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Vendas de produtos orgânicos no país crescem 30%, aponta pesquisa

Repro­dução: © Paulo Pin­to / Agên­cia Brasil

 

 

Dado se refere a 2020, quando setor movimentou R$ 5,8 bilhões


Pub­li­ca­do em 10/12/2023 — 10:53 Por Flávia Albu­querque — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Uma pesquisa fei­ta por cien­tis­tas da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Uni­ver­si­dade Tec­nológ­i­ca Fed­er­al do Paraná (UTFPR) mostrou que, ape­sar de o Brasil ser vas­to em ter­ras cul­tiváveis e ter um dos prin­ci­pais mer­ca­dos agrí­co­las do mun­do, incluin­do o de pro­du­tos orgâni­cos, ain­da há fal­has no lev­an­ta­men­to de dados ref­er­ente ao cul­ti­vo de orgâni­cos no país. A pesquisa foi pub­li­ca­da no últi­mo dia 24 na revista cien­tí­fi­ca Desen­volvi­men­to e Meio Ambi­ente.

A pesquisa se baseou em dados do Cen­so Agropecuário de 2017 do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Estatís­ti­ca (IBGE), do Cadas­tro Nacional de Pro­du­tores Orgâni­cos (CNPO), real­iza­do pelo Min­istério da Agri­cul­tura, Pecuária e Abastec­i­men­to (Mapa), e infor­mações sobre con­sumo de pesquisas da Asso­ci­ação de Pro­moção dos Orgâni­cos (Orga­n­is) e do Serviço de Apoio às Micro e Peque­nas Empre­sas (Sebrae).

Segun­do os dados, entre 2003 e 2017, as ven­das de pro­du­tos orgâni­cos no país aumen­taram qua­tro vezes. No ano de 2020, tiver­am expan­são de 30%, com o movi­men­to de R$ 5,8 bil­hões. Há ain­da 953 cer­ti­fi­cações de orgâni­cos para pro­du­tos impor­ta­dos, de um total de 23 país­es, segun­do dados do Mapa. São ali­men­tos prove­nientes de espé­cies car­ac­terís­ti­cas de out­ros país­es (como ama­ran­to, quinoa, dam­as­co, azeite de oli­va). A pesquisa tam­bém rev­el­ou que hou­ve aumen­to de 75% no cadas­tro de pro­du­tores de orgâni­cos no país em qua­tro anos (2017 a 2022).

São Paulo, (SP), 27.11.2023 - Produtos orgânicos no Armazém do Campo . - Mercado de orgânicos registrou aumento de 30% nas vendas em 2020, movimentando R,8 bilhões. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Mer­ca­do de orgâni­cos reg­istrou aumen­to de 30% nas ven­das em 2020 — Paulo Pinto/Agência Brasil

De acor­do com a pesquisa, 1,28% das áreas de cul­ti­vo é ref­er­ente a pro­priedades com agri­cul­tura orgâni­ca e, dessas, 30% estão no Sud­este do país. Esti­ma­ti­vas apon­tam que esse tipo de cul­ti­vo ocu­pa 0,6% das áreas agrí­co­las do país, com pre­domínio da pro­dução veg­e­tal em 36.689 esta­b­elec­i­men­tos. Os out­ros 17.612 esta­b­elec­i­men­tos dedicam-se à pro­dução ani­mal, enquan­to uma parcela menor de 10.389 esta­b­elec­i­men­tos têm pro­dução ani­mal e pro­dução veg­e­tal orgâni­cas.

“A ofer­ta ain­da não está bem esclare­ci­da. A pesquisa mostra que há tendên­cia de aumen­to da deman­da, mas que a pro­dução não suprirá essa deman­da. Isso não está muito bem claro e pre­cisa ser mel­hor estu­da­do. Não está claro tam­bém os pro­du­tos que são mais deman­da­dos”, disse a pesquisado­ra da UFRGS Andreia Lourenço.

Para a pesquisado­ra, para mel­ho­rar esse quadro, é pre­ciso abrir mais instân­cias de par­tic­i­pação na sociedade para con­stru­ir isso jun­to com o con­sum­i­dores e com pro­du­tores, já que ess­es espaços de dis­cussão são essen­ci­ais para a elab­o­ração de políti­cas públi­cas ade­quadas para os difer­entes con­tex­tos exis­tentes no Brasil.

