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Imperatriz Leopoldinense mostrará viagem de Oxalá ao reino de Xangô

Carnavalesco diz que é seu primeiro enredo mergulhado na estética afro

Cristi­na Indio do Brasil – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 23/02/2025 — 11:07
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro- 21/02/2025- Alegoria da Imperatriz escola em 2025 Crédito: Divulgação Imperatriz/ Redes Sociais Leandro Vieira
Repro­dução: © Divul­gação Imperatriz/ Redes Soci­ais Lean­dro Vieira

Se depen­der do envolvi­men­to que os com­po­nentes da Imper­a­triz Leopoldinense vêm demon­stran­do com o enre­do deste ano, a esco­la vai para a Mar­quês de Sapu­caí com mui­ta empol­gação. Havia quase 50 anos que a esco­la não se apre­sen­ta­va com um tema afro e este era uma anseio da comu­nidade, ple­na­mente aten­di­do pelo car­navale­sco Lean­dro Vieira, que criou o enre­do Ómi Tútu ao Olú­fon — Água Fres­ca para o Sen­hor de Ifón.

“Na ver­dade, tem quase 50 anos que a Imper­a­triz não faz isso, mas talvez há 50 anos a Imper­a­triz fos­se dese­josa dis­so. Os com­po­nentes estão felicís­si­mos, can­tan­do, porque a esco­la de sam­ba tem uma lig­ação muito forte com as matrizes afro. Está todo mun­do mer­gul­ha­do em um ambi­ente comum para uma esco­la sub­ur­bana, da per­ife­ria, for­ma­da, quase na exclu­sivi­dade, por home­ns e mul­heres pre­tos”, disse Lean­dro Vieira à Agên­cia Brasil.

No des­file, a Verde, Bran­co e Ouro, de Ramos, zona norte do Rio, vai mostrar a viagem de Oxalá ao Reino de Xangô. “É a primeira vez que eu real­i­zo um des­file mer­gul­ha­do na estéti­ca afro. Isso já imprime um cer­to aspec­to, uma cer­ta visu­al­i­dade que con­tribui. Como o car­naval, o des­file de uma esco­la de sam­ba é uma ativi­dade audio­vi­su­al. É muito impor­tante que a visu­al­i­dade este­ja condi­ciona­da ao som e que o som este­ja condi­ciona­do à visu­al­i­dade. Quem olhar a Imper­a­triz e quem ouvir a Imper­a­triz vai encon­trar áudio e visu­al de mãos dadas”, disse Lean­dro.

Na parte da sonori­dade, tam­bém havia uma von­tade grande de ter um enre­do como este, que tem uma questão musi­cal muito impor­tante.” Um enre­do deste tipo guar­da tam­bém mui­ta musi­cal­i­dade. Era um pedi­do do mestre de bate­ria, um pedi­do do can­tor, que a Imper­a­triz estivesse mer­gul­ha­da em um enre­do de sonori­dade afro. Isso foi uma von­tade de aten­der tam­bém os dese­jos das pes­soas que tra­bal­ham comi­go. Acho que esco­la de sam­ba é time, e é bom quan­do o time todo é con­tem­pla­do com a pos­si­bil­i­dade de acer­to”, afir­mou o car­navale­sco.

A apos­ta para con­quis­tar o títu­lo do car­naval de 2025 é o envolvi­men­to da comu­nidade. “Min­ha ideia é seguir o tra­bal­ho que tem sido feito, o inves­ti­men­to do poder da comu­nidade da Imper­a­triz, no can­to, na dança e na evolução. A min­ha parte de visu­al­i­dade é uma parte que quer ser boni­ta, grandiosa, mas o meu prin­ci­pal tra­bal­ho é primeiro a tra­bal­har esteti­ca­mente para estar à altura do can­to, da dança e da evolução da Imper­a­triz. Segun­do, con­stru­ir uma estéti­ca que não prej­udique nem o can­to nem a dança da Imper­a­triz”, expli­cou.

