...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Noticias / Papa na Missa de Natal: estamos ao serviço de uma presença que suscita o bem

Papa na Missa de Natal: estamos ao serviço de uma presença que suscita o bem

Repro­dução: Vat­i­can News

 

Em sua homilia na missa de Natal, Leão XIV recordou que “a paz de Deus nasce de um choro de criança acolhido, de um pranto ouvido: nasce entre ruínas que invocam solidariedades renovadas”. O Pontífice disse que “fragilizada se encontra a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras em curso ou concluídas, deixando escombros e feridas abertas. Fragilizadas estão as mentes e as vidas dos jovens obrigados a pegar em armas”.

Mariangela Jaguraba — Vatican News

O Papa Leão XIV pre­sid­iu a mis­sa de Natal, na Basíli­ca de São Pedro, na man­hã des­ta quin­ta-feira, 25 de dezem­bro.

O Pon­tí­fice ini­ciou sua homil­ia com um tre­cho do Livro do Pro­fe­ta Isaías: «Irrompei em cân­ti­cos de ale­gria». É o que diz “o men­sageiro da paz a todos aque­les que se encon­tram entre as ruí­nas de uma cidade inteira­mente por recon­stru­ir”.

“A paz existe e já está no meio de nós”, disse o Papa Leão, recor­dan­do “a sur­pre­sa que a litur­gia do Natal colo­ca diante de nós: o Ver­bo de Deus aparece e não sabe falar, vem até nós como um recém-nasci­do que ape­nas cho­ra e dá vagi­dos. «Fez-se carne» e, emb­o­ra crescerá e um dia apren­derá a lín­gua do seu povo, ago­ra fala ape­nas a sua pre­sença sim­ples e frágil.

“«Carne» é a nudez rad­i­cal à qual, em Belém e no Calvário, fal­ta até a palavra; como a não têm muitos irmãos e irmãs despo­ja­dos da sua dig­nidade e reduzi­dos ao silên­cio. A carne humana pede cuida­dos, invo­ca acol­hi­men­to e recon­hec­i­men­to, procu­ra mãos capazes de ter­nu­ra e mentes dis­postas à atenção, dese­ja palavras boni­tas.”

“Eis a for­ma para­dox­al segun­do a qual a paz já está entre nós: o dom de Deus envolve-nos, procu­ra acol­hi­men­to e mobi­liza a ded­i­cação. Sur­preende-nos porque se expõe à rejeição, encan­ta-nos porque nos arran­ca da indifer­ença”, disse ain­da Leão XIV.

“É um ver­dadeiro poder o de nos torn­ar­mos fil­hos de Deus: um poder que per­manece enter­ra­do enquan­to estiver­mos dis­tantes do choro das cri­anças e da frag­ili­dade dos idosos, do silên­cio impo­tente das víti­mas e da melan­co­l­ia res­ig­na­da de quem faz o mal que não quer.”

A seguir, o Pon­tí­fice recor­dou as palavras do Papa Fran­cis­co na Evan­gelii gaudi­um: «Às vezes sen­ti­mos a ten­tação de ser cristãos, man­ten­do uma pru­dente dis­tân­cia das cha­gas do Sen­hor. Mas Jesus quer que toque­mos a mis­éria humana, que toque­mos a carne sofre­do­ra dos out­ros. Espera que renun­ciemos a procu­rar aque­les abri­gos pes­soais ou comu­nitários que per­mitem man­ter-nos à dis­tân­cia do nó do dra­ma humano, a fim de aceitar­mos ver­dadeira­mente entrar em con­ta­to com a vida conc­re­ta dos out­ros e con­hecer­mos a força da ter­nu­ra».

