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Exposição no Rio mostra tesouros da cartografia mundial

Repro­dução: © Divul­gação/C­CBB-RJ

Brasil no [Centro do] Mapa começa hoje e vai até 20 de junho


Pub­li­ca­do em 20/04/2022 — 07:45 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Em comem­o­ração aos 200 anos da Inde­pendên­cia do Brasil, que será comem­o­ra­do em 7 de setem­bro, será aber­ta hoje (20) ao públi­co a exposição Brasil no [Cen­tro do] Mapa, no Cen­tro Cul­tur­al Ban­co do Brasil — Rio de Janeiro (CCBB RJ). A mostra apre­sen­ta 22 pre­ciosi­dades da car­tografia mundi­al, des­de o sécu­lo 16 até hoje, e ficará disponív­el para vis­i­tação até 20 de jun­ho próx­i­mo, no quar­to andar do CCBB Rio. A entra­da é gra­tui­ta e não é necessário reti­rar ingres­so.

O curador da exposição, Paulo Pro­tá­sio, desta­cou que um dos mapas da coleção do Min­istério das Relações Exte­ri­ores traz a época do Brasil Cen­tral, ou seja, o país no cen­tro da per­spec­ti­va glob­al. O mapa mais recente tam­bém cen­tral­iza o Brasil, jun­to com a Améri­ca do Sul. “E faz com que a gente ten­ha out­ra visão da área con­ti­nen­tal, o que é muito impor­tante, porque a pro­pos­ta de mer­ca­do que pro­duz­i­mos no Brasil é prati­ca­mente europeia, a Europa está no cen­tro. Esse fato aca­ba crian­do uma dis­torção na cabeça das pes­soas e faz com que a gente seja só Atlân­ti­co quan­do, na ver­dade, per­tence­mos a um con­ti­nente que é bio­ceâni­co e está em uma relação Pací­fi­co e Atlân­ti­co”, disse.

Para Pro­tá­sio, tudo isso vem ao encon­tro da ideia de que o mun­do está mudan­do, e o papel do Brasil será cada vez mais impor­tante. Por­tan­to, se situ­ar bem em relação à car­ta mundi­al é muito impor­tante, prin­ci­pal­mente para os próprios brasileiros. “Estou pen­san­do ago­ra na cri­ança, no brasileiro que vai à esco­la pela primeira vez e que verá uma apre­sen­tação car­tográ­fi­ca. Esse é o nos­so propósi­to”.

Paulo Pro­tá­sio, nomea­do no ano pas­sa­do dire­tor exec­u­ti­vo da Autori­dade do Desen­volvi­men­to Sus­ten­táv­el, obser­vou que o Brasil tem muitas de suas riquezas e pre­sença em traços geográ­fi­cos difer­en­ci­adas do resto do mun­do.

Tesouros

A exposição Brasil no [Cen­tro do] Mapa tem con­sul­to­ria do geó­grafo André Alvaren­ga. Ela traz tesouros da car­tografia, como a Car­ta Roge­ri­ana, que mar­ca o perío­do de tran­sição entre a fase em que o Mediter­râ­neo era dom­i­na­do por muçul­manos e a retoma­da por cristãos europeus; o Mapa de Ebstorf, maior do perío­do medieval, que tem o Ori­ente no topo; o Mapa Gen­ovês, com a for­ma da Arca de Noé, que mar­ca o fim do perío­do medieval e a entra­da na Renascença e é um dos primeiros a apon­tar a pos­si­bil­i­dade de se chegar às Índias pelo con­torno da África. Há tam­bém o cor­po de Cristo em cruz como Rosa dos Ven­tos, indi­can­do as direções norte, sul, leste e oeste, com cenas bíbli­cas e Jerusalém no cen­tro; o Mapa de Johannes Scnitzer, um exem­plar da redescober­ta do livro Geo­graphia de Ptolomeu, que foi dire­tor da Bib­liote­ca de Alexan­dria no sécu­lo 2 d.C.

