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Maioria planeja reaproveitar material escolar na volta às aulas

Cerca de 88% afirmam que os gastos afetam o orçamento familiar

Alice Rodrigues*
Pub­li­ca­do em 10/01/2026 — 10:37
Rio de Janeiro
Venda a varejo de material escolar em lojas da 25 de Março, região central.
Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Oito em cada dez brasileiros com fil­hos em idade esco­lar pre­ten­dem reaproveitar os mate­ri­ais do ano pas­sa­do. A esti­ma­ti­va é resul­ta­do de uma pesquisa do Insti­tu­to Loco­mo­ti­va, em parce­ria com a Ques­tion­Pro, levan­tou dados sobre como as famílias brasileiras estão se orga­ni­zan­do para a vol­ta às aulas de 2026.

O pres­i­dente do Insti­tu­to Loco­mo­ti­va, Rena­to Meirelles, avalia que “a parte otimista das con­clusões obti­das é que esse movi­men­to mostra mais plane­ja­men­to do que deses­pero”.

“As famílias estão fican­do mais ‘profis­sion­ais’ em lidar com orça­men­to cur­to”, afir­ma.

Impacto financeiro

A pesquisa apon­ta que a bus­ca por econo­mia se tornou uma estraté­gia cen­tral das famílias diante dos cus­tos asso­ci­a­dos ao iní­cio do ano esco­lar. Ain­da assim, esse cus­to gera des­gastes finan­ceiros. Entre as cat­e­go­rias mais citadas estão mate­r­i­al esco­lar (89%), uni­forme (73%) e livros didáti­cos (69%).

Cer­ca de 88% dos brasileiros que vão às com­pras afir­mam que os gas­tos afe­tam o orça­men­to famil­iar, per­cepção que é mais acen­tu­a­da em famílias de menor ren­da.

Para 52% das class­es D e E, o impacto é con­sid­er­a­do muito grande. Entre as class­es A e B, esse per­centu­al cai para 32%.

Além dis­so, 84% dos entre­vis­ta­dos afir­mam que os preços dos mate­ri­ais esco­lares influ­en­ci­am decisões em out­ras áreas, como laz­er, ali­men­tação ou con­tas do mês.

E quan­do se deparam com preços aci­ma do esper­a­do, dois em cada três brasileiros optam por sub­sti­tuir o item por uma mar­ca mais bara­ta.

As lojas físi­cas con­tin­u­am sendo o prin­ci­pal canal de com­pra para 45% dos brasileiros. Out­ros 39% afir­mam que pre­ten­dem com­bi­nar com­pras em lojas físi­cas e online. Uma parcela de 16% plane­ja adquirir a maior parte do mate­r­i­al exclu­si­va­mente pela inter­net, o que indi­ca um com­por­ta­men­to de con­sumo cada vez mais híbri­do.

Tendências de compra

Rio de Janeiro (RJ), 09/01/2026 - Brasileiros vão reaproveitar material escolar na volta às aulas 2026. Priscilla Pires e o seu filho Gabriel. Foto: Priscilla Pires/Arquivo Pessoal
Repro­dução: Priscil­la Pires e o seu fil­ho Gabriel. Foto: Priscil­la Pires/Arquivo Pes­soal

Para a con­sul­to­ra de ven­das Priscil­la Pires, de 40 anos, mãe do Gabriel, de 13, a orga­ni­za­ção para as com­pras começa ain­da em dezem­bro, sep­a­ran­do parte do paga­men­to do 13° e com­ple­tan­do com parce­las no cartão de crédi­to. A morado­ra do Rio de Janeiro con­ta que o obje­ti­vo é equi­li­brar qual­i­dade, orça­men­to e as von­tades da cri­ança, reaprovei­tan­do o que estiv­er fun­cional.

“Eu sem­pre procuro uma loja que sei ter bom preço e acabo com­pran­do todo o mate­r­i­al no mes­mo lugar por con­veniên­cia. Não procuro muito nem vou em várias lojas”, con­ta Priscil­la, que con­fir­ma que os gas­tos afe­tam bas­tante o plane­ja­men­to finan­ceiro.

“Prin­ci­pal­mente os livros, que são itens essen­ci­ais. O mate­r­i­al, podemos ajus­tar de acor­do com o orça­men­to e neces­si­dade, mas os livros não nos dão essa escol­ha. Sem dúvi­da, o mate­r­i­al didáti­co é a parte mais cara”, com­ple­ta.

Rio de Janeiro (RJ), 09/01/2026 - Brasileiros vão reaproveitar material escolar na volta às aulas 2026. Priscila Alves e o seu filho Carlos. Foto: Priscila Alves/Arquivo Pessoal
Repro­dução: Priscila Alves e o seu fil­ho Car­los. Foto: Priscila Alves/Arquivo Pes­soal

Já a pro­fes­so­ra Priscila Alves, de 40 anos, pref­ere se adi­antar e, antes do fim do ano, entra em con­ta­to com a esco­la do fil­ho Car­los, de 5 anos, para pedir a lista de mate­ri­ais da próx­i­ma vol­ta às aulas. Lápis de cor, mochi­la, lancheira e esto­jo são alguns dos mate­ri­ais que ela reaprovei­ta, e o que pre­cisa repor é todo com­pra­do ain­da em dezem­bro, vis­i­tan­do diver­sas lojas para garan­tir a econo­mia.

“Quan­do vira o ano vêm os ajustes e tudo fica mais caro, então aca­ba que eu con­si­go ain­da faz­er essa joga­da de com­prar o mate­r­i­al esco­lar do meu fil­ho ali no ano ante­ri­or. As pes­soas falam ‘ah, você é malu­ca, o natal é a pri­or­i­dade’, mas aí eu ago­ra eu vejo as mães, os pais, todo mun­do recla­man­do que as coisas estão muito mais caras. Então é dessa for­ma que eu tra­bal­ho, né?”, disse.

Bus­can­do garan­tir o equi­líbrio nas con­tas, para além do tra­bal­ho como pro­fes­so­ra, Priscila Alves con­ta com out­ros recur­sos, como aulas par­tic­u­lares, e pequenos serviços que con­segue faz­er de casa.

*Estag­iária sob super­visão da jor­nal­ista Mar­i­ana Tokar­nia 

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