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Ajudar a família e mais educação: alunos contam como usam o Pé-de-Meia

Pagamentos da poupança do ensino médio serão feitos até o fim do mês

Daniel­la Almei­da – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 20/02/2025 — 14:18
Brasília
Brasília (DF), 19/02/2025 - Programa Pé-de-Meia. Alunos da escola CED619 da Samambaia. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Repro­dução: © Antônio Cruz/Agência Brasil

A estu­dante Eduar­da Cae­tano, de 17 anos, que faz a 3ª série do ensi­no médio em uma esco­la públi­ca, aguar­da ansiosa o depósi­to da primeira parcela no val­or de R$ 1 mil do Pro­gra­ma Pé-de-Meia, ref­er­ente à con­clusão da 2ª série, em 2024. Eduar­da estu­da em Samam­ba­ia, região admin­is­tra­ti­va a 33 quilômet­ros do cen­tro de Brasília. 

A expec­ta­ti­va pelo rece­bi­men­to do incen­ti­vo anu­al cresce após o min­istro da Edu­cação, Cami­lo San­tana, ter infor­ma­do pelas redes soci­ais que, até a próx­i­ma sem­ana, os mais de 3,9 mil­hões de ben­efi­ciários do pro­gra­ma rece­berão os recur­sos des­blo­quea­d­os no dia 12 pelo Tri­bunal de Con­tas da União (TCU) para ban­car o paga­men­to do pro­gra­ma fed­er­al.

Brasília (DF), 19/02/2025 - Programa Pé-de-Meia. A aluna da escola CED619 da Samambaia, Eduarda Caetano. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Repro­dução: Eduar­da Cae­tano, alu­na de uma esco­la públi­ca — Antônio Cruz/Agência Brasil

Mes­mo saben­do que esta parcela da poupança do Pé-de-Meia só poderá ser saca­da após a for­matu­ra no ensi­no médio, Eduar­da já faz planos para usar o incen­ti­vo. Como a estu­dante mora em uma área rur­al, ela adi­anta que quer custear a primeira Carteira Nacional de Habil­i­tação (CNH) para diri­gir até a fac­ul­dade onde for aprova­da.

Por ora, Eduar­da Cae­tano aprovei­ta os recur­sos deposi­ta­dos pela fre­quên­cia esco­lar em 2024 para pagar despe­sas pes­soais.

“Antes, eu não tin­ha ren­da, porque estu­do, faço um cur­so e não tin­ha como tra­bal­har. O Pé-de-Meia me aju­dou muito, porque eu con­si­go lan­char no cur­so; às vezes, sair; com­prar pro­du­tos de higiene e, quan­do min­ha mãe pre­cisa de algu­ma coisa, eu dou o din­heiro para ela”, con­ta Eduar­da que tam­bém faz um cur­so téc­ni­co de con­tabil­i­dade com duração de dois anos.

O Pro­gra­ma Pé-de-Meia foi cri­a­do em janeiro de 2024 e tem o obje­ti­vo de pro­mover a per­manên­cia e a con­clusão esco­lar dos jovens matric­u­la­dos no ensi­no médio da rede públi­ca. Ao com­pro­var matrícu­la e fre­quên­cia, o estu­dante recebe o paga­men­to de incen­ti­vo men­sal, no val­or de R$ 200, que pode ser saca­do em qual­quer momen­to. O ben­efi­ciário do Pé-de-Meia ain­da recebe R$ 1.000 ao final de cada ano con­cluí­do, que só podem ser reti­ra­dos da poupança após a for­matu­ra no ensi­no médio.

Melhoria nas notas e frequência

Out­ro aluno do Cen­tro Edu­ca­cional 619 de Samam­ba­ia é Gus­ta­vo Hen­ry Alves da Sil­va, tam­bém com 17 anos. Por ser de uma família já incluí­da no Cadas­tro Úni­co para Pro­gra­mas Soci­ais do gov­er­no fed­er­al (CadÚni­co), o ado­les­cente cumpre todos os req­ui­si­tos para ser ben­efi­ciário do pro­gra­ma apel­i­da­do de Poupança do Ensi­no Médio.

