...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Noticias / Calor pode aumentar risco de casos de AVC, alerta médico

Calor pode aumentar risco de casos de AVC, alerta médico

Bebida alcoólica também eleva possibilidade de arritmia

Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 21/12/2025 — 10:52
Rio de Janeiro
Ver­são em áudio
Rio de Janeiro (RJ), 14/11/2023 – População enfrenta forte onda de calor no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Casos de aci­dente vas­cu­lar cere­bral (AVC) ten­dem a aumen­tar no verão, disse à Agên­cia Brasil o neu­ro­cirurgião e neu­ror­ra­di­ol­o­gista inter­ven­cionista do Hos­pi­tal Quali Ipane­ma, no Rio de Janeiro, Orlan­do Maia.

Segun­do o médi­co, uma série de fatores pre­dis­põem o ser humano nes­sa época do ano ao AVC. Um dos prin­ci­pais é o próprio calor que gera uma desidratação nat­ur­al das célu­las que, por sua vez, causam um aumen­to da pos­si­bil­i­dade de coag­u­lação do sangue. “E isso tem um maior poten­cial de ger­ar AVC, porque o AVC está lig­a­do a coágu­lo”, disse o médi­co.

Exis­tem dois tipos de AVC. Um é o AVC hemor­rági­co, que é o rompi­men­to de um vaso cere­bral e rep­re­sen­ta a mino­ria dos casos, em torno de 20%. O out­ro tipo, que dom­i­na o número de casos, é o AVC isquêmi­co, cau­sa­do pela for­mação de um coágu­lo e entupi­men­to de um vaso. Orlan­do Maia expli­cou que, como o sangue fica mais espes­so, mais con­cen­tra­do dev­i­do à desidratação, isso favorece a trom­bose, que é a for­mação de um coágu­lo e, por isso, tem maior pre­dis­posição ao AVC.

Pressão arterial

Há out­ras causas que seri­am rela­cionadas à pressão arte­r­i­al. “A nos­sa pressão arte­r­i­al no verão tem uma tendên­cia, pelo calor, a diminuir por con­ta da vasodi­latação. Ou seja, nos­sos vasos, para poder com­pen­sar o calor, se dilatam. E essa dilatação causa uma diminuição da pressão, o que favorece tam­bém a for­mação de coágu­lo e de uma out­ra situ­ação car­di­ológ­i­ca, chama­da arrit­mia. É o coração baten­do fora do rit­mo”, expli­ca o médi­co.

Quan­do isso acon­tece, favorece tam­bém no coração a for­mação de um coágu­lo que, entran­do den­tro da cir­cu­lação san­guínea, tem grande pre­dis­posição de ir ao cére­bro porque 30% de todo o sangue que sai do coração vão para o cére­bro.

Uma out­ra causa do AVC, tam­bém comum no verão, é que as pes­soas se cuidam menos por con­ta das férias, o que pro­move um aumen­to do con­sumo de bebi­da alcoóli­ca, que, por sua vez, amplia a desidratação.

Orlan­do Maia afir­mou que a bebi­da alcoóli­ca tam­bém aumen­ta a pos­si­bil­i­dade de arrit­mia. A neg­ligên­cia pode levar ain­da a pes­soa a esque­cer de tomar remé­dio, o que con­tribui para ele­var o risco de um AVC.

Doenças típicas

A isso se somam as doenças típi­cas de verão, como gas­troen­terite rela­ciona­da ao calor, o que dá diar­reia, inso­lação e esforço físi­co. “Tudo isso asso­ci­a­do faz com que a pes­soa ten­ha uma maior tendên­cia a ter um AVC no verão”, enfa­ti­za.

O neu­ro­cirurgião lem­brou que o tabag­is­mo tam­bém colab­o­ra para isso. “O tabag­is­mo hoje é uma das maiores causas exter­nas para AVC”. O fumo con­tribui para a for­mação de uma doença cere­brovas­cu­lar chama­da aneuris­ma, que está muito lig­a­da à nicoti­na.

“A nicoti­na blo­queia uma pro­teí­na do nos­so vaso chama­do elasti­na, diminui a elas­ti­ci­dade do vaso, então  pode favore­cer ao AVC hemor­rági­co, como tam­bém causa um proces­so infla­matório no vaso em si, favore­cen­do a aderir as pla­cas de coles­terol a lon­go pra­zo e o entupi­men­to dos vasos. Então, o taba­co é dire­ta­mente pro­por­cional à situ­ação tan­to do AVC hemor­rági­co como do AVC isquêmi­co”, pre­coniza o médi­co.

Para o médi­co, o esti­lo de vida mod­er­no — ali­a­do ao tabag­is­mo e a doenças crôni­cas não con­tro­ladas — faz com que cada vez mais pes­soas com menos de 45 anos desen­volvam a doença.

