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Copom mantém juros básicos da economia em 13,75% ao ano

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Brasil

BC interrompeu ciclo de alta, após um ano e meio de reajustes seguidos


Pub­li­ca­do em 21/09/2022 — 18:38 Por Well­ton Máx­i­mo – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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A que­da da inflação fez o Ban­co Cen­tral (BC) inter­romper o ciclo de alta dos juros após um ano e meio de rea­justes segui­dos. Por 7 votos a 2, o Comitê de Políti­ca Mon­etária (Copom) man­teve a taxa Sel­ic, juros bási­cos da econo­mia, em 13,75% ao ano. A decisão era esper­a­da pelos anal­is­tas finan­ceiros.

O pres­i­dente do Ban­co Cen­tral, Rober­to Cam­pos Neto, e os dire­tores Bruno Ser­ra Fer­nan­des, Car­oli­na de Assis Bar­ros, Dio­go Abry Guillen, Mau­rí­cio Cos­ta de Moura, Otávio Ribeiro Dama­so e Paulo Sér­gio Neves de Souza votaram pela manutenção da taxa. Os dire­tores Fer­nan­da Mag­a­l­hães Rumenos Guarda­do e Rena­to Dias de Brito Gomes votaram pela ele­vação em 0,25 pon­to.

Em comu­ni­ca­do, o Copom infor­mou que con­tin­uará a mon­i­torar a econo­mia e poderá voltar a subir a taxa Sel­ic caso a inflação não caia como esper­a­do. “O comitê reforça que irá per­se­ver­ar até que se con­solide não ape­nas o proces­so de desin­flação como tam­bém a ancor­agem das expec­ta­ti­vas em torno de suas metas. O comitê enfa­ti­za que os pas­sos futur­os da políti­ca mon­etária poderão ser ajus­ta­dos e não hes­i­tará em retomar o ciclo de ajuste caso o proces­so de desin­flação não transcor­ra como esper­a­do”, desta­cou o tex­to.

A taxa con­tin­ua no maior nív­el des­de janeiro de 2017, quan­do tam­bém esta­va em 13,75% ao ano. Essa foi a primeira pausa nas ele­vações após 12 altas con­sec­u­ti­vas, num ciclo que começou em meio à alta dos preços de ali­men­tos, de ener­gia e de com­bustíveis.

De março a jun­ho do ano pas­sa­do, o Copom tin­ha ele­va­do a taxa em 0,75 pon­to per­centu­al em cada encon­tro. No iní­cio de agos­to, o BC pas­sou a aumen­tar a Sel­ic em 1 pon­to a cada reunião. Com a alta da inflação e o agrava­men­to das ten­sões no mer­ca­do finan­ceiro, a Sel­ic foi ele­va­da em 1,5 pon­to de out­ubro do ano pas­sa­do até fevereiro deste ano. O Copom pro­moveu dois aumen­tos de 1 pon­to, em março e maio, e dois aumen­tos de 0,5 pon­to, em jun­ho e agos­to.

Antes do iní­cio do ciclo de alta, a Sel­ic tin­ha sido reduzi­da para 2% ao ano, no nív­el mais baixo da série históri­ca ini­ci­a­da em 1986. Por causa da con­tração econômi­ca ger­a­da pela pan­demia de covid-19, o Ban­co Cen­tral tin­ha der­ruba­do a taxa para estim­u­lar a pro­dução e o con­sumo. A taxa ficou no menor pata­mar da história de agos­to de 2020 a março de 2021.

Inflação

A Sel­ic é o prin­ci­pal instru­men­to do Ban­co Cen­tral para man­ter sob con­t­role a inflação ofi­cial, medi­da pelo Índice Nacional de Preços ao Con­sum­i­dor Amp­lo (IPCA). Em agos­to, o indi­cador fechou em 8,73% no acu­mu­la­do de 12 meses, após ter se . Esse foi o segun­do mês segui­do de inflação neg­a­ti­va, por causa da que­da do preço da ener­gia e da gasoli­na.

Ape­sar da desacel­er­ação recente, o val­or está aci­ma do teto da meta de inflação. Para 2022, o Con­sel­ho Mon­etário Nacional (CMN) fixou meta de inflação de 3,5%, com margem de tol­erân­cia de 1,5 pon­to per­centu­al. O IPCA, por­tan­to, não podia super­ar 5% neste ano nem ficar abaixo de 2%.

No Relatório de Inflação divul­ga­do no fim de jun­ho pelo Ban­co Cen­tral, a autori­dade mon­etária esti­ma­va que o IPCA fecharia 2022 em 8,8% no cenário base. A pro­jeção, no entan­to, está desat­u­al­iza­da e dev­erá ser revista para baixo por causa das des­on­er­ações sobre a gasoli­na e o gás de coz­in­ha. A nova ver­são do relatório será divul­ga­da no fim de setem­bro.

As pre­visões do mer­ca­do estão mais otimis­tas. De acor­do com o bole­tim Focus, pesquisa sem­anal com insti­tu­ições finan­ceiras divul­ga­da pelo BC, a inflação ofi­cial dev­erá fechar o ano em 6%. No iní­cio de jun­ho, as esti­ma­ti­vas do mer­ca­do chegavam a 9%.

Crédito mais caro

A ele­vação da taxa Sel­ic aju­da a con­tro­lar a inflação. Isso porque juros maiores encar­e­cem o crédi­to e deses­tim­u­lam a pro­dução e o con­sumo. Por out­ro lado, taxas mais altas difi­cul­tam a recu­per­ação da econo­mia. No últi­mo Relatório de Inflação, o Ban­co Cen­tral pro­je­ta­va cresci­men­to de 1,7% para a econo­mia em 2022.

O mer­ca­do pro­je­ta cresci­men­to um pouco maior. Segun­do a últi­ma edição do bole­tim Focus, os anal­is­tas econômi­cos pre­veem expan­são de 2,65% do Pro­du­to Inter­no Bru­to (PIB, soma dos bens e serviços pro­duzi­dos pelo país) neste ano.

A taxa bási­ca de juros é usa­da nas nego­ci­ações de títu­los públi­cos no Sis­tema Espe­cial de Liq­uidação e Custó­dia (Sel­ic) e serve de refer­ên­cia para as demais taxas de juros da econo­mia. Ao rea­justá-la para cima, o Ban­co Cen­tral segu­ra o exces­so de deman­da que pres­siona os preços, porque juros mais altos encar­e­cem o crédi­to e estim­u­lam a poupança.

Ao reduzir os juros bási­cos, o Copom barateia o crédi­to e incen­ti­va a pro­dução e o con­sumo, mas enfraque­ce o con­t­role da inflação. Para cor­tar a Sel­ic, a autori­dade mon­etária pre­cisa estar segu­ra de que os preços estão sob con­t­role e não cor­rem risco de subir.

 

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Repro­dução: infografia_selic — Art­eD­JOR

Edição: Fábio Mas­sal­li

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