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Quatro anos após incêndio, Museu Nacional apresenta fachada restaurada

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ao todo, cerca de 200 profissionais trabalharam na restauração


Pub­li­ca­do em 02/09/2022 — 18:34 Por Mar­i­ana Tokar­nia – Repórter da Agên­cia Brasil  — Rio de Janeiro

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Qua­tro anos após o incên­dio que destru­iu grande parte do acer­vo e do edifí­cio do Museu Nacional, a facha­da prin­ci­pal da sede foi inteira­mente restau­ra­da e apre­sen­ta­da hoje (2). A par­tir de aman­hã (3), o museu con­ta com inten­sa pro­gra­mação cul­tur­al e o públi­co poderá, pela primeira vez des­de a tragé­dia, se aprox­i­mar do edifí­cio. O crono­gra­ma de obras segue até 2027, quan­do a refor­ma dev­erá ser con­cluí­da e museu com­ple­ta­mente reaber­to. 

Jardim e fachada do Museu Nacional recuperados após o quatro anos do incêndio. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresenta um balanço das obras de reconstrução do Museu Nacional e a programação do bicentenãrio da independência.
Repro­dução: Jardim e facha­da do Museu Nacional recu­per­a­dos após o qua­tro anos do incên­dio — Tânia Rêgo/Agência Brasil

A cer­imô­nia de entre­ga da facha­da con­tou com autori­dades nacionais e rep­re­sen­tantes de enti­dades inter­na­cionais envolvi­das na recon­strução do pré­dio históri­co. “Isso demon­stra que o Museu Nacional vive e vive graças a vocês, que de mãos dadas nos aju­dam a recon­stru­ir essa insti­tu­ição. E, sub­lin­han­do que Museu Nacional per­tence à sociedade brasileira e, sim, a sociedade brasileira deve par­tic­i­par da sua recon­strução”, enfa­ti­za o dire­tor do museu, Alexan­der Kell­ner. 

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, durante coletiva em que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresenta um balanço das obras de reconstrução do Museu Nacional e a programação do bicentenário da independência.
Repro­dução: Dire­tor do Museu Nacional, Alexan­der Kell­ner, na inau­gu­ração da facha­da do Museu Nacional. — Tânia Rêgo/Agência Brasil

A recon­strução da facha­da bus­cou con­cil­iar tec­nolo­gia de pon­ta com téc­ni­cas arte­sanais para preser­var ao máx­i­mo a estru­tu­ra local. As 30 escul­turas cen­tenárias de már­more car­rara, por exem­p­lo, que estavam no topo do Palá­cio de São Cristóvão, foram restau­radas e pas­sarão a com­por as exposições do museu. No lugar delas foram posi­cionadas répli­cas feitas a par­tir de tec­nolo­gia de impressão em 3D. 

Fachada recuperada do Museu Nacional após quatro anos do incêndio. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresenta um balanço das obras de reconstrução do Museu Nacional e a programação do bicentenário da independência.
Repro­dução: Foram colo­cadas répli­cas feitas com tec­nolo­gia 3D no lugar das orig­i­nais, feitas em már­more car­rara e que serão exibidas em exposições  — Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Con­seguimos ape­sar da pan­demia. Não podemos esque­cer que enfrenta­mos, todos nós, um momen­to muito difí­cil para a humanidade, mas con­seguimos chegar até aqui para poder brindar o bicen­tenário da Inde­pendên­cia e mostrar que Brasil pode acon­te­cer, pode ser um país desen­volvi­do”, diz a reito­ra da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires de Car­val­ho, insti­tu­ição da qual o Museu Nacional faz parte. 

A diretora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, durante coletiva em que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresenta um balanço das obras de reconstrução do Museu Nacional e a programação do bicentenário da independência.
Repro­dução: Dire­to­ra da UFRJ, Denise Pires de Car­val­ho, durante cole­ti­va em que a Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ) apre­sen­ta um bal­anço das obras de recon­strução do Museu Nacional e a pro­gra­mação do bicen­tenário da inde­pendên­cia. — Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ao todo, cer­ca de 200 profis­sion­ais tra­bal­haram para restau­rar a facha­da frontal. Foi necessário con­sol­i­dar alve­nar­ias, restau­rar esquadrias, fer­ra­gens, gradis, pro­duzir 100 novas esquadrias, man­ten­do como refer­ên­cia as for­mas orig­i­nais que exis­ti­am até setem­bro de 2018.

Até o momen­to, as lajes de cober­tu­ra foram conc­re­tadas e imper­me­abi­lizadas; e 50% da estru­tu­ra metáli­ca e dos caibros foram insta­l­a­dos. Do total de ativi­dades con­tratadas para restau­rar fachadas, cober­turas e esquadrias do blo­co históri­co do palá­cio, 70% já foram exe­cu­tadas. A obra nas fachadas e cober­turas segue até fevereiro de 2023 e o orça­men­to total des­ta eta­pa é R$ 23,6 mil­hões.

