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Brasília completa 61 anos e encara o desafio da maturidade

 

Brasília 60 anos
Repro­dução:  © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Brasil

Novo estilo de vida marca o aniversário da capital


Pub­li­ca­do em 21/04/2021 — 06:00 Por Fabío­la Sin­im­bú — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

Uma Brasília difer­ente, que Jusceli­no Kubitschek não pode­ria nem imag­i­nar há 61 anos. Comér­cios fecha­dos, pon­tos turís­ti­cos vazios e muitos tra­bal­hadores em um ambi­ente difer­ente daque­le desen­hado e plane­ja­do por Oscar Niemey­er: o vir­tu­al.

A cap­i­tal do país viveu seu primeiro ano de cidade madu­ra imer­sa em um cenário nun­ca vis­to ao lon­go de sua história. “Uma imagem do iní­cio das medi­das restri­ti­vas me mar­cou. Em uma cam­in­ha­da eu não vi ninguém na rua e pas­sei por um par­quin­ho, aqui tem muito isso de as cri­anças irem ao par­que ou brin­car­em em baixo do blo­co, e eu não via ninguém. Aqui­lo me chocou muito”, descreve a servi­do­ra públi­ca fed­er­al Tatiane Mar­tins.

Foto: Ana Volpe/Agência Senado
Repro­dução: Foto: Ana Volpe/Agência Sena­do — Ana Volpe/Agência Sena­do                                        

Trabalho em casa

Nasci­da em Brasília e mãe de três fil­hos, em idades esco­lares difer­entes, ela se viu da noite para o dia ten­do que con­cil­iar ativi­dades domés­ti­cas, didáti­cas e profis­sion­ais em um mes­mo ambi­ente: o home office. “Ain­da tin­ha a questão emo­cional, que no iní­cio não sabíamos como iria ser, o que pode­ria acon­te­cer com essa doença”, lem­bra.

Tatiane foi uma dos quase 300 mil servi­dores públi­cos fed­erais que tra­bal­ham em Brasília e foram sur­preen­di­dos com a mudança na roti­na.  “Eu nun­ca tin­ha feito home office, então, no iní­cio, até eu enten­der e mon­tar uma roti­na lev­ou tem­po. Aos poucos eu con­segui, mas mui­ta coisa mudou, até hoje é bem difer­ente do que eu vivi por anos”, diz.

No iní­cio das medi­das restri­ti­vas, em 2020, o engen­heiro civ­il do Min­istério da Econo­mia Bruno Queiroz  tam­bém per­maneceu exclu­si­va­mente em home office por qua­tro meses, mas com os ajustes nas medi­das de segu­rança san­itária, ele reto­mou algu­mas ativi­dades pres­en­ci­ais necessárias à natureza de sua ativi­dade de fis­calizar obras. “É muito estran­ho, quan­do eu pre­ciso ir ao tra­bal­ho, me deparar com uma pop­u­lação que está em 15% do que cos­tu­ma­va ver”, descreve Bruno.

Teletrabalho, home office ou trabalho remoto.
Repro­dução: Tele­tra­bal­ho — Marce­lo Camargo/Agência Brasil                                                         

O engen­heiro con­ta que, no órgão em que tra­bal­ha, a implan­tação do home office esta­va em estu­do para vir a ser apli­ca­da par­cial­mente, mas a pan­demia acabou aceleran­do o proces­so e incluí­do quase todo o quadro, ini­cial­mente. Para Bruno, a tro­ca do ambi­ente de con­vivên­cia com os cole­gas de tra­bal­ho por um ambi­ente vir­tu­al é a parte mais difí­cil. “Aque­la pausa para o cafez­in­ho, aque­le bate-papo que, às vezes, dava aque­la que­bra­da na roti­na e tor­na­va o tra­bal­ho menos cansati­vo, aca­ba se per­den­do no ambi­ente vir­tu­al”, expli­ca.

Fechando e abrindo portas

Segun­do o pres­i­dente da Con­fed­er­ação dos Diri­gentes Lojis­tas do Dis­tri­to Fed­er­al, Wag­n­er Sil­veira, com servi­dores públi­cos e out­ros profis­sion­ais tra­bal­han­do em casa, alguns seg­men­tos do comér­cio foram ala­van­ca­dos, em detri­men­to de out­ros. “Bares, restau­rantes, even­tos e acad­e­mias foram os seg­men­tos mais afe­ta­dos, enquan­to que os segui­men­tos de inter­net, e‑commercemar­ket­place e mate­r­i­al de con­strução bom­baram”, diz e com­ple­men­ta “nós esperá­va­mos que o e‑commerce em três ou qua­tro anos fos­se chegar ao nív­el que chegou no ano pas­sa­do”.

Esse aumen­to na deman­da foi sen­ti­do dire­ta­mente na empre­sa de e‑commerce que atua no mer­ca­do de Brasília e do Cen­tro-Oeste, onde Hugo Cân­di­do ocu­pa o car­go de CEO. “A empre­sa cresceu 61%, o esper­a­do era 20%, então cresce­mos três vezes mais que o esper­a­do”, afir­ma.

