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Atração do Latinidades, Buika se declara à vida: “é um prêmio”

Repro­dução: © Abalg/Wkikimedia

Cantora espanhola quer aproveitar sua estadia no Brasil, país que ama


Pub­li­ca­do em 07/07/2023 — 07:28 Por Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

ouvir:

To fly is not an easy thing to do. First they wan­na teach you to do it wrong. They blame who was not there to learn. I rather learn from but­ter­flies”. Este é um tre­cho da úni­ca músi­ca com o títu­lo em por­tuguês, Cidade do Amor, do últi­mo álbum lança­do por Bui­ka, em 2015: Vivir sin miedo. Nes­sa músi­ca, em tradução livre, a can­to­ra espan­ho­la, con­sid­er­a­da uma das mel­hores vozes da atu­al­i­dade, descreve que voar não é fácil. “Primeiro, eles querem te ensi­nar erra­do. Eles cul­pam quem não esta­va lá para apren­der. Eu pre­firo apren­der com as bor­bo­le­tas”.

Em um hotel, em Brasília, às vésperas de se apre­sen­tar no Fes­ti­val Latinidades, Bui­ka con­ver­sou com a Agên­cia Brasil. Na entre­vista exclu­si­va, ela fala do seu amor pelo Brasil e tam­bém do amor por si própria, con­ta como tra­bal­ha para se ouvir mais em vez de esper­ar a aprovação de out­ras pes­soas. A rain­ha do fla­men­co fala tam­bém sobre o que con­sid­era o maior prêmio de todos: a vida. Em vez de esper­ar per­mis­são para voar, Bui­ka escol­he viv­er todos os dias inten­sa­mente, porque, como diz out­ro tre­cho de Cidade do Amor, “a vida, às vezes, dura ape­nas um dia”.

A con­ver­sa começa com o tema do fes­ti­val deste ano, “Bem Viv­er”: “Bem viv­er é se dar a opor­tu­nidade de ter vin­do a esse mun­do para cumprir a mis­são para a qual se foi des­ig­na­da. Porque, afi­nal, é impor­tante ter uma boa profis­são, ter um bom sta­tus social, mas o impor­tante é sair dessa vida ten­do claro que a viveu até o fim”, diz, Bui­ka. “Enten­da que a sua vida é um prêmio. Você está sendo pre­mi­a­da. Não pre­cisa que ninguém mais te pre­mie. Aman­hã, pos­sivel­mente, uma por­cent­agem da pop­u­lação mundi­al não abrirá os olhos. Se você abre, é um mila­gre. E tem que ser cel­e­bra­do, é um dia de cel­e­bração”, com­ple­men­ta.

Para viv­er essa mis­são e, prin­ci­pal­mente, para se aceitar, Bui­ka defende que o impor­tante não é esper­ar a aprovação dos demais. “Eu sin­to que, infe­liz­mente, esta­mos muito vici­a­dos na aprovação dos demais. Se você se apro­va, está bem, entende? Somos muito víti­mas da aprovação, muito víti­mas que os out­ros nos digam que somos boni­tas para que acred­ite­mos. Somos víti­mas de que os demais nos digam que faze­mos algo bem. Eu me sin­to boni­ta. Não neces­si­to que ninguém me diga que sou boni­ta, eu me sin­to boni­ta”.

María Con­cep­ción Bal­boa Bui­ka, con­heci­da com Con­cha Bui­ka, nasceu em 1972, em Pal­ma, na ilha espan­ho­la de Maior­ca. É fil­ha de refu­gia­dos políti­cos da Guiné Equa­to­r­i­al. O álbum Niña de Fuego, de 2008, foi indi­ca­do como álbum do ano no Gram­my Lati­no e La Noche Más Larga foi indi­ca­do como mel­hor álbum de jazz lati­no no Gram­my de 2014. El Últi­mo Tra­go (2009), álbum grava­do em parce­ria com o pianista cubano Chu­cho Valdés, venceu o Gram­my Lati­no 2010 como mel­hor álbum trop­i­cal tradi­cional. Segun­do o por­tal Geledés, ela é com­para­da a nomes como Nina Simone, Cesaria Evo­ra e Chavela Var­gas.

Bui­ka descreve a arte como um remé­dio: “A arte, na real­i­dade, é um remé­dio para a alma. É um remé­dio que Deus pôs na Ter­ra para curar, porque a arte aju­da a curar a sociedade, sobre­tu­do as sociedades que são víti­mas de guer­ra, de ódio. A arte tem um papel curador muito grande e é muito impor­tante para a vida das pes­soas”.

Ape­sar de se apre­sen­tar no fes­ti­val ape­nas um dia, Bui­ka esten­deu em uma sem­ana a esta­dia no Brasil, pois, segun­do ela, estar aqui é ter um dese­jo real­iza­do. “Brasil é um pre­sente para este mun­do e é um paraí­so para a músi­ca. Os músi­cos brasileiros, os can­tores, são um pre­sente para a humanidade”.

Ela con­ta que pre­tende, nos próx­i­mos dias, “vis­i­tar, ver e sabore­ar” o país. “Quero com­er pican­ha”, diz sor­rindo. “Vir ao Brasil já realizar um dese­jo. O que vem daqui já não é músi­ca brasileira, é do mun­do. Acred­i­to que seja bom para o Brasil e para os brasileiros, que se diga que o mun­do inteiro o con­sid­era um pre­sente. Os brasileiros são um pre­sente para o mun­do”.

Bui­ka apre­sen­ta-se no sába­do (8), no Museu Nacional da Repúbli­ca, em Brasília, como parte da pro­gra­mação do Fes­ti­val Latinidades. Além de Bui­ka, apre­sen­tam-se Dj Beat­mil­la (DF), Letí­cia Fial­ho (DF), Bel­laDona (DF), Dj Aisha Mbik­i­la (DF/SP), A Dama (BA) e Flo­ra Matos (DF/SP). Os shows serão trans­mi­ti­dos pela Rádio Nacional.

O Fes­ti­val é con­sid­er­a­do hoje o maior fes­ti­val de mul­heres negras da Améri­ca Lati­na. As ações que com­põem a pro­gra­mação do fes­ti­val são: debates, palestras, ofic­i­nas, vivên­cias, painéis, con­fer­ên­cias, lança­men­tos literários, roda­da de negó­cios, des­files e apre­sen­tações de dança, teatro e músi­ca.

Edição: Marce­lo Brandão

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