Divulgação/CCBB-RJ
Divul­gação/C­CBB-RJ — Divul­gação/C­CBB-RJ

Podem ser con­feri­dos ain­da o Plan­is­fério de Juan de la Cosa, primeiro mapa a mostrar o con­ti­nente amer­i­cano. Seu cri­ador via­jou com Cristóvão Colom­bo. Destaque tam­bém para o Mapa de Alber­to Can­ti­no, de 1502, o primeiro a mostrar o litoral do Brasil, chama­do no mapa de Vera Cruz. Os espec­ta­dores terão opor­tu­nidade de con­hecer o Mapa de Jerôn­i­mo Mari­ni, de 1511, o primeiro a traz­er o nome Brasil; o Ter­ra Brasilis, de Lopo Homem e Anto­nio de Holan­da, de 1519, que faz um delin­ea­men­to com­ple­to da cos­ta brasileira, apre­sen­ta a embo­cadu­ra do Rio da Pra­ta e rep­re­sen­ta os índios cor­tan­do pau-brasil, entre out­ras rari­dades.

Para Paulo Pro­tá­sio, a car­tografia rat­i­fi­ca que seus ref­er­en­ci­ais são essen­ci­ais para quase todas as áreas e que é imper­a­ti­va a neces­si­dade de se inteirar sobre car­tografia, incluin­do des­de mapas feitos à mão até os sis­temas tec­nológi­cos atu­ais.

Novo olhar

Fazem parte tam­bém da exposição qua­tro mapas temáti­cos que tratam da emis­são de gas­es polu­entes (CO2) por habi­tante, lixo plás­ti­co, unidades de con­ser­vação e ener­gias ren­ováveis. Os vis­i­tantes poderão con­hecer ain­da a Car­tografia de Anna Bel­la Geiger. Esse seg­men­to da mostra apre­sen­ta um vídeo inédi­to e três obras da série de car­tografia da artista plás­ti­ca, que foi casa­da com o geó­grafo brasileiro Pedro Geiger e desen­volveu um tra­bal­ho úni­co com mapas, na déca­da de 70, pelos quais é con­heci­da no mun­do todo. “Ela fez um Atlas do Novo Mun­do, um mun­do difer­en­ci­a­do. Essa provo­cação é apro­pri­a­da para o momen­to que a gente está viven­do e que a relação arte-car­tografia con­tin­ua cada vez mais abrangente”, disse Paulo Pro­tá­sio.

A pro­gra­mação da exposição Brasil no [Cen­tro do] Mapa inclui sem­i­nário de três dias sobre o tema. O encon­tro vai des­per­tar uma ação para definir, em for­ma de escal­a­da, a ampli­ação grada­ti­va de todos os setores, afir­mou o curador. “Ou seja, o Brasil, para ir para o cen­tro do mun­do, não pode ir só por con­ta de graça ou inter­esse ou porque é cen­tral­iza­do, como os demais país­es do mun­do podem faz­er o mes­mo tipo de mapa. O Brasil pre­cisa se olhar de for­ma mais próx­i­ma, por exem­p­lo, como destaque no cam­po da ener­gia ren­ováv­el, não polu­ente. A gente tem val­or e expressão de enorme importân­cia. Isso tem que ser obser­va­do, trans­mi­ti­do e trans­feri­do para out­ros públi­cos e o mun­do”.

Pro­tá­sio lem­brou que as regiões turís­ti­cas são out­ro pon­to que o Brasil pre­cisa salien­tar, com rios, frente marí­ti­ma, lagoas, mon­tan­has, flo­restas. “Tudo isso é expressão de faz­er difer­ença. O Brasil tem mais cober­tu­ra do que qual­quer out­ro lugar do mun­do em ter­mos de veg­e­tação. Por que não colo­car isso como refer­ên­cia? Porque a car­tografia pode rep­re­sen­tar essas con­quis­tas todas”, con­cluiu.

Serviço

O CCBB RJ está situ­a­do à Rua Primeiro de Março, 66, no cen­tro do Rio, e fun­ciona às segun­das e quar­tas-feiras e aos sába­dos das 9h às 21h; no domin­go, das 9h às 20h. Às terças-feiras, o equipa­men­to fica fecha­do. A entra­da do públi­co é per­mi­ti­da com apre­sen­tação do com­pro­vante de vaci­nação con­tra a covid-19.

Edição: Graça Adju­to

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