Aberto ao público

Fachada recuperada do Museu Nacional após quatro anos do incêndio. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresenta um balanço das obras de reconstrução do Museu Nacional e a programação do bicentenário da independência.
Repro­dução: Públi­co poderá ver de per­to a facha­da recu­per­a­da a par­tir de sába­do (3) — Tânia Rêgo/Agência Brasil

A par­tir deste sába­do (3), o públi­co poderá se aprox­i­mar do pré­dio, pela primeira vez des­de o incên­dio de 2018. Para poder con­ferir a nova facha­da, o públi­co con­tará com a pro­gra­mação #Muse­u­Na­cional­Vive no Bicen­tenário, com exposições tem­porárias, ativi­dades educa­ti­vas e apre­sen­tações cul­tur­ais gra­tu­itas. A pro­gra­mação com­ple­ta está disponív­el no por­tal do pro­je­to Museu Nacional Vive.

Bicentenário da Independência

A entre­ga da facha­da mar­ca o bicen­tenário da Inde­pendên­cia do Brasil, no dia 7 de setem­bro. A data foi escol­hi­da, entre out­ros motivos, pela importân­cia que o pré­dio teve no perío­do. Pouco antes da procla­mação da Inde­pendên­cia, no dia 2 de setem­bro de 1822, a prince­sa Leopold­ina, casa­da com D. Pedro I, pre­sid­iu, enquan­to o príncipe esta­va em viagem a São Paulo, reunião do Con­sel­ho de Esta­do que resul­tou na recomen­dação de que ele declarasse a inde­pendên­cia do Brasil em relação a Por­tu­gal.

Leopoldina
Repro­dução: Prince­sa Leopold­ina — Reprodução/D. Leopold­ina; a história não contada/ Paulo Rez­zu­ti

O local tam­bém foi impor­tante em even­tos pos­te­ri­ores, até que o Brasil se tonasse uma repúbli­ca, e deix­as­se de ser gov­er­na­do pela família real, em 1889. “Nes­ta casa acon­te­ceu a primeira reunião da assem­bleia con­sti­tu­inte repub­li­cana. Então, o Museu Nacional faz parte da história e da tran­sição do Brasil Repúbli­ca e da tran­sição do Brasil que deixa de ser um país colô­nia de explo­ração e pas­sa a ser um país sober­a­no e inde­pen­dente. E a sobera­nia nacional depende de ciên­cia, tec­nolo­gia e ino­vação”, expli­ca Denise, que ressalta que o momen­to é de “reafir­mar que não ser­e­mos um país ver­dadeira­mente inde­pen­dente se não tiver­mos insti­tu­ições fortes e insti­tu­ições cien­tí­fi­cas fortes”.

O Museu Nacional foi cri­a­do por D. João VI, em 06 de jun­ho de 1818 e ini­cial­mente, sedi­a­do no Cam­po de San­t’Ana e serviu para aten­der aos inter­ess­es de pro­moção do pro­gres­so cul­tur­al e econômi­co do país. A con­strução, que com­ple­tou 200 anos em 2018, local­iza-se na Quin­ta da Boa Vista e é a mais anti­ga insti­tu­ição cien­tí­fi­ca do Brasil, recon­heci­da nacional e inter­na­cional­mente. O incên­dio foi uma tragé­dia que chamou atenção do mun­do todo.

Reconstrução

Parte interna do Museu Nacional recuperada após quatro anos do incêndio. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresenta um balanço das obras de reconstrução do Museu Nacional e a programação do bicentenãrio da independência.
Repro­dução: Parte inter­na do Museu Nacional recu­per­a­da após qua­tro anos do incên­dio Tânia Rêgo/Agência Brasil

O crono­gra­ma da recon­strução do museu segue até 2027. O orça­men­to pre­lim­i­nar esti­ma­do é de R$ 380,5 mil­hões, sem con­sid­er­ar o acer­vo. Deste total, foram cap­ta­dos R$ 245,3 mil­hões, o que equiv­ale a 64% da meta, sendo: R$ 124,8 mil­hões prove­nientes de recur­sos fed­erais, via Ban­co Nacional de Desen­volvi­men­to Econômi­co e Social (BNDES), Min­istério da Edu­cação (MEC) e Emen­das Par­la­mentares; R$ 20 mil­hões de recur­sos estad­u­ais, via Assem­bleia Leg­isla­ti­va do Esta­do do Rio de Janeiro (Alerj); e R$ 100,5 mil­hões de recur­sos da ini­cia­ti­va pri­va­da, via Vale e Brade­sco. Mais detal­h­es sobre a recon­strução estão disponíveis no por­tal do pro­je­to Museu Nacional Vive

O Museu bus­ca tam­bém a recom­posição do acer­vo. Segun­do Kell­ner, o Museu tin­ha cer­ca de 20 mil­hões de exem­plares no acer­vo antes do incên­dio. Ao todo, foram per­di­dos 85% deles. A meta é garan­tir 10 mil exem­plares para as novas exposições, em 5,5 mil met­ros quadra­dos. Já foram rece­bidos um mil exem­plares. “Se não tiver­mos uma par­tic­i­pação inten­sa inter­na­cional, essa eta­pa vai ficar prej­u­di­ca­da”, diz o dire­tor. “Nós todos temos que mere­cer esse novo acer­vo e só vamos mere­cer se a gente recon­stru­ir esse palá­cio com as mel­hores nor­mas de segu­rança. Hoje esta­mos provan­do que esta­mos no cam­in­ho cer­to. A aber­tu­ra da facha­da demon­stra não só nos­sa resil­iên­cia, mas o com­pro­mis­so que temos”.

Mais infor­mações sobre doações e out­ras ações podem ser obti­das no por­tal #Recom­põe.

Edição: Aline Leal

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