Des­de o iní­cio do rece­bi­men­to das parce­las do Pé-de-Meia, as maiores pre­ocu­pações de Gus­ta­vo se restringem a questões esco­lares: tra­bal­ho em grupo, dis­ci­plinas, apre­sen­tação de tra­bal­hos, notas das provas. Do portão para fora, parte da quan­tia que já foi lib­er­a­da para saque serviu para com­ple­men­tar a ren­da famil­iar. Gus­ta­vo Hen­ry mora com seis par­entes.

“Hou­ve momen­tos em que eu real­mente usei esse din­heiro para aux­il­iar a min­ha família. [O Pé-de-Meia] me aju­da a com­prar ali­men­to bási­co para casa, pagar uma con­ta. Não vou gas­tar em besteira. Esse din­heiro é muito impor­tante e deve ser guarda­do,” ressalta Gus­ta­vo, ao falar sobre como admin­is­trar o incen­ti­vo finan­ceiro até ser aprova­do para o cur­so supe­ri­or de artes cêni­cas ou de psi­colo­gia.

Brasília (DF), 19/02/2025 - Programa Pé-de-Meia. A aluna da escola CED619 da Samambaia, Nicolly Evelyn. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Repro­dução: Nicol­ly: pro­gra­ma aju­dou a ter mel­hores notas — Antônio Cruz/Agência Brasil

Já Nicol­ly Eve­lyn, de 17 anos, cred­i­ta ao Pé-de-Meia a mel­ho­ra das notas de matérias de exatas, des­de o ano pas­sa­do, quan­do foi alu­na da 2ª série do ensi­no médio.

Como o pro­gra­ma fed­er­al condi­ciona o paga­men­to das parce­las à com­pro­vação da fre­quên­cia esco­lar mín­i­ma de 80% das aulas e à aprovação no fim de cada ano do ensi­no médio, Nicol­ly Eve­lyn começou a se dedicar mais aos estu­dos. “Antes, eu não lig­a­va muito, mas depois que pas­sei a rece­ber o Pé-de-Meia, come­cei a estu­dar mais. [O Pé-de-Meia] me incen­tivou. Ele é bom para min­ha vida, porque me fez perce­ber que pre­ciso ter algo para o meu futuro.”

A jovem mora com os pais e três irmãos, todos inscritos no CadÚni­co. De alu­na de notas medi­anas antes do Pé-de-Meia, ago­ra, ela son­ha em seguir car­reira na área de tec­nolo­gia da infor­mação (TI) e con­fes­sa planos para aplicar os recur­sos do Pé-de-Meia. “Vou usar meu din­heiro extra em cur­sos para entrar no ensi­no supe­ri­or, se não for aprova­da pelo Enem, e tam­bém para com­prar um note­book ou um tablet, tão necessário para a fac­ul­dade”, ressalta.

Out­ro secun­darista que tem investi­do as parce­las do Pé-de-Meia em mais edu­cação é Viní­cius Cas­siano, de 17 anos, que divide a roti­na esco­lar matuti­na com o tra­bal­ho de aux­il­iar admin­is­tra­ti­vo no Tri­bunal Supe­ri­or do Tra­bal­ho (TST), no turno ves­per­ti­no. É com o din­heiro do Pé-de-Meia que ele paga um cur­so téc­ni­co de admin­is­tração, à noite. “Meu pai sem­pre me incen­ti­va a faz­er algum cur­so porque vai valer o tem­po que a gente gas­ta estu­dan­do, aqui. Vou ser rec­om­pen­sa­do no futuro”, afir­ma Cas­siano.

“Acho bas­tante inter­es­sante esse pro­gra­ma feito para aju­dar os alunos de baixa ren­da, porque muitos não têm condições de inve­stir em um cur­so ou de com­prar coisas que gostam”, desta­ca Viní­cius.

Sobre o futuro, a úni­ca certeza que ele tem é o saque da cifra equiv­a­lente a dois anos de Pé-de-Meia. Fora a poupança, o estu­dante ain­da não cravou a tra­jetória após a con­clusão do ensi­no médio, pre­vista para dezem­bro deste ano. As incli­nações são a fac­ul­dade de admin­is­tração ou a car­reira mil­i­tar.