Hugo con­ta ain­da que a maior parte dos clientes que procu­raram a empre­sa era com­er­ciantes locais que estavam com seus comér­cios fecha­dos e pre­cisavam vender no mun­do dig­i­tal ime­di­ata­mente. “Nós poderíamos ter cresci­do muito mais se tivésse­mos pen­sa­do mera­mente na parte econômi­ca, mas nós tam­bém decidi­mos aju­dar as pes­soas”, con­ta.

Não foram todos os comér­cios que con­seguiram se adap­tar a uma ver­são dig­i­tal. A servi­do­ra públi­ca Tatiane Mar­tins rev­ela que ao lon­go do últi­mo ano, o número de comér­cios locais fecha­dos foi out­ra mudança no cenário da cidade que chamou a atenção. “Eu lamen­to muito por esta­b­elec­i­men­tos muito tradi­cionais que a gente pas­sa e vê que foram fecha­dos. Restau­rantes que, des­de que eu era meni­na, eu fre­quen­ta­va e hoje não exis­tem mais.”

Comércio de Brasília continua fechado por causa da pandemia do novo coronavírus
Repro­dução: Comér­cio Brasília  — Mar­cel­lo Casal                                                                                    

Na avali­ação do pres­i­dente da CDL-DF, “os comér­cios que fecharam as por­tas eram os que já estavam em situ­ação de vul­ner­a­bil­i­dade, seja por questões admin­is­tra­ti­vas ou por difi­cul­dades em se mod­ern­izar.”

O exec­u­ti­vo Hugo lem­bra que o número de empre­sas que não estavam preparadas para esse momen­to foi tão grande que foi necessário adap­tar os serviços ofer­e­ci­dos para dar con­ta da deman­da e não deixar de aten­der aos clientes e tam­bém de apoiar o comér­cio da região em um momen­to de difi­cul­dade para a econo­mia glob­al. “A par­tir do momen­to que nós dimin­uí­mos o nos­so pacote de serviços para uma ver­são pock­et, eu tam­bém con­segui abaixar o cus­to e com isso, aten­der mais pes­soas”, diz.

Dicas para criar ou migrar seu negócio para o comércio digital

Não espere cumprir todos os req­ui­si­tos para ter o seu comér­cio dig­i­tal;

Pesquise sobre o assun­to;

Teste o seu públi­co e des­cubra se é mel­hor ini­ciar com atendi­men­to region­al;

Sai­ba em que ambi­ente vir­tu­al seu públi­co está;

Se não tiv­er cap­i­tal para inve­stir em um serviço de con­sul­to­ria busque alter­na­ti­vas como redes soci­ais e platafor­mas gra­tu­itas;

Caso pre­cise de uma estru­tu­ra mais per­son­al­iza­da con­trate uma con­sul­to­ria.

 

Cultura online

Wag­n­er Sil­veira diz que emb­o­ra ten­ham sido muitos os comér­cios que fecharam as por­tas por causa da pan­demia, out­ros muitos viram na crise uma opor­tu­nidade de cresci­men­to.

Essa foi a situ­ação de uma das mais tradi­cionais casas de even­to de Brasília, o Clube do Choro. “Foi um impacto muito grande porque nos­sas por­tas estão fechadas des­de março de 2020”, afir­ma o vio­lonista e dire­tor do Clube do Choro de Brasília, Hen­rique Neto.

Segun­do ele, com um impacto dire­to na vida de quem tra­bal­ha no espaço e dos que vivem da cul­tura em Brasília, o Clube do Choro teve que se rein­ven­tar e criou ativi­dades híbri­das em que um mín­i­mo de pes­soas tra­bal­havam den­tro do espaço e o públi­co aces­sa­va por meio das redes soci­ais e de out­ras platafor­mas dig­i­tais. “Cri­amos o Insta­gram e o canal no Youtube do Clube do Choro, que ago­ra está com uma pro­gra­mação bas­tante ati­va” expli­ca.

Além dis­so, novas pro­gra­mações foram pro­duzi­das para aumen­tar a inter­ação com o públi­co usu­al, por meio dess­es espaços vir­tu­ais, como o pro­gra­ma Papo com o Reco do Ban­dolim e a pro­gra­mação que esta­va pre­vista para a cel­e­bração dos 60 anos de Brasília, que acon­te­ceria pres­en­cial­mente em 2020, foi adap­ta­da e será total­mente online, este ano, com o nome Brasília 60 anos + 1.

Veja o clipe pro­duzi­do pelo Clube do Choro em hom­e­nagem ao aniver­sário da cidade:

Na avali­ação de Hen­rique, a situ­ação, que ini­cial­mente foi um golpe duro rece­bido, acabou sendo trans­for­ma­da pela equipe de profis­sion­ais do espaço em uma opor­tu­nidade de expandir o alcance do tra­bal­ho desen­volvi­do por músi­cos de Brasília a out­ros lugares fora do quadrad­in­ho do DF, inclu­sive a out­ros país­es. “Eu ten­ho certeza que vai vir para ficar essa nova pos­si­bil­i­dade. A gente nun­ca vai parar de ser um pon­to de encon­tro, mas tem pes­soas que não moram aqui e ago­ra vão poder ter aces­so”, diz.