“Queri­dos irmãos e irmãs, uma vez que o Ver­bo se fez carne, ago­ra a carne fala, bra­da o dese­jo divi­no de nos encon­trar. O Ver­bo ergueu no meio de nós a sua frágil ten­da”, disse ain­da Leão XIV, acres­cen­tan­do:

“E como não pen­sar nas ten­das de Gaza, expostas durante sem­anas à chu­va, ao ven­to e ao frio, e nas ten­das de tan­tos out­ros deslo­ca­dos e refu­gia­dos em todos os con­ti­nentes; ou nos refú­gios impro­visa­dos de mil­hares de pes­soas sem-abri­go den­tro das nos­sas cidades? Frag­iliza­da se encon­tra a carne das pop­u­lações inde­fe­sas, provadas por tan­tas guer­ras em cur­so ou con­cluí­das, deixan­do escom­bros e feri­das aber­tas. Frag­ilizadas estão as mentes e as vidas dos jovens obri­ga­dos a pegar em armas, que pre­cisa­mente na frente de batal­ha percebem a insen­satez do que lhes é exigi­do e a men­ti­ra de que estão embe­bidos os dis­cur­sos infla­ma­dos daque­les que os envi­am para a morte.”

“A paz de Deus nasce de um choro de cri­ança acol­hi­do, de um pran­to ouvi­do: nasce entre ruí­nas que invo­cam sol­i­dariedades ren­o­vadas, nasce de son­hos e visões que, como pro­fe­cias, invertem o cur­so da história. Sim, tudo isso existe, porque Jesus é o Logos, o sen­ti­do a par­tir do qual tudo tomou for­ma”, sub­lin­hou o Papa Leão, recor­dan­do que por Jesus «é que tudo começou a exi­s­tir; e sem Ele nada veio à existên­cia». “Este mis­tério inter­pela-nos a par­tir dos presé­pios que con­struí­mos, abre-nos os olhos para um mun­do em que a Palavra ain­da ressoa, «muitas vezes e de vari­a­dos mod­os», e con­tin­ua a chamar-nos à con­ver­são”, sub­lin­hou.

De acor­do com o Papa, “o Evan­gel­ho não esconde a resistên­cia das trevas à luz, descreve o cam­in­ho da Palavra de Deus como uma estra­da intran­sitáv­el, reple­ta de obstácu­los. Até hoje, os autên­ti­cos men­sageiros da paz seguem o Ver­bo neste cam­in­ho, que final­mente alcança os corações: corações inqui­etos, que muitas vezes dese­jam jus­ta­mente aqui­lo a que resistem”.

“Assim, o Natal moti­va nova­mente uma Igre­ja mis­sionária, impelindo‑a pelos cam­in­hos que a Palavra de Deus traçou para ela. Não esta­mos ao serviço de uma palavra pre­po­tente – já ressoam por toda parte –, mas de uma pre­sença que sus­ci­ta o bem, con­hece a sua eficá­cia e não reivin­di­ca o seu monopólio.”

“Eis o cam­in­ho da mis­são: um cam­in­ho em direção ao out­ro”, sub­lin­hou Leão XIV, ressaltan­do que “em Deus, cada palavra é uma palavra dirigi­da, é um con­vite à con­ver­sação, uma palavra que nun­ca é igual a si mes­ma”. “É a ren­o­vação que o Con­cílio Vat­i­cano II pro­moveu e que ver­e­mos flo­rescer ape­nas cam­in­han­do jun­tos com toda a humanidade, sem nun­ca nos sep­a­rar­mos dela”, disse ain­da o Papa Leão, recor­dan­do que “o con­trário é mun­dano: ter-se a si mes­mo como cen­tro”.

Segun­do o Pon­tí­fice, “o movi­men­to da Encar­nação é um dinamis­mo de con­ver­sação” e, de acor­do com ele, “haverá paz quan­do os nos­sos monól­o­gos se inter­romperem e, fecun­da­dos pela escu­ta, cair­mos de joel­hos diante da carne despo­ja­da do out­ro”. “Pre­cisa­mente nis­to, a Virgem Maria é a Mãe da Igre­ja, a Estrela da evan­ge­liza­ção, a Rain­ha da paz. Nela com­preen­demos que nada nasce da exibição da força e tudo renasce a par­tir do poder silen­cioso da vida acol­hi­da”.

Obri­ga­do por ter lido este arti­go. Se quis­er se man­ter atu­al­iza­do, assine a nos­sa newslet­ter cli­can­do aqui e se inscre­va no nos­so canal do What­sApp aces­san­do aqui

vaticannews.va/pt/

 

 

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d