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Inteligência artificial pode se tornar aliada no combate ao glaucoma

Tecnologia pode levar 10 anos para estar disponível aos pacientes

Paula Labois­sière – Envi­a­da espe­cial*
Pub­li­ca­do em 28/08/2025 — 07:30
Curiti­ba
Curitiba (PR), 27/08/2025 - Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) realiza exame para miopia. Foto: CBO/Divulgação
Repro­dução: © CBO/Divulgação

Com base em uma úni­ca imagem de retino­grafia, o algo­rit­mo, pre­vi­a­mente treina­do, con­seguiu definir se um paciente é por­ta­dor de glau­co­ma, doença do ner­vo ópti­co que pode, poten­cial­mente, causar cegueira irre­ver­sív­el. O rela­to é do coor­de­nador do Setor de Glau­co­ma do Hos­pi­tal de Clíni­cas de Por­to Ale­gre, Rodri­go Lin­den­mey­er.

“A inteligên­cia arti­fi­cial ain­da é muito incip­i­ente no con­tex­to de entrar no dia a dia, no cotid­i­ano, na práti­ca médi­ca. E de os pacientes se ben­e­fi­cia­rem desse tipo de situ­ação hoje. Mas é muito promis­sor. Algu­mas fer­ra­men­tas de inteligên­cia arti­fi­cial vão cer­ta­mente cri­ar méto­dos mais baratos, portáteis e mais acessíveis, prin­ci­pal­mente em áreas mais desas­sis­ti­das”, desta­cou o oftal­mol­o­gista.

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, o médi­co espe­cial­ista em glau­co­ma adul­to e infan­til desta­cou que, no caso relata­do, o algo­rit­mo con­seguiu ser mais sen­sív­el até mes­mo que o soft­ware que inte­gra o apar­el­ho. Ele reforçou, entre­tan­to, que o uso da inteligên­cia arti­fi­cial na pre­venção e no con­t­role do glau­co­ma per­manece, neste momen­to, em fase de estu­do.

“Pre­cisa ain­da de mui­ta avali­ação. Está restri­to, basi­ca­mente, à área de pesquisa. Para que a gente real­mente ten­ha fer­ra­men­tas pre­cisas e con­fiáveis que pos­sam, aí sim, eti­ca­mente ser uti­lizadas na práti­ca diária”, disse, ao citar uma lin­ha de tem­po de, pelo menos, dez anos até que a tec­nolo­gia este­ja disponív­el no atendi­men­to a pacientes.

Segun­do Lin­den­mey­er, estu­dos mostram que aprox­i­mada­mente 50% das pes­soas com glau­co­ma em todo o mun­do não sabem que têm a doença. “Isso está rela­ciona­do ao aces­so à assistên­cia médi­ca, a lim­i­tações em alguns locais, à cul­tura de não faz­er as revisões habit­u­ais mes­mo que a visão este­ja boa e que a pes­soa este­ja se sentin­do bem”, expli­cou.

O médi­co avalia que a inteligên­cia arti­fi­cial vai fun­cionar como ali­a­da na pre­venção e no com­bate ao glau­co­ma.

“Não somente a gente vai con­seguir diag­nos­ticar mais cedo como a gente vai con­seguir levar isso para áreas de todo o mun­do que care­cem de recur­sos, onde méto­dos mais baratos e tão pre­cisos serão disponi­bi­liza­dos”, ressaltou o oftal­mol­o­gista.

“Isso vai levar ain­da um tem­po, mas cer­ta­mente ess­es val­ores de 50% de pes­soas que não sabem ser por­ta­do­ras provavel­mente vão se mod­i­ficar”, com­ple­tou.

Entenda

Con­heci­do como peri­go silen­cioso, o glau­co­ma é uma doença que, na maio­r­ia dos casos, não apre­sen­ta sinais e sin­tomas. Os pacientes só percebem que há algo erra­do quan­do o quadro já se tornou bas­tante avança­do.

“Infe­liz­mente, o glau­co­ma não dá sinais. Só pode ser detec­ta­do através do exame oftal­mológi­co, quan­do for revis­ar ócu­los, quan­do for ao oftal­mol­o­gista. É impor­tante enfa­ti­zar que esse exame, com­ple­to, envolve medir a pressão ocu­lar, olhar o fun­do de olho, olhar o ner­vo ópti­co. Muitas vezes, a pressão pode estar bas­tante ele­va­da e o paciente não vai perce­ber nada”, expli­cou Lin­den­mey­er.

O trata­men­to, segun­do o médi­co, bus­ca con­tro­lar a pressão intraoc­u­lar, prin­ci­pal fator cau­sador do glau­co­ma, no intu­ito de evi­tar a pro­gressão e a pio­ra da doença. “Mas o que já foi per­di­do não é recu­per­a­do”, aler­tou. Num primeiro momen­to, o trata­men­to envolve o uso de colírios. Já em uma segun­da eta­pa, podem ser uti­liza­dos alguns tipos de laser e, em últi­mo caso, cirur­gia.

“Uma vez que se tra­ta de um prob­le­ma irre­ver­sív­el, se esse diag­nós­ti­co acon­tece tar­dia­mente, poderão ocor­rer per­das já sig­ni­fica­ti­vas e que não irão mel­ho­rar com o trata­men­to”, disse.

“O glau­co­ma tem uma prevalên­cia que vai aumen­tan­do com o pas­sar dos anos – par­tic­u­lar­mente depois dos 40 anos. A cada déca­da, aumen­ta o risco de a pes­soa desen­volver glau­co­ma. Deter­mi­na­dos gru­pos étni­cos têm uma tendên­cia maior – afrode­scen­dentes, pes­soas de origem asiáti­ca, mul­heres e míopes ten­dem a ter risco maior”, con­cluiu.

*A repórter via­jou a con­vite do Con­sel­ho Brasileiro de Oftal­molo­gia (CBO)

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