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Um em cada quatro jovens relata ter sofrido violência no Brasil

Repro­dução: © Freep­ick

Informação está em relatório divulgado pela Fiocruz nesta segunda (11)


Pub­li­ca­do em 11/12/2023 — 17:06 Por Gilber­to Cos­ta — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Os brasileiros de 15 a 29 anos estão mais sujeitos à vio­lên­cia físi­ca, psi­cológ­i­ca e sex­u­al. Mais de um quar­to dos jovens (27%) afir­mou ter sido víti­ma algum tipo de agressão no inter­va­lo de 12 meses que ante­ced­er­am a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE) de 2019.

Naque­le ano, a taxa de vio­lên­cia para essa faixa etária (307,52 casos/100 mil pes­soas) foi 2,07 vezes maior quan­do com­para­da à da pop­u­lação adul­ta. No caso de ado­les­centes entre 15 e 19 anos, o dado é mais grave: 397 casos para cada 100 mil habi­tantes.

“Em todas as regiões do Brasil, a faixa etária dos jovens-ado­les­centes (15 aos 19 anos) for­ma o prin­ci­pal grupo de víti­ma de vio­lên­cia”, descreve o relatório Panora­ma da Situ­ação de Saúde dos Jovens Brasileiros de 2016 a 2022: Inter­secções entre Juven­tude, Saúde e Tra­bal­ho, divul­ga­do na tarde des­ta segun­da-feira (11) pela Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz).

Além dos dados da PNS, o dos­siê com­pi­la infor­mações da Pesquisa Nacional de Amostra Domi­cil­iar Con­tínua (Pnad/IBGE) e traz resul­ta­dos inédi­tos a par­tir de bases de dados do Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS). À época das pesquisas, a pop­u­lação de 15 a 29 anos cor­re­spon­dia a 49 mil­hões de pes­soas (23% dos brasileiros).

O estu­do foi feito por duas áreas da Fiocruz – a Coor­de­nação de Coop­er­ação Social da Presidên­cia e o Lab­o­ratório de Edu­cação Profis­sion­al em Infor­mações e Reg­istros em Saúde da Esco­la Politéc­ni­ca de Saúde Joaquim Venân­cio. Além das situ­ações de vio­lên­cia, o panora­ma tra­ta de condições de tra­bal­ho; impactos na saúde men­tal e mor­tal­i­dade.

De acor­do com o diag­nós­ti­co, a pos­si­bil­i­dade de um homem jovem mor­rer é qua­tro vezes maior do que uma mul­her — taxas de mor­tal­i­dade de 80,3% e 19,7%, respec­ti­va­mente. Entre os home­ns jovens, a pro­porção de pre­tos e par­dos que mor­rem pre­co­ce­mente (68%) é mais do que o dobro dos bran­cos (29%).

“Den­tre as prin­ci­pais causas de óbitos desta­cam-se forte­mente as causas exter­nas, rela­cionadas a vio­lên­cias e aci­dentes de trân­si­to. É na juven­tude que se encon­tram as mais altas taxas de mor­tal­i­dade por causas exter­nas.”

Trabalho e saúde

O dos­siê da Fiocruz apon­ta que 70,1% dos jovens entre 18 e 24 anos são mão de obra ocu­pa­da ou bus­can­do emprego. As condições de tra­bal­ho, no entan­to, são mais voláteis do que nos estratos mais vel­hos: estão mais expos­tos à infor­mal­i­dade e à rota­tivi­dade, têm jor­nadas mais exten­sas, mas com salários menores, e con­tam com menos pro­teção social.

“O tra­bal­ho faz parte da vida da juven­tude do Brasil. Eles tra­bal­ham muito, mas em condições piores”, resume a sociólo­ga Hele­na Abramo, respon­sáv­el pelo panora­ma. A pesquisado­ra assi­nala que, além da inten­sa ativi­dade, há “sobreposição de tra­bal­ho e estu­do” – metade dos que estu­dam tam­bém tra­bal­ha. No caso das mul­heres, essas são ain­da mais impactadas em razão do históri­co acú­mu­lo das tare­fas domés­ti­cas e cuida­dos com a família, ini­ci­a­do ain­da na juven­tude.

A car­ga de tra­bal­ho tem impacto na saúde de ambos os sex­os. “Quase metade (46,6%) dos jovens ocu­pa­dos com mais de 18 anos estiver­am expos­tos, ao menos uma vez nos últi­mos 12 meses que ante­ced­er­am a pesquisa, a algum fator que pode­ria afe­tar sua saúde no tra­bal­ho. Essa estatís­ti­ca equiv­ale a mais de um quar­to (28%) de todos os jovens brasileiros”, aler­ta o dos­siê.

Os “jovens do sexo mas­culi­no apre­sen­tam as maiores taxas e o maior vol­ume de inter­nações”. Mais de 54% dos jovens inter­na­dos foram do sexo mas­culi­no, apon­ta o doc­u­men­to, sub­lin­han­do que “transtornos men­tais foram a primeira causa de inter­nação entre home­ns jovens”. Esquizofre­nia, psi­cose, uso de múlti­plas dro­gas e out­ras sub­stân­cias psi­coa­t­i­vas e uso de álcool estão entre as prin­ci­pais causas.

Acidentes de trabalho

Panora­ma da Situ­ação de Saúde dos Jovens Brasileiros ain­da con­tabi­liza que, entre 2016 e 2022, foram notifi­ca­dos 1.045.790 aci­dentes de tra­bal­ho em todo o país. Quase um terço dos episó­dios envolveu jovens de 15 a 29 anos, 345.441 dos aci­den­ta­dos.

Os jovens entre 20 e 29 anos foram os que apre­sen­taram maior vul­ner­a­bil­i­dade a aci­dentes de tra­bal­ho. Oito de cada dez aci­den­ta­dos (78%) são home­ns. “As ocu­pações mais rela­cionadas aos aci­dentes estão na indús­tria, nos serviços e no comér­cio”, descreve o doc­u­men­to.

De acor­do com a Fiocruz, os dados com­pi­la­dos no panora­ma servirão como sub­sí­dios para for­mu­lação de políti­cas de saúde voltadas para a juven­tude. Para Hele­na Abramo, a sis­tem­ati­za­ção das ações pode aju­dar a preencher uma lacu­na na atu­ação do Esta­do. “Temos um cer­to acú­mu­lo de infor­mações sobre a ado­lescên­cia, e um número razoáv­el de ações em cur­sos para out­ros seg­men­tos”.

Edição: Juliana Andrade

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