Setores

Rio de Janeiro- 21/02/2025- Alegoria da Imperatriz escola em 2025 Crédito: Divulgação Imperatriz/ Redes Sociais Leandro Vieira
Repro­dução: Detal­he de uma das ale­go­rias que a Imper­a­triz Leopoldinense apre­sen­tará no des­file deste ano — Divul­gação Imperatriz/ Redes Soci­ais Lean­dro Vieira
O des­file da Imper­a­triz vai começar jus­ta­mente com a par­ti­da de Oxalá para a visi­ta a Xangô.

“Como o enre­do da Imper­a­triz é debruça­do sobre um Itã [relatos míti­cos da cul­tura Iorubá], que fala da von­tade de Oxalá de vis­i­tar Xangô, eu começo com um bran­co que é a saí­da de Oxalá do seu reino de Ifón. Tem os antecedentes da viagem e, no meio dis­so, tem os per­calços da viagem [quan­do  se encon­tra com Exu sem entre­gar os agra­dos recomen­da­dos]. Na sequên­cia, o ban­ho de Oxalá encer­ra o Itã. Encer­ran­do o des­file como um todo, tem a cer­imô­nia das águas de Oxalá. que é o resul­ta­do do Itã”, detal­hou Lean­dro.

Quesito importante

A comis­são de frente é um que­si­to impor­tante e muito dis­puta­do entre as esco­las para chegar ao campe­ona­to, e a Imper­a­triz con­ta com um pre­mi­a­do. Des­de 2020, o coreó­grafo Patrick Car­val­ho, tem con­quis­ta­do dos jura­dos notas 10, tan­to no Grupo Espe­cial como na Série Ouro, o que se cos­tu­ma chamar pop­u­lar­mente de ‘gabar­i­tar o que­si­to’.

Este ano, a bus­ca pelas notas máx­i­mas para aju­dar a Verde, Bran­co e Ouro a con­quis­tar nova­mente um títu­lo começou há um ano com as pesquisas de Patrick para chegar à con­clusão do cam­in­ho que dev­e­ria seguir. Os bailar­i­nos artis­tas que vivem da dança, que inte­gram a comis­são, estão tra­bal­han­do há qua­tro meses, quan­do fiz­er­am a audição para escol­ha do elen­co. “Comi­go é o ano inteiro: assim que sai o enre­do, a gente já começa a tra­bal­har muito forte”, disse Patrick à Agên­cia Brasil.

O coreó­grafo não enfren­tou difi­cul­dades para desen­volver o seu tra­bal­ho, “Não estou enfrentan­do desafios porque é um enre­do muito dire­to, é muito ok, muito sim­ples. Na ver­dade, a maior difi­cul­dade é trans­for­mar o sim­ples no genial, porque é muito difí­cil con­seguir faz­er o sim­ples ser genial, porque na ver­dade o mais boni­to é o sim­ples. É mui­ta con­tro­vér­sia, tipo, pre­cisa ser sim­ples, mas pre­cisa ser genial. Para ser genial, você não pode sair do sim­ples, porque você perde a mão, enten­deu? Então essa briga é comi­go mes­mo.”

Patrick Car­val­ho recon­heceu que a cul­tura pre­ta mar­ca o enre­do forte, mas foi pos­sív­el elab­o­rar a core­ografia para sur­preen­der o públi­co. “Este ano vou tra­bal­har com uma coisa [com] que nun­ca tra­bal­hei e que é difí­cil de tra­bal­har. Estou apo­s­tan­do todas as fichas nesse efeito que vou levar para a aveni­da, para encan­tar a aveni­da. É aque­la coisa de se super­ar, de entre­gar à Imper­a­triz o que ela merece e pre­cisa ter de grandiosi­dade e com sim­pli­ci­dade de entrar e arrebatar a aveni­da.”

“Até antes desse enre­do, fui muito de escu­tar músi­cas de Oxalá, porque me traz uma paz e uma emoção muito grandes. É um mar­co cal­mo que é muito forte. Oxalá é o tem­po inteiro nesse lugar em que a cam­in­ha­da é deva­gar, mas é muito forte. As músi­cas de Oxalá sem­pre me inspi­raram muito, e ago­ra cai no meu colo um enre­do sobre Oxalá. Eu vou deitar e rolar”, deu pis­tas do que pre­tende mostrar na aveni­da.