Nes­sa época de verão, o Hos­pi­tal Quali Ipane­ma, por exem­p­lo, atende cer­ca de 30 pacientes por mês, o dobro de épocas nor­mais do ano. Maia diz que o AVC é uma doença muito comum.

“Se você pegar o AVC como uma doença iso­la­da, esque­cen­do que há vários tipos de câncer que podem ser sep­a­ra­dos, a doença mais fre­quente na humanidade é o AVC. E uma em cada seis pes­soas vai ter um AVC na vida”, salien­ta. O médi­co disse ser muito impor­tante a pes­soa averiguar na sua família, entre os ami­gos, quem teve AVC porque não são casos iso­la­dos.

18/12/2025 - Verão mostra tendência de aumento de casos de AVC. Na foto o Dr. Orlando Maia. Foto: Dr. Orlando Maia/Arquivo Pessoal
Repro­dução: Médi­co Orlan­do Maia aler­ta para riscos de doenças no verão   Foto: Arqui­vo Pes­soal

Mortes

O AVC é uma das prin­ci­pais causas de morte e inca­paci­dade no mun­do. “Quan­do não mata, deixa a pes­soa inca­paz. Eu digo que é uma doença que não é na pes­soa, mas na família, porque pelo menos duas pes­soas vão ter que se dedicar a cuidar daque­le doente com AVC. Além da mor­tal­i­dade, ela é uma doença extrema­mente desabil­i­ta­do­ra. A pes­soa fica sem andar dire­ito, sem falar dire­ito, sem condições de se ali­men­tar soz­in­ha. É uma doença extrema­mente críti­ca. Quan­do você vê uma pes­soa andan­do com difi­cul­dade é porque ela já teve uma sequela ou con­se­quên­cia de um AVC. Ficou par­al­isa­da de um lado ou sem con­seguir falar dire­ito, sem enx­er­gar, se pegar a área da visão, porque o cére­bro é um grande com­puta­dor. Vai depen­der da área afe­ta­da pelo prob­le­ma”, asse­gu­ra o médi­co.

De acor­do com Orlan­do Maia, a pre­venção pode evi­tar um AVC. “É uma doença que a gente tem que gri­tar para todo mun­do ouvir que há pre­venção e trata­men­to. A pre­venção [envolve] o hábito de vida saudáv­el, práti­ca de exer­cí­cio físi­co reg­u­lar pelo menos três vezes na sem­ana, ali­men­tação saudáv­el, con­t­role da pressão arte­r­i­al, tomar os remé­dios dire­it­in­ho e não fumar. E existe trata­men­to”.

No pas­sa­do, como não havia trata­men­to, quan­do a pes­soa chega­va com AVC, não havia o que faz­er, a não ser con­tro­lar a pressão. Hoje, há duas for­mas de trata­men­to e quan­to mais rápi­do a pes­soa chegar a um hos­pi­tal, mais efi­caz será o trata­men­to. O primeiro é a infusão de um remé­dio. “Você colo­ca um remé­dio na veia que dis­solve o coágu­lo e, na maio­r­ia dos casos, o remé­dio resolve”, ensi­na.

Quan­do isso não acon­tece, ou em out­ros casos mais sele­ciona­dos, Maia disse que os médi­cos entram com um cateter na vir­il­ha da pes­soa e pas­sam um desen­tupi­dor. Esse méto­do reti­ra aque­le coágu­lo, por meio de uma aspi­ração den­tro do vaso, liberan­do a cir­cu­lação de vol­ta. Com isso, a pes­soa retor­na ao nor­mal.

Cateter

Orlan­do Maia esclarece, tam­bém, que o remé­dio tem uma car­ac­terís­ti­ca: “só pode ser dado até qua­tro horas e meia des­de o iní­cio dos sin­tomas. Já o cateter que aspi­ra entra em um vaso na vir­il­ha, através de um apar­el­ho e, em casos sele­ciona­dos, pode ser usa­do até 24 horas a par­tir do iní­cio dos sin­tomas”. Ele frisou que quan­to antes a pes­soa tiv­er o sin­toma e for a um hos­pi­tal, mel­hor poderá ser o resul­ta­do.

Os sin­tomas indi­can­do que uma pes­soa está ten­do ou vai ter um AVC incluem par­al­isia súbi­ta de um mem­bro ou dos dois mem­bros de um lado, ou a fala fica enro­la­da, ou a pes­soa perde a visão de um dos lados, ou tem uma ton­teira extrema.

“Ess­es são os sin­tomas prin­ci­pais de uma pes­soa que está ten­do um AVC. Ela vai ter difi­cul­dade de movi­men­to, de fala, de visão ou uma per­da súbi­ta da con­sciên­cia. É uma doença que acon­tece, na maio­r­ia das vezes, de uma hora para out­ra. Nes­sa situ­ação, não tem que esper­ar nada. A pes­soa tem que ser lev­a­da a um hos­pi­tal porque é uma emergên­cia médi­ca”, final­iza o neu­ro­cirurgião.

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d