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Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente, diz New York Times

Jornal dos EUA afirma que Venezuela foi alvo de imperialismo moderno

Lucas Pordeus León — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 03/01/2026 — 16:40
Brasília
Brasília (DF), 03/01/2026 - Capa do The New York Time. Print The New York Time
Repro­dução: © Print The New York Time

Um dos prin­ci­pais jor­nais dos Esta­dos Unidos (EUA) – o New York Times (NYT) – pub­li­cou neste sába­do (3) um edi­to­r­i­al crit­i­can­do as ações do gov­er­no de Don­ald Trump e chaman­do de ile­gal o ataque à Venezuela. Para o jor­nal, o país sul-amer­i­cano foi o primeiro alvo da nova dout­ri­na de segu­rança da Casa Bran­ca para Améri­ca Lati­na.

“Aparente­mente, a Venezuela tornou-se o primeiro país sujeito a esse impe­ri­al­is­mo mod­er­no, o que rep­re­sen­ta uma abor­dagem perigosa e ile­gal para o papel dos EUA no mun­do”, diz o tex­to assi­na­do pelo Con­sel­ho Edi­to­r­i­al do jor­nal nova iorquino.

O impe­ri­al­is­mo é o con­ceito usa­do quan­do “um país cen­tral se vale de seu maior pode­rio econômi­co, políti­co e mil­i­tar para sub­or­di­nar país­es per­iféri­cos de acor­do com seus próprios inter­ess­es”, expli­cou o sociól­o­go Raphael Seabra, pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade de Brasília (UnB).

Em cole­ti­va neste sába­do, Trump disse que vai gov­ernar a Venezuela até uma “tran­sição segu­ra” de gov­er­no, além de admi­tir que as petroleiras dos EUA vão explo­rar os recur­sos energéti­cos da Venezuela, que é a nação com a maior reser­va de petróleo com­pro­va­da do plan­e­ta.

O NYT rejeitou o argu­men­to do pres­i­dente norte-amer­i­cano de que Maduro seria líder de um car­tel de dro­gas. “A ale­gação é par­tic­u­lar­mente ridícu­la neste caso, vis­to que a Venezuela não é uma pro­du­to­ra sig­ni­fica­ti­va de fen­tanil ou das out­ras dro­gas”, disse o per­iódi­co.

O jor­nal acres­cen­tou que, ao mes­mo tem­po em que ata­ca­va bar­cos venezue­lanos, Trump con­ce­dia indul­to a Juan Orlan­do Hernán­dez, “que coman­da­va uma vas­ta oper­ação de nar­cotrá­fi­co quan­do era pres­i­dente de Hon­duras, de 2014 a 2022”. O indul­to a Hernán­dez ocor­reu no con­tex­to das eleições hon­duren­has, em que Trump apoiou o can­dida­to do par­tido do ex-pres­i­dente con­de­na­do.

“Seu gov­er­no jus­ti­fi­cou os ataques às peque­nas embar­cações ale­gan­do que elas rep­re­sen­tam uma ameaça ime­di­a­ta aos Esta­dos Unidos. Mas uma ampla gama de espe­cial­is­tas jurídi­cos e mil­itares rejei­ta essa ale­gação”, com­ple­tou o jor­nal.

Dominar a América Latina

Ain­da segun­do o New York Times, a expli­cação mais plausív­el para ação de Trump na Venezuela pode ser encon­tra­da na Estraté­gia de Segu­rança Nacional recen­te­mente divul­ga­da pela Casa Bran­ca. “Nela, o gov­er­no reivin­di­ca o dire­ito de dom­i­nar a Améri­ca Lati­na”, diz o tex­to.

No iní­cio de dezem­bro, o gov­er­no Trump pub­li­cou as dire­trizes da políti­ca exter­na da Casa Bran­ca reafir­man­do a “proem­inên­cia” dos EUA na Améri­ca Lati­na, o que foi lido como um reca­do à Chi­na.

Legitimidade internacional

O edi­to­r­i­al do NYT afir­ma ain­da que a ação de Trump, “sem qual­quer aparên­cia de legit­im­i­dade inter­na­cional”, corre o risco de fornecer jus­ti­fica­ti­va para out­ros gov­er­nos, como Chi­na e Rús­sia, dom­inarem “seus próprios viz­in­hos”.

O jor­nal nova iorquino avalia que Trump está empurran­do os EUA para uma crise inter­na­cional e lem­brou que o pres­i­dente pre­cis­aria pedir autor­iza­ção ao Con­gres­so para essa ação. “Sem a aprovação do Con­gres­so, suas ações vio­lam a lei dos EUA”, disse o NYT.

Em entre­vista neste sába­do, Trump argu­men­tou que não pre­cis­aria de autor­iza­ção do Con­gres­so porque a ação resul­tou “ape­nas” na prisão de duas pes­soas, não foi uma invasão “tradi­cional”.

“Se há uma lição fun­da­men­tal a ser apren­di­da com a políti­ca exter­na amer­i­cana no últi­mo sécu­lo, é que ten­tar der­rubar até mes­mo o regime mais deploráv­el pode pio­rar ain­da mais a situ­ação”, argu­men­tou o jor­nal estadunidense.

O NYT lem­brou que o país pas­sou 20 anos sem con­seguir esta­b­ele­cer um gov­er­no estáv­el no Afe­gan­istão e que, ao der­rubar o gov­er­no de Mua­mar Kadafi, na Líbia, criou um Esta­do frag­men­ta­do no norte da África.

“As trág­i­cas con­se­quên­cias da guer­ra de 2003 no Iraque con­tin­u­am a afe­tar os Esta­dos Unidos e o Ori­ente Médio. Ele ameaça replicar a arrogân­cia amer­i­cana que lev­ou à invasão do Iraque em 2003”, com­ple­tou o edi­to­r­i­al.

Ain­da segun­do o jor­nal, é grande o poten­cial para o caos na Venezuela.

“Ape­sar da cap­tura de Maduro, os gen­erais que apoiaram seu regime não desa­pare­cerão repenti­na­mente. Temem­os que o resul­ta­do do aven­tureiris­mo do Sr. Trump seja o aumen­to do sofri­men­to dos venezue­lanos, o cresci­men­to da insta­bil­i­dade region­al e danos duradouros aos inter­ess­es dos Esta­dos Unidos em todo o mun­do”, final­iza o jor­nal.

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