Turismo

A importân­cia das pes­soas no ambi­ente urbano foi mais um aspec­to desta­ca­do por Tatiane, a par­tir da per­cepção que teve nos momen­tos em que cir­cu­lou em Brasília no últi­mo ano. Os pré­dios mon­u­men­tais desen­hados por Oscar Niemey­er, com obras de arte em suas pare­des, vit­rais e mobil­iários, talvez nun­ca ten­ham esta­do tão dis­tantes do olhar próx­i­mo de quem visi­ta a cidade ou vive nela.

O próprio pré­dio do Clube do Choro, desen­hado pelo arquite­to e pen­sa­do para ser o pon­to de fusão cul­tur­al da cidade é tam­bém con­sid­er­a­do um pon­to turís­ti­co, mas que per­maneceu sem vis­i­tantes nos últi­mos meses.

“Uma das alter­na­ti­vas que a gente já estru­tur­ou é um pro­je­to chama­do Com­plexo Cul­tur­al do Choro, no qual vamos faz­er uma pro­gra­mação aos finais de sem­ana onde a gente vai pro­mover feiras com uma pro­gra­mação bas­tante vari­a­da musi­cal e artís­ti­ca, aprovei­tan­do e inte­gran­do as áreas exter­nas entre o Clube do Choro e a Esco­la de Choro Rafael Rabel­lo”, afir­ma Hen­rique.

Pen­san­do na revi­tal­iza­ção dess­es espaços, em um momen­to que exige dis­tan­ci­a­men­to social, a Sec­re­taria de Tur­is­mo do Dis­tri­to Fed­er­al divul­gou rotas para pas­seios aber­tos durante a pan­demia, como a Rota Náu­ti­ca, com opções de pas­seio e vis­tas em toda a orla do Lago Para­noá, o maior lago arti­fi­cial urbano do mun­do; e as rotas Cívi­ca, Arquitetôni­ca e Cul­tur­al. “A ideia foi mostrar que Brasília é muito mais além do que a maio­r­ia das pes­soas imag­i­nam” afir­ma a secretária de Tur­is­mo do Dis­tri­to Fed­er­al Vanes­sa Men­donça.

Brasília 60 anos - Ponte JK
Repro­dução: Brasília 61 anos — Ponte JK — Arquivo/Marcello Casal Jr / Agên­cia Brasil            
DF completa 87 dias sem chuva, pode chover no Distrito Federal na próxima semana. É o que prevê o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)
Repro­dução: Pôr do sol no Lago Para­noá em Brasília — Mar­cel­lo Casal  Jr / Agên­cia Brasil           

Segun­do ela, o setor tam­bém rece­beu toda a assistên­cia por meio do pro­gra­ma “Jun­tos por Brasília e Jun­tos pelo Tur­is­mo” pelo qual foram real­izadas ações para recu­per­ação finan­ceira do setor, a cri­ação de pro­to­co­los para even­tos e para atendi­men­to no setor hoteleiro, além da cri­ação de uma platafor­ma dig­i­tal para com­er­cial­iza­ção da pro­dução dos artesões.

Com o retorno grad­ual das ativi­dades o setor tam­bém se trans­for­ma com o cresci­men­to do tur­is­mo rur­al que, segun­do um lev­an­ta­men­to da Setur, aumen­tou 40% no Dis­tri­to Fed­er­al, durante a pan­demia. “O tur­is­mo rur­al rep­re­sen­ta ger­ação de emprego e a pos­si­bil­i­dade de man­ter as famílias e a comu­nidade no lugar onde elas nasce­r­am, com a per­spec­ti­va de desen­volvi­men­to”, afir­ma Vanes­sa.

Ape­sar do taman­ho do desafio, a jovem sen­ho­ra cap­i­tal fed­er­al comem­o­ra seus 61 anos como um dos prin­ci­pais des­ti­nos a serem vis­i­ta­dos pelos brasileiros após a flex­i­bi­liza­ção das medi­das restri­ti­vas cau­sadas pela pan­demia, segun­do o rank­ing des­ti­nos turís­ti­co tendên­cia para 2021, real­iza­do pelo Min­istério do Tur­is­mo.

Brasília 60 Anos - Santuário Dom Bosco
Repro­dução: Brasília 61 Anos — San­tuário Dom Bosco — Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Brasil          

Ressig­nifi­ca­da, Brasília se for­t­alece pelas mãos de cada um dos mais de 3 mil­hões de habi­tantes que lutam para que essa pági­na da história da cap­i­tal fed­er­al seja lem­bra­da como um momen­to super­a­do. “Quan­do esse momen­to ter­mi­nar, a gente vai vir for­t­ale­ci­do e com novas esper­anças”, con­clui o musi­co brasiliense Hen­rique Neto.

Edição: Alessan­dra Esteves

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