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Dia do Professor: docentes contam como está sendo preparo para o Enem

Repro­dução: © Stu­dio Formatura/Galois

A Agência Brasil conversou com alguns desses profissionais


Pub­li­ca­do em 15/10/2021 — 06:08 Por Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Em todo o país, mil­hões de estu­dantes se preparam para faz­er o Exame Nacional do Ensi­no Médio (Enem) 2021 nos dias 21 e 28 de novem­bro. As datas são impor­tantes não ape­nas para eles, mas para todos os pro­fes­sores que estão diari­a­mente preparan­do aulas, cor­rigin­do redações, ten­tan­do tornar o con­teú­do mais inter­es­sante para que os alunos apren­dam o máx­i­mo pos­sív­el. Hoje (15), no Dia do Pro­fes­sor, a Agên­cia Brasil con­ver­sou com alguns dess­es profis­sion­ais.

Em Brasília, o pro­fes­sor de geografia e coor­de­nador da Sec­re­taria de Cur­sos do Colé­gio Sig­ma, Rob­son Lucas Cae­tano, jun­ta todas as forças nes­sa reta final. “Está mais próx­i­mo de ter­mi­nar do que de começar. A jor­na­da está em um momen­to impor­tante, mais para o fim do que para o começo”, reforça tam­bém para estim­u­lar os cole­gas pro­fes­sores.

O fôlego é necessário porque o Enem terá duas edições no mes­mo ano. “No ano pas­sa­do, a esco­la fun­cio­nou no auge da crise [de for­ma remo­ta]. O Enem 2020 foi neste ano, na ver­dade. A preparação fez com que tivésse­mos mudanças. Tive­mos aulas em janeiro, com pro­fes­sores atuan­do na revisão”, diz.

O Enem de 2020, após adi­a­men­to por causa da pan­demia, acabou sendo real­iza­do no iní­cio deste ano. Ao todo, foram três rodadas de exame, o Enem reg­u­lar, em papel, real­iza­do em janeiro, o Enem dig­i­tal, apli­ca­do pela primeira vez na história do exame, em janeiro e fevereiro.

Hou­ve ain­da a reapli­cação do Enem, em fevereiro. Essa apli­cação ocorre todos os anos mas, nes­sa edição, gan­hou out­ra dimen­são dev­i­do ao agrava­men­to da pan­demia no esta­do do Ama­zonas e nas cidades Espigão D’Oeste e Rolim de Moura, ambos em Rondô­nia. Todos os estu­dantes dessas local­i­dades tiver­am as apli­cações reg­u­lares can­ce­ladas e tiver­am que prestar o exame na reapli­cação.

No Sig­ma, as aulas pres­en­ci­ais foram retomadas recen­te­mente, em um mod­e­lo híbri­do, ain­da man­ten­do aulas remo­tas e tur­mas reduzi­das. Cae­tano diz que isso sig­nifi­ca dar aulas, às vezes, para três gru­pos de uma mes­ma tur­ma.

“Nos­sos alunos estão em fran­gal­hos. Os alunos que chegam ao ter­ceiro ano foram ceifa­dos do amadurec­i­men­to que é necessário. Esse aluno do ter­ceiro é o que esta­va no primeiro ano [antes da pan­demia] e, de repente, se viu no ter­ceiro. Com o afas­ta­men­to da esco­la, ele não teve o amadurec­i­men­to necessário”.

A esco­la, que é par­tic­u­lar, con­ta com ampla rede de apoio, que inclui aju­da na hora da escol­ha da car­reira a ser segui­da e até mes­mo apoio emo­cional para os quais um grupo de pro­fes­sores rece­beu for­mação especí­fi­ca. Ape­sar do impacto da pan­demia, Cae­tano afir­ma que o rendi­men­to dos estu­dantes nas provas do Enem man­teve, no ano pas­sa­do, o mes­mo nív­el de anos ante­ri­ores.

Sem pausa

Em Goiâ­nia, o pro­fes­sor uni­ver­sitário da Unial­fa Augus­to Narikawa tam­bém sente o cansaço do cur­so preparatório para duas edições do Enem em um mes­mo ano.

