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Estudo revela efetividade das ações de conservação ambiental

Repro­dução: © Jorge Araújo/Fotos Pub­bli­cas

Trabalho analisa 186 pesquisas e 665 ensaios de diferentes países


Publicado em 18/05/2024 — 08:58 Por Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil — Brasília

Um estu­do sobre pesquisas que anal­is­aram os impactos das ações de con­ser­vação ambi­en­tal rev­el­ou que ini­cia­ti­vas como cri­ação de áreas pro­te­gi­das, con­t­role de espé­cies e restau­ração da veg­e­tação nati­va são efi­cientes para mel­ho­rar a bio­di­ver­si­dade ou desacel­er­ar o dese­qui­líbrio de ecos­sis­temas. Os resul­ta­dos, obti­dos em escala glob­al, foram lança­dos no Brasil neste sába­do (18) por um dos autores, o pesquisador Mar­tin Harp­er, da rede glob­al Birdlife Inter­na­cional.

Com o títu­lo The pos­i­tive impact of con­ser­va­tion action (O impacto pos­i­ti­vo da ação de con­ser­vação), o estu­do foi recen­te­mente pub­li­ca­do na Sci­ence, um dos per­iódi­cos cien­tí­fi­cos mais con­ceitu­a­dos no mun­do. O estu­do traz resul­ta­dos alcança­dos em 2021, com base na análise de 186 pesquisas e 665 ensaios de difer­entes partes do mun­do, com alcance de 100 anos de inves­ti­gações cien­tí­fi­cas sobre ini­cia­ti­vas de con­ser­vação da bio­di­ver­si­dade.

De acor­do com o estu­do, a efe­tivi­dade das ações foi com­pro­va­da em mais de 50% das amostras de pesquisas e em dois terços dos casos anal­isa­dos; e o declínio da bio­di­ver­si­dade, como per­da de espé­cies da fau­na e da flo­ra, foi desacel­er­a­do. Out­ra con­clusão foi de que tais ações são efi­cazes em difer­entes local­iza­ções geográ­fi­cas, bio­mas e sis­temas políti­cos.

Segun­do Harp­er, o estu­do bus­ca con­tribuir com evidên­cias cien­tí­fi­cas que pos­sam ori­en­tar a con­strução de políti­cas públi­cas e leg­is­lações em difer­entes país­es. “Fun­da­men­tal­mente, é pre­ciso que gov­er­nos em todo o mun­do traduzam os com­pro­mis­sos descritos no Mar­co Glob­al de Bio­di­ver­si­dade de Kun­ming-Mon­tre­al – ado­ta­do por quase 200 gov­er­nos em 2022 – em estraté­gias nacionais e planos de ação apoia­dos por finan­cia­men­to ade­qua­do.”

Ape­sar do efeito pos­i­ti­vo das ações de con­ser­vação, a pesquisa  tam­bém desta­ca o declínio da bio­di­ver­si­dade, um dado con­fir­ma­do por out­ros estu­dos como o da União Inter­na­cional para Con­ser­vação da Natureza, que apon­ta a existên­cia de 44 mil espé­cies doc­u­men­tadas em risco de extinção.

Insuficiência de ações

Para Harp­er. é pos­sív­el con­cluir que o vol­ume das ações de con­ser­vação ambi­en­tal ain­da é insu­fi­ciente para man­ter os serviços ecos­sistêmi­cos equi­li­bra­dos. “O Fórum Econômi­co Mundi­al sug­eriu que a per­da de bio­di­ver­si­dade e o colap­so do ecos­sis­tema são o ter­ceiro maior risco para a econo­mia mundi­al na próx­i­ma déca­da”, lem­brou.

Para o dire­tor exec­u­ti­vo da Save Brasil, parte inte­grante da Birdlife Inter­na­cional, Pedro Deve­ley, o vol­ume insu­fi­ciente de ações de con­ser­vação impacta neg­a­ti­va­mente de for­ma mais efe­ti­va país­es com mui­ta bio­di­ver­si­dade, como o Brasil.

Segun­do o biól­o­go, catástro­fes climáti­cas como a do Rio Grande do Sul evi­den­ci­am isso e reforçam a urgên­cia de inves­ti­men­to. “Pre­cisamos de mais incen­ti­vo e mais recur­so para pesquisa e tam­bém mais inves­ti­men­to na con­ser­vação, tra­bal­hos de con­ser­vação de pon­ta, que são caros, mas para restau­rar é mais caro”, enfa­ti­zou Deve­ley.

As pesquisas brasileiras usadas na amostra do estu­do tam­bém apon­taram efe­tivi­dade da des­ti­nação de ter­ras públi­cas para a cri­ação de unidades de con­ser­vação e de ter­ritórios indí­ge­nas na Amazô­nia.

Para Deve­ley, isso traz ori­en­tações impor­tantes para o Brasil, mostran­do que, ape­sar de o país ter uma leg­is­lação forte, ain­da é necessário efe­ti­var ações como a des­ti­nação ade­qua­da de ter­ras públi­cas, a reg­u­lar­iza­ção da situ­ação fundiária em áreas pri­vadas e uma fis­cal­iza­ção maior sobre o mane­jo dos bio­mas. “Com von­tade políti­ca, é pos­sív­el tudo isso, mas é pre­ciso tam­bém apoio da sociedade, porque con­ser­vação é impor­tante para todo mun­do, é impor­tante para a nos­sa vida.”

Edição: Nádia Fran­co

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