...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Efemérides, Meios de comunicação / Aos 74 anos, morre no Rio de Janeiro o ator Pedro Paulo Rangel

Aos 74 anos, morre no Rio de Janeiro o ator Pedro Paulo Rangel

Repro­dução: © Divulgação/TV Brasil

Ele estava internado desde outubro pela evolução de enfisema pulmonar


Pub­li­ca­do em 21/12/2022 — 12:19 Por Cristi­na Indio do Brasil – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

ouvir:

O ator Pedro Paulo Rangel mor­reu hoje (21), às 5h40, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro, onde esta­va inter­na­do des­de o fim de out­ubro para tratar de uma descom­pen­sação do quadro de enfise­ma pul­monar. Ain­da não há infor­mação sobre horário e local de velório e enter­ro do artista.

Por causa da evolução da doença, o ator de 74 anos pre­cisou ser entuba­do na madru­ga­da do últi­mo dia 10. Naque­le dia a equipe médi­ca que o aten­dia, con­sider­ou que o quadro clíni­co do artista era del­i­ca­do e inspi­ra­va cuida­dos.

No dia 14, emb­o­ra ain­da estivesse com um quadro grave, a boa respos­ta ao antibióti­co e mel­ho­ra dos resul­ta­dos de exam­es de sangue levaram à sus­pen­são da sedação “na ten­ta­ti­va de reti­ra­da da ven­ti­lação mecâni­ca”, infor­mou um bole­tim médi­co.

Depois de 48 horas da inter­rupção da sedação, Pedro Paulo Rangel começou a des­per­tar e a equipe médi­ca começou a avaliar a reti­ra­da do res­pi­rador. “A respos­ta à infecção é pos­i­ti­va e sus­ten­ta­da nos últi­mos dias, porém hou­ve alter­ação da função renal. O quadro per­manece grave”, com­ple­tou a equipe em novo bole­tim divul­ga­do pela Casa de Saúde São José, no dia 16.

Carreira

A tra­jetória de Pedro Paulo Rangel nas artes começou cedo. Ain­da ado­les­cente o fil­ho dos fun­cionários públi­cos Alzi­ra Mar­ques Rangel e Lélio Rangel, escreveu a peça Quan­do os Pais Entram de Férias. Como ator foi con­vi­da­do a par­tic­i­par do elen­co da peça infan­til O Bruxo e a Rain­ha, de Pedro Reis, na Igre­ja de San­ta Terez­in­ha, em Copaca­bana, na zona sul. Lá ele con­heceu o ator Mar­co Nani­ni, com quem fre­quen­tou o cur­so de For­mação de Atores no Con­ser­vatório Nacional de Teatro, atu­al esco­la de teatro da UNIRIO.

A primeira exper­iên­cia em teatro profis­sion­al foi em 1968, na peça Roda Viva, de Chico Buar­que e com direção de José Cel­so Mar­tinez Cor­rêa, em São Paulo. O artista inte­grou ain­da o Grupo Ofic­i­na e em 1969, atu­ou na peça Galileo Galilei, de Bertolt Brecht, tam­bém com direção de José Cel­so.

O primeiro papel pro­tag­o­nista foi em 1970, em Jorgin­ho, o Machão, de Leilah Assumpção, dirigi­do por Clóvis Bueno. Dois anos depois fez a peça Cas­tro Alves Pede Pas­sagem, de Gian­francesco Guarnieri, e voltou para o Rio de Janeiro.

A atu­ação na peça A Auro­ra da Min­ha Vida, de Naum Alves de Sousa, lhe ren­deu seu primeiro Prêmio Moliére de mel­hor ator, em 1982. Depois dis­so rece­beu mais dois: em 1989, por sua inter­pre­tação em Macha­do em Cena – Um Sarau Car­i­o­ca, de Luís de Lima; e em 1994, no monól­o­go O Ser­mão da Quar­ta-feira de Cin­zas, de Moacir Chaves, como o Padre Antônio Vieira.

Na tele­visão, o ator fez per­son­agens mem­o­ráveis. A estreia foi em 1969 na Rede Tupi de São Paulo, no elen­co da telen­ov­ela Super Plá de Bráulio Pedroso. Na mes­ma emis­so­ra atu­ou em out­ras duas nov­e­las: Ton­in­ho on The Rocks, de Teix­eira Fil­ho, em 1970; e Din­heiro Vivo, de Mário Pra­ta, em 1979.

Em 1972 começou na TV Globo e logo se desta­cou na nov­ela Bicho do Mato, de Chico de Assis e Rena­to Cor­rêa e Cas­tro. Em 1979 voltou à Rede Tupi de São Paulo e dois anos depois retornou à Rede Globo para uma infinidade de per­son­agens com grandes destaques em nov­e­las como GabrielaA Indo­ma­da e Peca­do Cap­i­tal, além de minis­séries como Um Só Coração e Quin­to dos Infer­nos.

Ain­da na emis­so­ra, a car­reira do ator pas­sou pelos humorís­ti­cos TV Pira­ta e Viva o Gor­do.

Repercussão

A morte do ator cau­sou comoção entre ami­gos. O autor de nov­e­las e escritor Wal­cyr Car­ras­co, que escreveu a nov­ela O Cra­vo e a Rosa, lamen­tou a per­da. “Cumpriu sua mis­são aqui na ter­ra o queri­do e tal­en­toso ator Pedro Paulo Rangel, aos 74 anos. Uma grande per­da! Sen­tire­mos muitas saudades! Meus sen­ti­men­tos aos ami­gos e famil­iares. Vá em paz, seu Cal­ix­to!”, disse no seu per­fil no Twit­ter, lem­bran­do o nome do per­son­agem que é um dos maiores suces­sos de Pedro Paulo.

O ator, humorista e escritor Gregório Duvivi­er, disse que está triste com a par­ti­da do ami­go. “Era um ator deli­cioso de assi­s­tir. Colo­ria, com caris­ma infini­to, qual­quer cena. Empresta­va humanidade a per­son­agens coad­ju­vantes, sem­pre tridi­men­sion­al. Inven­tou um jeito próprio de falar, meio afrance­sa­do, mas muito car­i­o­ca, hilário”, pos­tou no Twit­ter.

Em entre­vista à Globonews, a atriz Lília Cabral disse que para ela, PP, como chama­va o ami­go, é um dos maiores atores do Brasil. “PP você vai faz­er mui­ta fal­ta para mui­ta gente”, disse emo­ciona­da. Tam­bém ao canal, o ator Dio­go Vilela con­tou que o ami­go era um gênio. “É muito difí­cil falar sobre o PP, para mim um gênio, um ator genial. Eu estou muito emo­ciona­do”.

O pres­i­dente eleito Luiz Iná­cio Lula da Sil­va tam­bém pos­tou uma men­sagem em seu per­fil no Twit­ter. “Soube ago­ra da morte do ator Pedro Paulo Rangel. Uma triste per­da para a dra­matur­gia brasileira. Pedro Paulo fez história nas nov­e­las, no humor e nos teatros do país com seu tal­en­to e ded­i­cação. Meu abraço frater­no aos famil­iares, fãs e ami­gos”.

Edição: Denise Griesinger

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d