“Para nós pro­fes­sores, está bem com­pli­ca­do. A nos­sa car­ga horária aumen­tou muito. Vários pro­fes­sores tiver­am que apren­der coisas que não sabi­am, novi­dades para eles, que não domi­navam. A par­tir dis­so, tiver­am que desen­volver novas metodolo­gias e se orga­ni­zar para que pudessem entre­gar uma edu­cação com qual­i­dade”.

Narikawa perce­beu que muitos estu­dantes, prin­ci­pal­mente de esco­las públi­cas, não estavam ten­do aces­so à for­mação que pre­cisavam para o Enem. Foi assim que nasceu, no ano pas­sa­do, o Cur­so Preparatório Solidário do Enem da Unial­fa, gra­tu­ito. O cur­so seguiu o preparatório para a edição de 2021. Para ess­es alunos, Narikawa leciona lín­gua por­tugue­sa.

O cursin­ho prati­ca­mente não parou. “Esta­mos todos muito esgo­ta­dos, a pan­demia trouxe esgo­ta­men­to men­tal muito grande”, acres­cen­ta: “Os pro­fes­sores são heróis porque não pararam em tem­po nen­hum. Con­tin­u­amos ten­tan­do faz­er com que a edu­cação seja lev­a­da da mel­hor maneira pos­sív­el. A edu­cação é a base de qual­quer país”.

A casa como sala de aula

“Como pro­fes­so­ra, me sin­to angus­ti­a­da”, sin­te­ti­za a pro­fes­so­ra de lín­gua por­tugue­sa e redação da Esco­la Estad­ual Amélio de Car­val­ho Baís, de Cam­po Grande (MS), Letí­cia Cin­tra. Os alunos que estão ago­ra no ter­ceiro ano do ensi­no médio cur­saram todo o ano pas­sa­do remo­ta­mente. Neste ano, em agos­to, a esco­la reto­mou as aulas pres­en­ci­ais, em um mod­e­lo híbri­do, inter­ca­lan­do aulas pres­en­ci­ais com aulas remo­tas.

“É muito difí­cil tra­bal­har com aluno nesse proces­so de ensi­no e apren­diza­gem [a dis­tân­cia] para o Enem, vis­to que, com o dis­tan­ci­a­men­to, o pro­fes­sor não con­segue acom­pan­har a difi­cul­dade que esse aluno tem. Estou tra­bal­han­do ago­ra, com aulas pres­en­ci­ais, indi­vid­ual­mente, as difi­cul­dades. Está sendo pux­a­do. Estou fazen­do a retoma­da, prin­ci­pal­mente com redação”, afir­ma.

A pro­fes­so­ra obser­va que os alunos estão inse­guros. Por causa da pan­demia, muitos sequer con­seguiram faz­er a pro­va de 2020, como treineiros, o que, de acor­do com ela, os aju­daria a se preparar mel­hor e a con­hecer o fun­ciona­men­to do exame.

A edição de 2020 teve recorde de abstenções de estu­dantes. O Min­istério da Edu­cação disse, na época, que sabia que pode­ria ocor­rer um número maior de fal­tas dev­i­do à pan­demia e que decid­iu man­ter as provas, para não atrasar ain­da mais a for­mação dos estu­dantes, garan­ti­n­do a con­tinuidade dos estu­dos.

Ago­ra, o Enem vol­ta ao cal­endário reg­u­lar. A edição de 2021 será nos dias 21 e 28 de novem­bro. O Brasil está em um pata­mar difer­ente da pan­demia, com vaci­nação em cur­so e redução no número de casos e de mortes em relação aos picos reg­istra­dos este ano. O exame, no entan­to, tem menos inscritos que em edições ante­ri­ores. Segun­do o Insti­tu­to Nacional de Estu­dos e Pesquisas Edu­ca­cionais Aní­sio Teix­eira (Inep), são mais de 3 mil­hões de inscritos con­fir­ma­dos. Em 2020, foram 5,8 mil­hões de inscritos.

