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Segurança é mais do que criar barreiras à escola, dizem especialistas

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Para pesquisadora, por um militar na porta não vai resolver o problema


Pub­li­ca­do em 13/04/2023 — 08:21 Por Luiz Clau­dio Fer­reira — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Na entra­da da esco­la, bar­reiras. Nas cer­ca­nias, poli­ci­ais por todos os lados. Botões escon­di­dos de pedi­dos de socor­ro. Quais são, afi­nal, as medi­das mais ade­quadas como pre­venção à vio­lên­cia em unidades de ensi­no? Para espe­cial­is­tas no tema, as soluções prin­ci­pais para temores de ameaças não estão em medi­das palia­ti­vas.

Na opinião da espe­cial­ista Katia Dan­tas, con­sul­to­ra para imple­men­tação de práti­cas em pro­teção infan­til e ambi­entes esco­lares, a vio­lên­cia que tem ocor­ri­do em unidades de ensi­no é mul­ti­fac­eta­da e com­plexa. “A gente pre­cisa enten­der que segu­rança é difer­ente de pro­teção.

Colo­car um segu­rança na por­ta não vai resolver o prob­le­ma. Hoje, obser­va­mos que muitos dos aten­ta­dos são de cri­anças come­tendo vio­lên­cia con­tra out­ras cri­anças e pro­fes­sores. São raros os que vêm de fora pra come­ter um aten­ta­do den­tro da esco­la”.

O pres­i­dente da Con­fed­er­ação Nacional dos Tra­bal­hadores da Edu­cação (CNTE), Heleno Araújo, tam­bém entende que desigual­dades mar­cantes nos ambi­entes esco­lares con­tex­tu­al­izam o prob­le­ma. “Há muito a ser feito em bus­ca de um ambi­ente min­i­ma­mente em condições de garan­tir segu­rança e paz, tran­quil­i­dade e sol­i­dariedade den­tro do espaço da esco­la e fora dela”. Esco­las em boas condições e out­ras sem ener­gia elétri­ca, por exem­p­lo, Profis­sion­ais que recebem em dia e com ade­quadas condições, out­ros não.

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Para se ter uma ideia da com­plex­i­dade humana, o Brasil tem 2,2 mil­hões de pro­fes­sores e mais de 1,9 mil­hão de out­ros  profis­sion­ais que tra­bal­ham na edu­cação — pop­u­lação aci­ma de 4 mil­hões de pes­soas.

As esco­las são muito difer­entes umas das out­ras em um país do taman­ho de um con­ti­nente. Ele con­ta que rece­beu foto de uma tur­ma em municí­pio goiano, em que as cri­anças apare­ci­am em uma espé­cie de exer­cí­cio de tiro, como tare­fa de uma esco­la cívi­co-mil­i­tar. “Isso descon­figu­ra com­ple­ta­mente a per­spec­ti­va de for­mação humana que nós quer­e­mos. Então, é impor­tante que a família dê bom exem­p­lo às cri­anças”

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Katia Dan­tas defende uma série de medi­das, con­sideran­do que grande parte dess­es aten­ta­dos tem foco em vio­lên­cia sis­temáti­ca na vida da pes­soa que agride, como históri­co de bul­ly­ing, intim­i­dações e abu­sos famil­iares. É difí­cil que alguém com essa car­ac­terís­ti­ca não ten­ha demon­stra­do sinais na esco­la.

“É urgente que as esco­las apren­dam a iden­ti­ficar um abu­so. A gente pre­cisa começar a mod­i­ficar essa per­cepção. Hoje, por exem­p­lo, nós sabe­mos que as habil­i­dades socioe­mo­cionais partem da base cur­ric­u­lar nacional. Mas pouquís­si­mos pais sabem exi­gir das esco­las”, diz Katia Dan­tas. A parce­ria entre família e esco­la não deve ficar na teo­ria, uma vez que as redes soci­ais e os jogos eletrôni­cos têm ocu­pa­do espaço cen­tral na vida de cri­anças e ado­les­centes.

Tam­bém por esse moti­vo, con­forme avalia Heleno Araújo, na CNTE, é fun­da­men­tal for­t­ale­cer a par­tic­i­pação social, a gestão democráti­ca, a par­tic­i­pação de pais, mães, respon­sáveis, e gru­pos orga­ni­za­dos da comu­nidade onde a esco­la está inseri­da. “Todos devem estar envolvi­dos no proces­so de dis­cussão, no Con­sel­ho Esco­lar, de um pro­je­to políti­co-pedagógi­co para esco­la. A par­tic­i­pação social e o envolvi­men­to com as políti­cas da esco­la, o sen­ti­men­to de per­tenci­men­to, tudo é impor­tante”.

Orientações

A espe­cial­ista entende que é vital que pro­fes­sores e out­ros fun­cionários do ambi­ente esco­lar pos­sam rece­ber ori­en­tações em caso de vio­lên­cia. “Que eles apren­dam a saber o que faz­er do mes­mo jeito que muitas esco­las têm treina­men­to para incên­dio,  evac­uação, por exem­p­lo”. Mas um treina­men­to com car­ac­terís­ti­ca pedagóg­i­ca sem cri­ar medo, pâni­co ou alarde nas cri­anças.

“Mais do que isso, os profis­sion­ais pre­cisam estar treina­dos em como iden­ti­ficar situ­ações de con­fli­to, mudanças de com­por­ta­men­to que pos­sam estar demon­stran­do um sofri­men­to dessa cri­ança”. A respos­ta, segun­do ela, deve ser da esco­la como um todo e não só de pro­fes­sores. “É impor­tan­tís­si­mo que todos os profis­sion­ais da esco­la este­jam treina­dos para faz­er a pro­teção infan­til e iden­ti­ficar essas situ­ações”.

Na mes­ma lin­ha, o pres­i­dente da CNTE defende que todos os profis­sion­ais da edu­cação têm que ser profis­sion­al­iza­dos e rece­ber cur­sos para as suas ativi­dades. “Porteiro tem que ter cur­so de infraestru­tu­ra e meio ambi­ente. Temos que ter uma for­mação ini­cial volta­da para as con­cepções de edu­cação”.

Isso inclui saber olhar para algum sinal de que há algo de erra­do. “Os profis­sion­ais devem ter sim for­mação em atendi­men­to e primeiros socor­ros, atenção, perce­ber o olhar dos alunos”. Araújo lamen­ta que nem todas as esco­las, por exem­p­lo, dis­põem de equipes de psicól­o­gos e de out­ros profis­sion­ais de apoio. Ele acred­i­ta que a segu­rança começa com a pos­si­bil­i­dade de que os profis­sion­ais este­jam conec­ta­dos à com­plex­i­dade dos seres humanos.

Edição: Graça Adju­to

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