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Guia orienta profissionais de saúde sobre prevenção do câncer uterino

 

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Publicação lançada hoje marca Dia Mundial de Prevenção da doença


Pub­li­ca­do em 24/03/2022 — 07:34 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Para mar­car o Dia Mundi­al de Pre­venção do Câncer do Colo do Útero, comem­o­ra­do no próx­i­mo dia 26, a Fun­dação do Câncer lançou hoje (24) o Guia Práti­co. A pub­li­cação reúne ori­en­tações sobre a doença para capac­i­tação de médi­cos e profis­sion­ais que tra­bal­ham na Atenção Bási­ca de Saúde — enfer­meiros, téc­ni­cos e agentes comu­nitários.

O Guia Práti­co Pre­venção do Câncer de Colo do Útero — Ori­en­tações para Profis­sion­ais de Saúde tem o obje­ti­vo de aumen­tar a adesão às recomen­dações para a vaci­nação con­tra o HPV (sigla em inglês para Papi­lo­mavírus Humano) e o ras­trea­men­to da doença. Acesse aqui o guia em for­ma­to dig­i­tal.

A ini­cia­ti­va faz parte do estu­do Con­hec­i­men­to e Práti­cas da Pop­u­lação sobre Pre­venção do Câncer de Colo do Útero, que teve a primeira parte divul­ga­da em fevereiro deste ano (https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022–02/desinformacao-e-maior-entrave-para-controle-do-cancer-do-colo-do-utero). Nes­ta segun­da eta­pa do lev­an­ta­men­to foram con­sid­er­a­dos relatos de 2.727 profis­sion­ais de saúde, infor­mou a médi­ca Flávia Miran­da Cor­rêa, douto­ra em saúde cole­ti­va, pesquisado­ra da Fun­dação do Câncer e respon­sáv­el pela pesquisa.

“Nós damos as ori­en­tações sobre o públi­co-alvo da vaci­nação, quan­tas dos­es são necessárias e os inter­va­l­os entre elas; damos infor­mações gerais sobre efe­tivi­dade e segu­rança do imu­nizante, dúvi­das que encon­tramos no lev­an­ta­men­to. Há algu­mas ori­en­tações práti­cas para checar se quan­do as cri­anças e ado­les­centes vão a con­sul­tas por out­ro moti­vo, elas estão vaci­nadas con­tra o HPV e, se não estiverem, que os profis­sion­ais recomen­dem a imu­niza­ção, para aju­dar a aumen­tar a cober­tu­ra vaci­nal, que é peque­na”, disse Flávia.

Cobertura

Números obti­dos des­de 2014, quan­do a vaci­nação de meni­nas con­tra o HPV foi incor­po­ra­da ao Pro­gra­ma Nacional de Imu­niza­ção (PNI) no Brasil, rev­e­lam que a primeira dose da vaci­na para meni­nas entre 9 e 14 anos alcançou 83% de cober­tu­ra, enquan­to na segun­da dose caiu para 57%.

Para os meni­nos na faixa etária de 11 a 14 anos, a vaci­nação começou em 2017. Os números são ain­da mais baixos entre os rep­re­sen­tantes do sexo mas­culi­no: 58% tomaram a primeira dose e ape­nas 36% a segun­da, infor­mou a médi­ca. “A desin­for­mação dos meni­nos e ado­les­centes é maior que a das meni­nas. Os pais e respon­sáveis não têm mui­ta noção de que os meni­nos tam­bém se ben­e­fi­ci­am da vaci­na, que pro­tege con­tra out­ros tipos de câncer, como boca, faringe e anal”.

Para Flávia Cor­rêa, quan­do a vaci­nação con­tra o HPV para meni­nos foi disponi­bi­liza­da, em 2017, não foram enfa­ti­za­dos muito bem os bene­fí­cios que os meni­nos tam­bém têm. “Eles não têm que se vaci­nar ape­nas para pro­te­ger as meni­nas con­tra o câncer do colo do útero, mas tam­bém se ben­e­fi­ci­am dire­ta­mente da vaci­na. Isso é impor­tante veic­u­lar. Foi uma das coisas que iden­ti­fi­camos na pesquisa”.

As infor­mações aju­dam tam­bém a com­bat­er fake news (notí­cias fal­sas) de que a vaci­na con­tra o HPV estim­u­la a ini­ci­ação sex­u­al pre­coce ou não é segu­ra para a saúde, tema abor­da­do na primeira fase do estu­do. A vaci­na tam­bém não provo­ca efeitos adver­sos além daque­les rela­ciona­dos ao local da injeção, como dor leve, rubor, ede­ma. “São os even­tos mais comuns. Even­tos graves não foram rela­ciona­dos à vaci­nação”, disse Flávia. Mais de 400 mil­hões de dos­es de vaci­na con­tra o HPV já foram apli­cadas no mun­do; no Brasil, mais de 50 mil­hões.

Entre os entre­vis­ta­dos, 14% dos profis­sion­ais não tin­ham todas as infor­mações exatas sobre o públi­co-alvo da vaci­na, uma das for­mas de pre­venir a doença, o que tor­na necessária ori­en­tação especí­fi­ca e reforço em cam­pan­has A vaci­nação con­tra o HPV está disponív­el no Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS) para meni­nas de 9 a 14 anos e meni­nos de 11 a 14 anos. São indi­cadas duas dos­es, com inter­va­lo de seis meses entre elas. Pes­soas imunos­suprim­i­das tam­bém devem ser vaci­nadas.