Letí­cia vê menos estu­dantes se inscreven­do por se sen­tirem inse­guros, por terem per­di­do aulas e não se sen­tirem pron­tos para as provas. Na reta final, ela con­ta que tem se esforça­do muito. “Cor­ri­jo as redações, mostro quais são os erros, que não são os mes­mos para todos os alunos. Esse tra­bal­ho é bem árduo”, diz. Ape­sar das difi­cul­dades, neste ano, no entan­to, ela nota maior par­tic­i­pação das famílias dos estu­dantes, o que aju­da no ensi­no, além de maior famil­iari­dade com con­teú­dos dig­i­tais, tan­to entre pro­fes­sores, quan­to entre alunos.

Para ela, ser pro­fes­so­ra é vocação e muito tra­bal­ho. “Nós fomos tra­bal­hadores, guer­reiros durante 2020 e 2021, frente à pan­demia. Nós nos des­do­bramos. Creio que temos mostra­do para o Brasil que real­mente os pro­fes­sores pre­cisam ser mais val­oriza­dos porque trans­for­mamos nos­sa casa em esco­la, nos­so can­tinho de des­can­so em sala de aula, de modo que nos­sos alunos não fos­sem prej­u­di­ca­dos. Ten­ho muito orgul­ho de ser pro­fes­so­ra e faz­er parte da rede públi­ca”.

Adiamentos

Estu­dantes de todo o país sofr­eram impacto pelo adi­a­men­to do Enem 2020, que não pôde ser apli­ca­do no ano pas­sa­do dev­i­do à crise san­itária mundi­al. Alguns, no entan­to, tiver­am o exame adi­a­do mais de uma vez.

O pro­fes­sor de quími­ca do Cursin­ho Apro­va Par­intins Fran­cis­co Bra­ga viu a pro­va ser can­ce­la­da em todo o esta­do do Ama­zonas e pre­cisou jun­tar forças, jun­to com os estu­dantes, para mais um mês de preparo até a reapli­cação. “Isso atra­pal­hou. Não por con­ta do con­teú­do, mas pela parte psi­cológ­i­ca. O Enem e out­ras avali­ações exter­nas depen­dem não só do con­teú­do, mas do psi­cológi­co e isso atra­pal­hou”.

Na edição de 2021, ele diz que teve mais cal­ma para preparar os alunos e que a vol­ta ao ensi­no pres­en­cial tam­bém aju­dou. O tem­po no ensi­no remo­to, porém, incor­porou mudanças ao tra­bal­ho. “Eu acred­i­to que mudei meu atendi­men­to indi­vid­ual e a for­ma de com­preen­der que sala de aula não dá para tirar todas as dúvi­das. Ao mes­mo tem­po emque está­va­mos dis­tantes fisi­ca­mente [nas aulas remo­tas], nos aprox­i­mamos mais, porque o aluno sen­tia mais liber­dade, no momen­to de res­olução da questão ou da revisão, de man­dar men­sagem no meu celu­lar par­tic­u­lar”, con­ta.

“Ape­sar de ter a questão de pas­sar a não ter horário de tra­bal­ho, me aprox­imei mais dos alunos e eles se sen­ti­ram mais acol­hi­dos e aten­di­dos”, ressalta.

Bra­ga diz que o que o man­tém no tra­bal­ho é acred­i­tar que está mudan­do a vida de alguém. “A edu­cação é um desafio. Seria muito mais fácil desi­s­tir, mas nós pro­fes­sores somos guer­reiros e temos que moti­var nos­sos alunos porque eles ain­da vejam a gente como heróis, como sím­bo­lo de esper­ança, de mudança da atu­al situ­ação em que se encon­tram. A edu­cação traz isso. Deve­mos acred­i­tar nis­so, ape­sar de as cir­cun­stân­cias apontarem que não, temos que acred­i­tar que nos­so tra­bal­ho pode faz­er difer­ença na vida de alguém”.

 

Edição: Graça Adju­to

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