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Clima de emoção marcou chegada de brasileiros da Faixa de Gaza

Repro­dução: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Voo foi o décimo da Operação Voltando em Paz


Publicado em 14/11/2023 — 06:45 Por Carolina Pimentel — Repórter da Agência Brasil — Brasília

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A chega­da dos 32 repa­tri­a­dos da Faixa de Gaza na noite dessa segun­da-feira (13) foi mar­ca­da por muitos abraços e mui­ta emoção. Assim que duas cri­anças desce­r­am da aeron­ave VC‑2, da Força Aérea Brasileira (FAB), um homem cor­reu para abraçá-las na pista da Base Aérea de Brasília, momen­to acom­pan­hado por todos que foram recep­cionar o grupo res­gata­do da região mais afe­ta­da pelo con­fli­to entre Israel e o Hamas. 

Era Mohammed Jabr Ismil que aguar­da­va há mais de 30 dias para abraçar os fil­hos. A esposa de Mohammed e os três fil­hos do casal, de 13, 11 e 9 anos, estavam entre os repa­tri­a­dos no voo.

“O impor­tante é que estão vivos e ago­ra vou faz­er tudo para eles”, disse Mohammed, em tom de alívio e feli­ci­dade.

Mohammed Ismil, palesti­no com cidada­nia brasileira, con­ta que a família via­jou em maio a Gaza para vis­i­tar par­entes, com vol­ta pre­vista para setem­bro. Ele, que é com­er­ciante e está no Brasil há cin­co anos, per­maneceu em Brasília, onde vivem.

Assim que a guer­ra começou, a angús­tia tomou con­ta da família. Aos jor­nal­is­tas, que acom­pan­haram a chega­da dos repa­tri­a­dos, Mohammed con­tou que ness­es mais de 30 dias a roti­na da família foi mar­ca­da por medo, fal­ta de água e ener­gia, fal­ta de comi­da e difi­cul­dade de comu­ni­cação.

“Man­da­va uma men­sagem para mim a cada dois, três, qua­tro dias. Só uma men­sagem e descar­rega­va a bate­ria do celu­lar”, disse.

Ele rela­tou que a esposa e os fil­hos – dois meni­nos e uma meni­na – pre­cis­aram mudar de casa três vezes em razão dos bom­bardeios no enclave palesti­no.

“O pior foi ver pessoas mortas”

Aos 9 anos de idade, Lin, fil­ha de Mohammed, disse que não quer se lem­brar dos momen­tos vivi­dos em Gaza com a mãe e os irmãos. Ao ser per­gun­ta­da qual foi o pior momen­to, ela respon­deu: “Ver pes­soas mor­tas”.

A garo­ta demon­strou alívio em deixar a região e voltar para casa. “Sin­to que estou em uma cidade mar­avil­hosa. Só quero ficar no Brasil”, afir­mou.

A esposa de Mohammed con­tou que não há mais como viv­er em Gaza, que a região está cada vez mais perigosa.

Mohammed disse que qua­tro irmãos ain­da estão no enclave e lamen­ta que não ten­ham como deixar o local. “Eles não têm opção, pois a Faixa de Gaza está fecha­da”.

“Estou viva”

Brasília-DF, 14.11.2023, O presidente Lula, fala a imprensa, após receber os 32 brasileiros resgatados da Faixa de Gaza que saiu do Cairo (Egito) para o Brasil. A aeronave fez escalas técnicas em Roma (Itália), Las Palmas (Espanha), e no Recife. São 17 crianças, nove mulheres e seis homens que aguardaram mais de 30 dias a permissão das autoridades de Israel, Gaza e Egito para retornar ao Brasil. . Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­dução: Brasília — Pres­i­dente Lula recebe brasileiros res­gata­dos da Faixa de Gaza, entre eles 17 cri­anças e ado­les­centes — Foto Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Quem tam­bém esta­va no voo era a jovem Shaed Alban­na, de 18 anos, que durante as últi­mas sem­anas mostrou nas redes soci­ais e em vídeos o que os brasileiros estavam enfrentan­do no ter­ritório.

