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Na véspera do lançamento do Webb, astrônomos anunciam “Nova Terra”

Repro­dução: © Bill Ingalls/NASA

Telescópio Espacial James Webb será lançado neste sábado


Pub­li­ca­do em 24/12/2021 — 13:10 Por Adrie­len Alves — repórter da EBC — Brasília

Este Natal pode entrar para a história como o iní­cio de uma era de descober­tas inusi­tadas sobre o Uni­ver­so. Esta é a expec­ta­ti­va de cien­tis­tas do mun­do todo com a pre­visão de lança­men­to do Telescó­pio Espa­cial James Webb, na man­hã deste sába­do (25), da base de Korou, na Guiana France­sa.

Con­sid­er­a­do um superte­lescó­pio, com tec­nolo­gia avança­da e espel­hos capazes de cap­tar a radi­ação infraver­mel­ha, ele tem como obje­ti­vo enten­der o surg­i­men­to das primeiras galáx­i­as e estru­turas, como os mis­te­riosos bura­cos negros.

É a mis­são mais avança­da des­de o Telescó­pio Espa­cial Hub­ble, envi­a­do ao espaço há mais de 30 anos, e que está prestes a desco­brir novos mun­dos, estre­las e sis­temas solares.

Esta é a apos­ta do astrônomo, pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio Grande do Norte, José Dias do Nasci­men­to. “O James Webb, que é o mais com­plexo telescó­pio espa­cial já con­struí­do e 100 vezes mais poderoso do que o Telescó­pio Espa­cial Hub­ble, con­tribuirá muito com o estu­do da atmos­fera dos exo­plan­e­tas no infraver­mel­ho. Isto abrirá uma nova janela para obser­var exo­plan­e­tas em com­pri­men­tos de onda que nun­ca foram vis­tos antes. Uma vez que molécu­las da atmos­fera dos exo­plan­e­tas têm o maior número de car­ac­terís­ti­cas espec­trais neste com­pri­men­to de onda, isto nos aju­dará na obtenção de novos insights sobre natureza destes mun­dos”, diz.

O Telescó­pio James Webb é con­sid­er­a­do uma ”lupa” capaz de olhar para o ”pas­sa­do” do Uni­ver­so, como propõe a mis­são em parce­ria das agên­cias espa­ci­ais a amer­i­cana Nasa, a europeia ESA e a do Canadá – CSA, e ampli­ar o entendi­men­to sobre a for­mação de plan­e­tas diver­sos.

Novas Terras

Em para­le­lo a esta tec­nolo­gia que será lança­da ao espaço neste sába­do, out­ras téc­ni­cas têm sido empre­gadas em bus­ca de exo­plan­e­tas, aque­les local­iza­dos fora do nos­so sis­tema solar.

É o caso das Micro­lentes Grav­ita­cionais, téc­ni­ca de obser­vação que lev­ou um grupo de astrônomos a localizar uma ”Nova Ter­ra”. O plan­e­ta bati­za­do de KMT-2020-BLG-0414Lb tem a mes­ma mas­sa do nos­so plan­e­ta, emb­o­ra ten­ha tem­per­at­uras sig­ni­fica­ti­va­mente mais baixas, dev­i­do à dis­tân­cia da estrela que orbi­ta — uma vez e meia a dis­tân­cia Ter­ra-Sol.

O estu­do foi pub­li­ca­do recen­te­mente na revista Research in Astron­o­my and Astro­physics.

José Dias, que é um dos pesquisadores envolvi­dos na descober­ta, diz que este é um plan­e­ta raro, com car­ac­terís­ti­cas que podem prop­i­ciar uma ”atmos­fera fria o sufi­ciente para com­pos­tos voláteis como água, amô­nia, metano, dióx­i­do de car­bono e monóx­i­do de car­bono con­den­sa­do em grãos de gelo sóli­dos. Este é um pas­so fun­da­men­tal na for­mação da sopa cós­mi­ca onde a vida foi coz­in­ha­da”, expli­ca.

Emb­o­ra as sim­i­lar­i­dades com a Ter­ra chamem a atenção, o pesquisador desta­ca que a descober­ta é ”uma peça no que­bra-cabeça antrópi­co, onde nos­sas obser­vações do Uni­ver­so são condi­cionadas pela própria exigên­cia de for­mação, manutenção e existên­cia da vida sen­ciente. Nos­so plan­e­ta pos­sui uma cober­tu­ra oceâni­ca maior que 70% e isto parece parte de um critério impor­tante na seleção nat­ur­al antrópi­ca”, diz.

Além do KMT-2020, tam­bém foi local­iza­da neste sis­tema uma anã mar­rom, obje­to muito grande para ser con­sid­er­a­do um plan­e­ta (tem 17 vezes a mas­sa de Júpiter), mas ain­da pequeno para se enquadrar como estrela.

A descober­ta – com par­tic­i­pação de pesquisadores core­anos – foi fei­ta par­tir de obser­vatórios local­iza­dos nos Esta­dos Unidos, Brasil (Obser­vatório Pico dos Dias/ MG), Aus­trália e África do Sul e em decor­rên­cia da pan­demia as anális­es de dados tam­bém foram feitas de for­ma remo­ta.

Microlentes Gravitacionais

A téc­ni­ca de Micro­lentes Grav­ita­cionais mon­i­to­ra mudanças no bril­ho de estre­las dis­tantes, espe­cial­mente quan­do estão alin­hadas.

Segun­do a pesquisa divul­ga­da pela UFRN, a expli­cação é que ‘esse alin­hamen­to faz com que a luz da fonte sofra um desvio do seu cam­in­ho orig­i­nal. “Esse desvio da luz gera um aumen­to do bril­ho da estrela do fun­do e, se as duas estre­las pos­suem movi­men­tos rel­a­tivos, uma cur­va de luz car­ac­terís­ti­ca é pro­duzi­da. Se a estrela lente pos­sui um plan­e­ta, os pesquisadores podem inferir a sua pre­sença através da análise cuida­dosa dessa cur­va de luz e deter­mi­nar as frações de mas­sa do sis­tema, assim como o semi-eixo maior aparente (a dis­tân­cia do plan­e­ta até a estrela).”

Edição: Kel­ly Oliveira

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