Rastreamento

O lev­an­ta­men­to mostrou que 75% dos profis­sion­ais ouvi­dos ini­ci­avam o ras­trea­men­to de mul­heres con­tra o câncer de colo do útero antes dos 25 anos, ou seja, fora da faixa recomen­da­da, que é a par­tir dos 25 até os 64 anos, o que gera des­perdí­cio de recur­sos humanos e insumos. Além dis­so, 93% ras­t­reavam com peri­od­i­ci­dade anu­al, quan­do a recomen­dação é a cada três anos, após dois exam­es anu­ais sem anor­mal­i­dade.

Devem ser pri­or­izadas para o ras­trea­men­to mul­heres que nun­ca fiz­er­am o exame Papan­i­co­lau ou que fiz­er­am há mais de três anos. Flávia rela­tou que existe a práti­ca equiv­o­ca­da no país de começar a cole­ta de mate­r­i­al pre­ven­ti­vo quan­do a ado­les­cente ini­cia a ativi­dade sex­u­al. Out­ra práti­ca erra­da se ref­ere à cole­ta de mate­r­i­al para esse exame por sus­pei­ta de infecção vagi­nal ou cor­ri­men­to.

“O exame não é para isso. O Papan­i­co­lau é para detecção de lesão pre­cur­so­ra do câncer de colo do útero”. A pesquisado­ra afir­mou que o maior prob­le­ma de se col­her mate­r­i­al antes dos 25 anos é que o ras­trea­men­to abaixo dessa idade pode ser mais prej­u­di­cial do que bené­fi­co. “Porque abaixo dos 25 anos, a gente tem o pico de prevalên­cia de infecção por HPV. Então, a maio­r­ia das alter­ações que vamos encon­trar nes­sas ado­les­centes e mul­heres jovens é lig­a­da a essa infecção, e ela regride espon­tanea­mente em mais de 95% das vezes”. Flávia lem­brou que as recomen­dações do guia são baseadas em evidên­cias cien­tí­fi­cas ado­tadas em muitos país­es, não só no Brasil.

A Fun­dação do Câncer pre­tende ofer­e­cer aos profis­sion­ais de saúde um cur­so de reci­clagem, provavel­mente no segun­do semes­tre, basea­do nos resul­ta­dos encon­tra­dos na pesquisa. A primeira eta­pa do lev­an­ta­men­to mostrou que muitas mul­heres não fazem o exame pre­ven­ti­vo por descon­hec­i­men­to ou por ver­gonha. O estu­do con­cluiu ain­da que baixa ren­da, menor esco­lar­i­dade, cor da pele par­da ou negra, residên­cia em áreas urbanas pobres e rurais são fatores asso­ci­adas ao con­hec­i­men­to insat­is­fatório e a práti­cas equiv­o­cadas ref­er­entes à vaci­nação con­tra o HPV e ao ras­trea­men­to do câncer de colo do útero.

Mortalidade

Esse tipo de câncer atinge cer­ca de 16.710 mul­heres por ano no Brasil e gera, pelo menos, 6.500 mortes. O cirurgião oncológi­co Luiz Augus­to Mal­toni, dire­tor exec­u­ti­vo da Fun­dação do Câncer, disse que a ideia da enti­dade é infor­mar à pop­u­lação que a doença tem cura e é pos­sív­el pre­venir a par­tir de uma vaci­na disponív­el no sis­tema públi­co de saúde. Por isso, o tema foi definido como útero e uma redução da mor­tal­i­dade”, afir­mou Mal­toni.

A fun­dação quer tam­bém, com o guia, reforçar o papel dos profis­sion­ais de saúde que tra­bal­ham no recru­ta­men­to e na mobi­liza­ção da sociedade para a imu­niza­ção con­tra o HPV de cri­anças e ado­les­centes. “Por isso, temos tra­bal­ha­do e vamos tra­bal­har este ano até atin­gir os obje­tivos de redução do número de casos novos, da mor­tal­i­dade desse tipo de câncer. É fun­da­men­tal o papel da infor­mação cor­re­ta para esclare­cer a pop­u­lação sobre o con­t­role da doença”, disse ele.

Mal­toni acred­i­ta que será pos­sív­el con­tribuir para o Brasil diminuir as difer­enças region­ais em ter­mos de mor­tal­i­dade por câncer de colo do útero. Dados do Insti­tu­to Nacional do câncer (Inca) rev­e­lam que, em 2019, a taxa padroniza­da de mor­tal­i­dade pela pop­u­lação mundi­al na Região Norte foi de 12,58 mortes por 100 mil mul­heres, rep­re­sen­tan­do a primeira causa de óbito por câncer fem­i­ni­no nes­sa região.

No Nordeste, a taxa de mor­tal­i­dade de 6,66/100 mil foi a segun­da causa e na Região Cen­tro-Oeste, com taxa de 6,32/100 mil, a ter­ceira causa. As regiões Sul e Sud­este tiver­am as menores taxas (4,99/100 mil e 3,71/100 mil, respec­ti­va­mente) rep­re­sen­tan­do quin­ta e sex­ta posições, respec­ti­va­mente, entre os óbitos por câncer em mul­heres.

Edição: Graça Adju­to

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