Ao lado da irmã, ela desceu do avião abraça­da à Ban­deira brasileira.

“Não con­si­go acred­i­tar que estou aqui. Viva, feliz, emo­ciona­da de ver­dade. Não esta­mos acred­i­tan­do que cheg­amos. Final­mente esta­mos seguros. É muito bom a gente se sen­tir seguro. Faz muito tem­po que não me sen­tia assim”.

A jovem, que mora­va em São Paulo, foi para a Palesti­na com a mãe, que esta­va com câncer avança­do e dese­ja­va ficar próx­i­ma de par­entes. Ela  pres­en­ciou os primeiros bom­bardeios em Gaza quan­do saía de casa, pela man­hã, para ir à fac­ul­dade.

Shaed Alban­na pediu apoio do pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va para res­gatar par­entes que ain­da estão no meio do con­fli­to.

O pres­i­dente, que recep­cio­nou e abraçou os repa­tri­a­dos na Base Aérea jun­to com diver­sos min­istros, afir­mou que o gov­er­no brasileiro con­tin­uará ten­tan­do bus­car todos os que quis­erem sair da região do con­fli­to e voltar para o Brasil ou, no caso de estrangeiros, acom­pan­har os par­entes brasileiros.

“A gente vai faz­er todo o esforço que estiv­er ao alcance da diplo­ma­cia brasileira para ten­tar traz­er todos os brasileiros que lá estão e que queiram vir para o Brasil. Inclu­sive, alguns com­pan­heiros que tin­ham par­entes não brasileiros eu pedi para traz­er, e a gente trataria de legalizar as pes­soas aqui”, disse Lula.

Acolhimento

Os repa­tri­a­dos ficarão hospeda­dos, por dois dias, em um alo­ja­men­to da Força Aérea Brasileira (FAB) na Base Aérea de Brasília. Nesse perío­do, vão rece­ber atendi­men­to médi­co, psi­cológi­co e vaci­nação, além de reg­u­larizar a situ­ação no país para ter aces­so a políti­cas públi­cas e emprego.

Depois, parte do grupo irá para out­ras cidades: 24 para São Paulo (sendo 12 para casas de par­entes e 12 em abri­gos para refu­gia­dos no inte­ri­or do esta­do), um para Novo Ham­bur­go (RS), um para Cuiabá e dois para Flo­ri­anópo­lis. Qua­tro con­tin­uarão em Brasília. Os deslo­ca­men­tos serão feitos em aviões da FAB.

Brasília-DF, 14.11.2023, Chegada do avião presidencial com 32 brasileiros resgatados da Faixa de Gaza que saiu do Cairo (Egito) para o Brasil. A aeronave fez escalas técnicas em Roma (Itália), Las Palmas (Espanha), e no Recife. São 17 crianças, nove mulheres e seis homens que aguardaram mais de 30 dias a permissão das autoridades de Israel, Gaza e Egito para retornar ao Brasil. . Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­dução: Brasília — Brasileiros res­gata­dos da Faixa de Gaza desem­bar­cam na Base Aérea de Brasília — Foto Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O voo foi o déci­mo da Oper­ação Voltan­do em Paz, do gov­er­no fed­er­al, que res­ga­tou brasileiros que estavam na área de con­fli­to. Dos 32 repa­tri­a­dos, 22 são brasileiros, sete palesti­nos nat­u­ral­iza­dos brasileiros e três palesti­nos par­entes de brasileiros.

Des­de o iní­cio do con­fli­to no Ori­ente Médio, 1.477 pas­sageiros – 1.462 brasileiros, 11 palesti­nos, três boli­vianas e uma jor­da­ni­ana — e 53 ani­mais domés­ti­cos foram res­gata­dos.

Edição: Graça Adju­to

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