São Paulo, (SP), 27.11.2023 - Produtos orgânicos no Armazém do Campo . - Mercado de orgânicos registrou aumento de 30% nas vendas em 2020, movimentando R$5,8 bilhões. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: Pro­du­tos orgâni­cos no Armazém do Cam­po — Paulo Pinto/Agência Brasil

“E que elas pos­sam apri­morar ações que lev­em em con­sid­er­ação jus­ta­mente ess­es difer­entes con­tex­tos tam­bém pen­san­do nas ações para difer­entes escalas. Uma coisa é pen­sar­mos numa escala mais local, out­ra coisa é a gente pen­sar em escala mais region­al ou ter­ri­to­r­i­al. Por isso é impor­tante ter não só uma políti­ca nacional, mas políti­cas estad­u­ais de agroe­colo­gia e pro­dução orgâni­ca”, afir­mou Andreia.

Para Car­la Guin­dani, da empre­sa Raízes do Cam­po, que atua no setor de orgâni­cos da agri­cul­tura famil­iar, é necessário que haja inves­ti­men­tos nesse setor, prin­ci­pal­mente para o desen­volvi­men­to de tec­nolo­gias para pro­dução de sementes, o que é a base de todo esse proces­so, porque são essas famílias que de fato fazem a pro­dução agroecológ­i­ca no Brasil hoje. Ela desta­cou ain­da a importân­cia do aces­so a bioin­sumos, maquinários ade­qua­dos e da cer­ti­fi­cação de ali­men­tos orgâni­cos.

“Hoje há muito essa dúvi­da sobre com­er­cializar e depois cer­ti­ficar porque é um proces­so caro e geral­mente o agricul­tor não tem esse recur­so. Pode­ria se cri­ar uma metodolo­gia e um incen­ti­vo de cer­ti­fi­cação sem a par­tic­i­pação tão expres­si­va das cer­ti­fi­cado­ras pri­vadas que têm esse alto val­or agre­ga­do”, disse.

Segun­do ela, a logís­ti­ca tam­bém impacta no preço dos pro­du­tos, porque não há efi­ciên­cia para faz­er a dis­tribuição. Out­ro item é a com­er­cial­iza­ção da pro­dução orgâni­ca, já que o vare­jo pre­cisa com­preen­der o novo momen­to vivi­do com a cres­cente deman­da pelo con­sumo dess­es pro­du­tos.

“O vare­jo pre­cisa aumen­tar o espaço na gôn­dola para ofer­e­cer os pro­du­tos agroecológi­cos para o con­sum­i­dor e enten­der que esse seg­men­to tem um val­or agre­ga­do e que o con­sum­i­dor está bus­can­do esse tipo de pro­du­to. O preço sem­pre é o fator lim­i­tante e a gente vai diminuir o preço quan­do hou­ver o aumen­to de con­sumo. E, quan­do há tec­nolo­gias ade­quadas para pro­dução, diminui o cus­to da pro­dução, e ess­es ali­men­tos chegam ao super­me­r­ca­do e ao con­sum­i­dor com preço mais acessív­el.”

Ela anal­isou ain­da que a agroe­colo­gia é o úni­co cam­in­ho que res­ta para a humanidade frear as mudanças climáti­cas. “Elas estão aí é são a pro­va da neces­si­dade e da urgên­cia de mudar­mos os nos­sos hábitos de con­sumo e de rela­ciona­men­to com o meio ambi­ente. O des­mata­men­to, os monocul­tivos e o uso inten­sivos de agrotóx­i­cos vêm cada vez mais provan­do ser um mod­e­lo inviáv­el.”

Para Car­la, a mudança de hábitos é necessária para cri­ar um mecan­is­mo e situ­ações nas quais o rela­ciona­men­to com o meio ambi­ente acon­teça a par­tir da preser­vação e da regen­er­ação. “E esse pro­tag­o­nis­mo está na agri­cul­tura famil­iar.”

Edição: Juliana Andrade

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