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Brasil já perdeu 33% das áreas naturais de seu território

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Dados são do levantamento da MapBiomas, divulgados nesta quarta-feira


Publicado em 21/08/2024 — 07:15 Por Fabíola Sinimbú — Repórter da Agência Brasil — Brasília

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A cober­tu­ra e o uso da ter­ra pela ação do homem no Brasil con­tin­u­am a mudar aumen­tan­do os riscos climáti­cos, apon­ta um mapea­men­to divul­ga­do, nes­ta quar­ta-feira (21), pela Map­Bio­mas. De acor­do com o estu­do que anal­isa dados de 1985 a 2023, o país já acu­mu­la um sal­do neg­a­ti­vo de 33% das áreas nat­u­rais de seu ter­ritório, que incluem a veg­e­tação nati­va dos bio­mas, super­fí­cie de água e áreas nat­u­rais não veg­e­tadas, como pra­ias e dunas.

“A per­da da veg­e­tação nati­va nos bio­mas brasileiros tende a impactar neg­a­ti­va­mente a dinâmi­ca do cli­ma region­al e diminui o efeito pro­te­tor durante even­tos climáti­cos extremos”, expli­ca o coor­de­nador ger­al do Map­Bio­mas, Tas­so Azeve­do.

Nos últi­mos 39 anos, o Brasil perdeu 110 mil­hões de hectares dessas áreas, o que equiv­ale a 13% do ter­ritório do país, os out­ros 20% já havi­am sofri­do mudança ante­ri­or­mente. Esse resul­ta­do tam­bém leva em con­sid­er­ação o mapea­men­to de veg­e­tação nati­va recu­per­a­da a par­tir de 2008, quan­do Códi­go Flo­re­stal foi reg­u­la­men­ta­do pelo Decre­to nº 6.514 que esta­b­ele­ceu mecan­is­mos de sanção e com­pen­sação por danos ambi­en­tais.

Brasília (DF), 28/05/2024 - O coordenador geral do Mapbiomas, Tasso Azevedo, durante o lançamento do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2023. O relatório traz um raio-x do desmatamento no Brasil em diferentes recortes territoriais e fundiários. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Repro­dução: Brasília — O coor­de­nador-ger­al do Map­bio­mas, Tas­so Azeve­do, durante o lança­men­to do Relatório Anu­al do Des­mata­men­to no Brasil 2023. O relatório traz um raio‑x do des­mata­men­to no Brasil em difer­entes recortes ter­ri­to­ri­ais e fundiários. Foto: Marce­lo Camargo/Agência Brasil — Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Municípios

Enquan­to no ter­ritório de 37% dos municí­pios brasileiros hou­ve gan­ho de veg­e­tação nati­va, 45%, ou seja, quase metade dos 5.570 municí­pios do país tiver­am sal­do neg­a­ti­vo na cober­tu­ra de área nat­ur­al no perío­do. Os out­ros 18% se man­tiver­am estáveis entre 2008 e 2023, ou seja, o sal­do entre o gan­ho e per­da das áreas nat­u­rais foram menores que 2% ao lon­go do perío­do.

“A veg­e­tação secundária já está clas­si­fi­ca­da como flo­res­ta, incluí­da na área nati­va em 2023. Então, ele pode ter sido des­mata­da ou teve uma queima sev­era e foi mapea­da como pastagem, mas depois que ela recu­pera ela vol­ta a ser con­sid­er­a­da como flo­res­ta”, infor­mou o coor­de­nador téc­ni­co da Map­bio­mas, Mar­cos Reis Rosa.

Os dados da Coleção 9 de mapas anu­ais de cober­tu­ra e uso da ter­ra foram con­sol­i­da­dos a par­tir do mon­i­tora­men­to de 29 mapas com anális­es, por exem­p­lo, da cober­tu­ra do solo e uso da ter­ra, a par­tir de difer­entes recortes de ter­ritório, como bio­mas, municí­pios, ter­ras públi­cas e pri­vadas. Na pub­li­cação, há novos mapas como o recorte de fitofi­siono­mias, que são as car­ac­terís­ti­cas das veg­e­tações region­al­izadas, por exem­p­lo.

Biomas

A par­tir desse vol­ume de infor­mação, os pesquisadores chegaram à con­clusão de que o Brasil man­teve até 2023 ape­nas 64,5% da veg­e­tação nati­va, além das super­fí­cies de água e áreas nat­u­rais não veg­e­tadas, como pra­ias e dunas, que cor­re­spon­dem a 2,5% do seu ter­ritório. Dos 110 mil­hões de hectares de veg­e­tação nati­va suprim­i­da, 55 mil­hões de hectares foram na Amazô­nia, 38 mil­hões de hectares no Cer­ra­do, a Caatin­ga perdeu 8,6 mil­hões de hectares e 3,3 mil­hões de hectares per­di­dos estão no Pam­pa.

