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Foliões elogiam espaços cercados no carnaval de Brasília

Repro­dução: © Anto­nio Cruz/Agência Brasil

Para frequentadores, revistas na entrada aumentam segurança


Pub­li­ca­do em 20/02/2023 — 19:59 Por Well­ton Máx­i­mo – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Home­ns e mul­heres revis­ta­dos sep­a­rada­mente por segu­ranças e com itens como gar­rafas de vidro e obje­tos cor­tantes bar­ra­dos. A entra­da de alguns espaços car­navale­scos em Brasília mais lem­bra um show que um blo­co de car­naval.

Em pon­tos como a Praça das Fontes, no Par­que da Cidade Sarah Kubitschek, e o Setor Car­navale­sco Sul, nome do Setor Com­er­cial Sul durante o car­naval, a cel­e­bração ocorre em espaços cer­ca­dos por grades. A exper­iên­cia agra­da aos foliões, que elo­giam a segu­rança nos even­tos.

“Enten­do que o car­naval é uma fes­ta aber­ta, mas tam­bém enten­do a neces­si­dade de segu­rança. O espaço é fecha­do, mas tem a van­tagem de as pes­soas serem revis­tadas na entra­da, o que pas­sa um respal­do para nós”, diz o pub­lic­itário Viní­cius Pontes, 25 anos, que acom­pan­ha­va a folia no Setor Car­navale­sco Sul na tarde des­ta segun­da-feira (20).

Na Praça das Fontes, os foliões elo­giavam a segu­rança pro­por­ciona­da pelo cer­ca­men­to. Tradi­cional­mente cer­ca­do com alam­bra­dos durante fes­tas, o local abri­ga neste car­naval a Platafor­ma da Diver­si­dade, com os blo­cos Rebu Cole­ti­va e Vamos Full­gil tocan­do nes­ta segun­da-feira.

Com foco no públi­co LGBTQIA+, a Platafor­ma da Diver­si­dade serviu de pre­tex­to para o pro­fes­sor Fer­nan­do Nico­lau e o bancário Vic­tor Hugo Oliveira faz­erem um ensaio fotográ­fi­co pré-casa­men­to. Eles aproveitaram o espaço ain­da vazio no iní­cio da tarde des­ta segun­da para tirarem as fotografias e elo­gia­ram a estru­tu­ra e o acol­hi­men­to. “Este é um lugar que acol­he as pes­soas, inde­pen­den­te­mente dos rótu­los. Isso que é bacana. A estru­tu­ra é mar­avil­hosa” diz Vic­tor.

Ape­sar de recon­hecerem a segu­rança pro­por­ciona­da pelo cer­ca­men­to, o casal diz que esse não é o moti­vo prin­ci­pal que os lev­ou a escol­herem o local para o ensaio fotográ­fi­co. “O Blo­co Vamos Full­gil tem músi­cas de Gilber­to Gil, de quem a gente gos­ta muito”, jus­ti­fi­ca Vic­tor. Para Fer­nan­do, a própria pro­pos­ta da Platafor­ma da Diver­si­dade atrai um públi­co mais tran­qui­lo à Praça das Fontes que a out­ros pon­tos de Brasília. “Aqui têm famílias e cri­anças. A galera é mais tran­quila”, avalia.

Estrutura

Uma das orga­ni­zado­ras do Blo­co Rebu Cole­ti­va, a admin­istrado­ra Emil­ly Amor­im defende que o alam­bra­do não aju­da ape­nas a garan­tir a segu­rança como per­mite a mel­ho­ria de estru­turas. Ela cita um espaço volta­do para cri­anças e ram­pas para pes­soas com defi­ciên­cias, que per­mitem a Emil­ly, que é cadeirante, subir ao pal­co e dançar.

Brasília (DF), 20/02/2023 - Emilly Amorim durante entrevista para Agência Brasil no bloco de carnaval Rebu. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Repro­dução: Orga­ni­zado­ra do Blo­co Rebu Cole­ti­va Emil­ly Amor­im . Foto: Anto­nio Cruz/Agência Brasil — Anto­nio Cruz/Agência Brasil

A orga­ni­zado­ra, no entan­to, não con­sid­era o cer­ca­men­to úni­ca medi­da para a fal­ta de inci­dentes no espaço, que reuniu cer­ca de 8 mil pes­soas no sába­do (18) e 6 mil pes­soas no domin­go (19). “Por ser volta­do para esse públi­co [LGBTQIA+], a Praça das Fontes atrai mul­heres het­eros­sex­u­ais que querem fugir de assé­dio e de vio­lên­cia. Tam­bém atrai famílias que querem tran­quil­i­dade. Os pais podem deixar os fil­hos num espaço de ativi­dades lúdi­cas [insta­l­a­do embaixo de uma ten­da] e aproveitar o car­naval a sós por alguns instantes”, diz.

Uma das mul­heres hétero atraí­das pela diver­si­dade foi a nutri­cionista Priscila Pra­do, 24 anos. No iní­cio da tarde des­ta segun­da, ela aproveitou a segu­rança e a tran­quil­i­dade da Praça das Fontes para cur­tir o car­naval jun­to com o namora­do. “A men­sagem de respeito a gênero, raça, ori­en­tação sex­u­al deve exi­s­tir não ape­nas no car­naval, mas em todas as épocas do ano. Aqui, as pes­soas podem ser elas mes­mas, sem ser jul­gadas”, afir­ma Priscila, que diz aproveitar o primeiro car­naval da vida em espaço públi­co para enter­rar as pre­ocu­pações com a pan­demia de covid-19.

Brasília (DF), 20/02/2023 - Pricila Prado durante entrevista para Agência Brasil no bloco de carnaval Rebu. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Repro­dução: Pri­cila Pra­do durante entre­vista para Agên­cia Brasil no blo­co de car­naval Rebu. Anto­nio Cruz/Agência Brasil

Repressão

Em pelo menos um caso, o cer­ca­men­to provo­cou efeito opos­to ao da ampli­ação da segu­rança. Na noite de sába­do (18), a Polí­cia Mil­i­tar (PM) dis­per­sou, com gás de pimen­ta, foliões que ficaram até mais tarde no Setor Car­navale­sco Sul ou que ten­tavam entrar pelo alam­bra­do após o encer­ra­men­to dos fes­te­jos. O gás espal­hou-se pelo espaço e provo­cou tumul­to, o que lev­ou o dep­uta­do dis­tri­tal Fábio Félix (PSOL) a pedir providên­cias à PM.

“A cor­po­ração agiu em situ­ações pon­tu­ais para encer­rar vias de fato e impedir que foliões mais exal­ta­dos invadis­sem locais que já estavam fecha­dos por atin­girem capaci­dade máx­i­ma. A cor­po­ração tam­bém teve que faz­er uso da força por con­ta de agressões con­tra poli­ci­ais. Foram arremes­sadas gar­rafas con­tra os mil­itares e um poli­cial chegou a sofr­er lesões na mão e joel­ho”, respon­deu a PM por meio de nota.

Edição: Aline Leal

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