Neste car­naval, Patrick está tra­bal­han­do com um elen­co todo ren­o­va­do. “Tirei todo mun­do que tra­bal­hou comi­go e que vin­ha do Salgueiro e das out­ras esco­las. Tirei real. Então, este ano é um elen­co com­ple­ta­mente novo com que nun­ca tra­bal­hei”, disse, infor­man­do que serão sete home­ns e sete mul­heres e um pivô.

Ao ser ques­tion­a­do se o pivô é Oxalá foi sucin­to na respos­ta. “É”.

Samba-enredo

Para Lean­dro Vieira, nos des­files, o sam­ba-enre­do é 95% do tra­bal­ho e os out­ros 5% são per­fumaria. “O sam­ba da gente está com­ple­ta­mente envolvi­do com a con­tação dis­so. É um grande sam­ba que a esco­la abraçou e can­ta a plenos pul­mões.”.

O intér­prete Pit­ty de Menezes con­cor­dou e disse que está bem con­fortáv­el com o sam­ba escol­hi­do, ain­da mais com o retorno que a comu­nidade está dan­do. “É muito gos­toso ver a comu­nidade feliz. É um reen­con­tro. A comu­nidade que­ria muito um enre­do afro e um sam­ba que fos­se afro tam­bém. A comu­nidade está can­tan­do muito, está pul­san­do. A comu­nidade está com mui­ta von­tade”, disse, ani­ma­do, à Agên­cia Brasil.

Pit­ty adiantou que o sam­ba per­mite faz­er umas bossas inter­es­santes com a bate­ria e com a parte musi­cal do car­ro de som. “Quan­do jun­ta todos ess­es ingre­di­entes está dan­do algo mar­avil­hoso. O pes­soal está can­tan­do demais. Não só a comu­nidade da esco­la, mas o car­naval, pes­soas de out­ras esco­las can­tan­do”, comen­tou o intér­prete, acres­cen­tan­do que a esco­la fez um ensaio com a Bei­ja-Flor na Estra­da da Miran­dela, local em que a agremi­ação de Nilópo­lis cos­tu­ma se apre­sen­tar e faz­er ensaios de rua.

“A gente viu todo mun­do da Bei­ja-Flor can­tan­do nos­so sam­ba. É mar­avil­hoso. A gente está com uma expec­ta­ti­va muito grande para este car­naval, com o enre­do mar­avil­hoso do Lean­dro Vieira, que dis­pen­sa comen­tários. Para mim, é um dos maiores car­navale­scos, e tra­bal­har com ele é uma hon­ra. O enre­do dele nos per­mi­tiu ter um sam­ba como esse. Um sam­ba aguer­ri­do, um sam­ba de fácil entendi­men­to com o enre­do e que está sendo muito can­ta­do. Estou bem esper­ançoso de gan­har mais uma estrela e levar para Ramos o grande títu­lo com que son­hamos”, disse, con­fi­ante.

A Imper­a­triz Leopoldinense soma 11 títu­los de campeã nos três difer­entes gru­pos de esco­las de sam­ba do car­naval do Rio de Janeiro. São nove títu­los no Grupo Espe­cial (1980, 1981, 1989, 1994, 1995, 1999, 2000, 2001 e 2023); um na Série Ouro, em 2020, quan­do voltou a des­fi­lar no Grupo Espe­cial; e um na que seria hoje a Série Pra­ta (ter­ceira divisão), em 1961.

Bateria

O intér­prete Pit­ty de Menezes elo­giou ain­da a bate­ria da esco­la. “É mar­avil­hosa. O mestre Lolo [que coman­da a bate­ria] é um irmão que o sam­ba me deu, foi um encon­tro. Foi espe­cial demais encon­trar o Lolo e faz­er parte desse time.”

Ele acres­cen­tou que des­de que chegou à esco­la, foram feitos os sam­ba do Lampião, o do Xax­a­do e out­ros. “A gente fez com a Cigana, um pagodea­do ali e, este ano, está trazen­do o toque dos orixás. Cada orixá, o toque de Xangô, o toque de Oxalá, o toque de Exu. Então, o sam­ba nos per­mite faz­er ess­es toques e levar para a Sapu­caí o con­hec­i­men­to dos toques dos orixás. Vai ser muito espe­cial”, afir­mou, ao comen­tar o bom desem­pen­ho da bate­ria em enre­dos ante­ri­ores.

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