Pampa Sul-Americano perdeu 20% de vegetação campestre, diz MapBiomas. Foto: MapBiomas.Org
Repro­dução: Pam­pa Sul-Amer­i­cano perdeu 20% de veg­e­tação campestre, diz Map­Bio­mas. Foto: MapBiomas.Org — MapBiomas.Org

No Pan­tanal hou­ve uma per­da sig­ni­fica­ti­va na super­fí­cie de água, que em 1985 rep­re­sen­ta­va 21% dos 15,1 mil­hões de hectares do bio­ma no Brasil. Em 2023, a água pas­sou a rep­re­sen­tar ape­nas 4% do ter­ritório pan­taneiro. Já as áreas de veg­e­tação her­bácea e arbus­ti­va aumen­taram de 36% em 1985 para 50% do bio­ma em 2023

De acor­do com o pesquisador Eduar­do Vélez Mar­tin, os dados disponi­bi­liza­dos na platafor­ma Map­bio­mas per­mitem com­preen­der a dinâmi­ca ter­ri­to­r­i­al de maior ou menor acel­er­ação da taxa de per­da ao lon­go do tem­po. “A gente vê por exem­p­lo que o Cer­ra­do e o Pam­pa têm uma per­da pro­por­cional muito alta, prati­ca­mente em torno de 27% e 28% do que tin­ha em 1985. Isso mostra uma tendên­cia muito grande e acel­er­a­da de mudança ness­es 39 anos, em con­traste com out­ros bio­mas, por exem­p­lo o Pan­tanal”, diz.

Florestas públicas

Alto Alegre (RR), 10/02/2023 - Áreas de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami vistas em sobrevoo ao longo do rio Mucajaí. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Alto Ale­gre (Roraima),  Áreas de garim­po ile­gal na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi vis­tas em sobrevoo ao lon­go do rio Muca­jaí. Foto: Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Pela primeira vez, foi real­iza­do um recorte na per­da de cober­tu­ra veg­e­tal das flo­restas públi­cas não des­ti­nadas, ou seja, aque­las em que a União ain­da não definiu o uso da ter­ra, como Unidades de Con­ser­vação, Ter­ras Indí­ge­nas e con­cessões flo­restais e que rep­re­sen­tam 13% da Amazô­nia Legal. Atual­mente, essas flo­restas ain­da man­têm 92% de sua área cober­ta por veg­e­tação nati­va.

Já nas flo­restas públi­cas des­ti­nadas, as Ter­ras Indí­ge­nas são as áreas mais preser­vadas no país, onde a per­da de veg­e­tação nati­va foi equiv­a­lente a menos de 1% em 39 anos. Elas cor­re­spon­dem a 13% de todo o ter­ritório nacional.

Áreas privadas

As áreas nat­u­rais sofr­eram maior impacto em pro­priedades pri­vadas, onde a per­da foi de 28% em 39 anos. No total de 281 mil­hões de hectares con­ver­tidos pela ação do homem até 2023, 60% está em pro­priedades pri­vadas. Hou­ve uma expan­são de 228% das áreas que foram con­ver­tidas em agri­cul­tura e 76% nas que pas­saram a ser pastagem, depois de 1985.

Quan­do o rele­vo é anal­isa­do, foi obser­va­da uma difer­ença entre a zona rur­al e áreas urbanas. Ter­ras mais planas foram mais afe­tadas no cam­po, onde regiões com incli­nação de 0 a 3% perder­am 20% de sua cober­tu­ra nati­va. Já nas zonas urbanas, as áreas de encostas, com incli­nação supe­ri­or a 30%, foram as que sofr­eram redução da veg­e­tação nati­va, uma média de 3,3% ao ano.

“Essa infor­mação sobre a declivi­dade pode ser um dos fatores para entendi­men­to de out­ros proces­sos como os ero­sivos, desliza­men­tos, infil­tração da água no solo. Então, quan­do a gente pen­sa em risco climáti­co, o tipo de ter­reno tam­bém é fun­da­men­tal para pen­sar em zonea­men­to e áreas des­ti­nadas à con­ser­vação”, con­clui a pesquisado­ra do Insti­tu­to de Pesquisa Ambi­en­tal da Amazô­nia e da Map­bio­mas, Bár­bara Cos­ta.

Edição: Aécio Ama­do

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