Brasília (DF), 19/02/2025 - Programa Pé-de-Meia. O aluno da escola CED619 da Samambaia, Vinicius Cassiano. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Repro­dução: Vini­cius pen­sa em ser mil­i­tar ou admin­istrador — Antônio Cruz/Agência Brasil

Visão abrangente

Os relatos sobre os impactos do Pé-de-Meia nas vidas dess­es estu­dantes são perce­bidos de for­ma mais glob­al­iza­da pela dire­to­ra da unidade de Samam­ba­ia, Alice Mac­era, prin­ci­pal­mente, pela redução da evasão esco­lar.

“Neste momen­to, eles se pre­ocu­pam em vir para a esco­la para não levar fal­ta, porque eles desco­bri­ram que a fal­ta os faz perder o Pé-de-Meia. Antes, não era assim, muitos deles não se impor­tavam em ir à esco­la ou não. Ago­ra, se tornaram mais respon­sáveis.”

Brasília (DF), 19/02/2025 - A diretora da escola CED619 da Samambaia, Alice Macera, fala sobre o Programa Pé-de-Meia. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Repro­dução: Alice Mac­era, dire­to­ra da esco­la em Samam­ba­ia — Antônio Cruz/Agência Brasil

A equipe da gesto­ra é respon­sáv­el por infor­mar eletron­i­ca­mente, todos os meses, quem com­parece e quem fal­ta às aulas. A Sec­re­taria de Esta­do de Edu­cação do Dis­tri­to Fed­er­al recebe os dados e infor­ma ao MEC. A fre­quên­cia esco­lar de pelo menos 80% das aulas garante que os alunos rece­bam as nove parce­las anu­ais, de R$ 200 cada, rel­a­ti­vas ao incen­ti­vo-fre­quên­cia do Pé-de-Meia.

A insti­tu­ição de ensi­no coman­da­da há 13 anos por Alice abri­ga cer­ca de 1,7 mil estu­dantes em dois turnos. Muitos deles con­cil­iam estu­do e tra­bal­ho. A gesto­ra tam­bém notou que, muitos deles, após terem aces­so à políti­ca públi­ca, pas­saram a se dedicar exclu­si­va­mente ao estu­do.

“Com o Pé-de-Meia, há quem deixou de tra­bal­har para focar mais no estu­do. Para out­ros que tra­bal­ham, o Pé-de-Meia é um com­ple­men­to da ren­da. Com isso, o estu­dante não está só pre­ocu­pa­do com o tra­bal­ho. Ago­ra, ele se con­cen­tra mais na esco­la”.

Programa

Cri­a­do em janeiro de 2024, o Pé-de-Meia tem o obje­ti­vo de pro­mover a per­manên­cia e a con­clusão esco­lar dos jovens matric­u­la­dos do ensi­no médio reg­u­lar e na modal­i­dade Edu­cação de Jovens e Adul­tos (EJA) da rede públi­ca, incluí­dos no CadÚni­co.

Os depósi­tos são feitos pelo MEC em uma con­ta aber­ta auto­mati­ca­mente pela Caixa Econômi­ca Fed­er­al em nome dos estu­dantes.

As bol­sas são pagas a alunos com matrícu­la ati­va em esco­las públi­cas de ensi­no médio ou na EJA, que cumprem os critérios do pro­gra­ma, como:

·         faixa etária de 14 a 24 anos para estu­dantes do ensi­no médio reg­u­lar e de 19 a 24 anos para a EJA;

·         ter cadas­tro atu­al­iza­do no CadÚni­co;

·         fre­quên­cia esco­lar ade­qua­da;

·         aprovação em todas as dis­ci­plinas do ano leti­vo;

·         par­tic­i­pação no Enem.

O pro­gra­ma pre­vê o paga­men­to de até R$ 9,2 mil por estu­dante que com­plete o ciclo de três anos do ensi­no reg­u­lar.

Os estu­dantes podem ver­i­ficar se foram con­tem­pla­dos pelo Pé-de-Meia nos aplica­tivos gra­tu­itos para smart­phones e tablets: o Caixa Tem e o Jor­na­da do Estu­dante.

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