xacriaba - A comunicação social dos indígenas no Acampamento Terra Livre 2024. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Repro­dução: Brasília — Edgar Komyko Xacri­a­ba fala sobre a comu­ni­cação social dos indí­ge­nas — Foto Joéd­son Alves/Agência Brasil

Ele tem, como públi­co-alvo, 33 aldeias e cer­ca de 11 mil pes­soas. Edgar Kanaykõ Xakri­abá lem­bra ain­da que a imagem era vista antes como peri­go. Hoje, a visão nas comu­nidades mudou, já que foi com­preen­di­do que a imagem garante vis­i­bil­i­dade para as pau­tas que dese­jam debater, como a demar­cação de ter­ritórios. Trin­ta mil seguidores acom­pan­ham diari­a­mente as ima­gens do pesquisador e fotó­grafo. Além da divul­gação, Edgar faz ofic­i­nas de comu­ni­cação e fotografia e expli­ca como os celu­lares podem agilizar a comu­ni­cação.

Multiplicação de saberes

Tam­bém agar­ra­do à sua máquina, o estu­dante de jor­nal­is­mo Dui­we Orbe­we, de 21 anos, do povo xavante, do ter­ritório indí­ge­na de Parabubu­re, em Camp­inápo­lis (MT), atua como video­mak­er e fotó­grafo. Ele diz que se apaixo­nou pela imagem aos 5 anos de idade, em sua aldeia, quan­do assis­tiu ao filme O mestre e o divi­no, dirigi­do por um indí­ge­na (Divi­no Tsere­wahu).

Atual­mente, ele atua para a Fed­er­ação dos Povos Indí­ge­nas de Mato Grosso (Fepoimt) e fica orgul­hoso com o retorno que o seu povo traz em relação ao seu tra­bal­ho. Volta­do a levar mais con­hec­i­men­to à comu­nidade, pas­sou no vestibu­lar da Uni­ver­si­dade de Brasília (UnB) e está, des­de o ano pas­sa­do, na cap­i­tal. “Mas volto sem­pre que pos­so para a comu­nidade”.

Brasília (DF), 24.04.2024 - Duiwe Orebewe Xavante - A comunicação social dos indígenas no Acampamento Terra Livre 2024. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Repro­dução: Brasília — Dui­we Ore­be­we Xavante fala sobre a comu­ni­cação social dos indí­ge­nas — Foto Joéd­son Alves/Agência Brasil

Garantia de vozes

Enquan­to o jovem está atrás da lente, a jor­nal­ista Mara Bar­reto Sin­hose­wawe, de 39 anos, atua para o jor­nal Bolívia Cul­tur­al. Ela é da Aldeia Wed­erã, na Ter­ra Indí­ge­na Pimentel Bar­bosa, em Ribeirão Cas­cal­heira (MT). Mara entende que a função de repórter indí­ge­na é tam­bém de ativista.

“É uma for­ma de mil­itân­cia, de garan­tir voz a quem não tem chance. De dar espaço a protestos, às causas indí­ge­nas e às mul­heres”. Por isso, des­de que chegou ao acam­pa­men­to, não parou. “São muitas histórias e esta­mos aqui para isso”. O gravador e o micro­fone são exten­sões dess­es ideais.

Edição: Graça Adju­to

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