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Trem azul da Portela vai levar Milton Nascimento para a Sapucaí

Nome do enredo: Cantar será buscar o caminho que vai dar no Sol

Cristi­na Indio do Brasil — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 28/02/2025 — 07:02
Rio de Janeiro
Brasília (DF) 25/02/2025 - Cantor Milton Nascimento na escola Portela. Foto: Magaiver Fernandes/Divulgação.
Repro­dução: © Mag­a­iv­er Fernandes/Divulgação.

O ter­ceiro dia de des­files no Sam­bó­dro­mo da Mar­quês de Sapu­caí, na região cen­tral do Rio, na terça-feira (4), vai ter a Portela como últi­ma esco­la a entrar na Pas­sarela do Sam­ba. Assim, a agremi­ação vai des­fi­lar já na madru­ga­da de quar­ta-feira.

O enre­do é Can­tar será bus­car o cam­in­ho que vai dar no Sol. Uma hom­e­nagem a Mil­ton Nasci­men­to. E o que se espera é mui­ta emoção no Sam­bó­dro­mo da Sapu­caí. O enre­do foi desen­volvi­do pelos car­navale­scos Antônio Gon­za­ga e André Rodrigues, que des­de o ano pas­sa­do, estão à frente da azul e bran­co.

Para Gon­za­ga, alguns momen­tos do des­file podem provo­car o envolvi­men­to do públi­co. Ele desta­cou um em espe­cial: “Eu apos­to na aber­tu­ra. Acho que é um momen­to bas­tante emo­cio­nante para o porte­lense. Vai traz­er o sím­bo­lo da esco­la, a águia de uma maneira bas­tante impo­nente e traz­er alguns sig­nos que são impor­tantes para a esco­la. Vai traz­er essa grande pro­cis­são que sai de Madureira e tem cara de Portela. Um out­ro, de muito destaque é a aparição do próprio hom­e­nagea­do no fim da esco­la”, afir­mou, em entre­vista ao site da esco­la.

“A gente acred­i­ta muito que o final da esco­la será um dos mais emo­cio­nantes de todos, até porque, toda aparição do Mil­ton Nasci­men­to é um momen­to de cel­e­bração, é um momen­to de êxtase e, assim, a gente espera que as pes­soas no final do des­file da Portela se jun­tem à Portela, can­tem e vibrem para pas­sagem do Mil­ton Nasci­men­to”, desta­cou André, sug­erindo que o públi­co acom­pan­he o des­file até o seu final.

Ensaio emocionante

Se o cli­ma do ensaio téc­ni­co de luz e som que a Portela fez, no sába­do pas­sa­do (22), se repe­tir no des­file ofi­cial, a emoção na aveni­da está garan­ti­da. Mil­ton esta­va pre­sente e pas­sou na Sapu­caí sen­ta­do em uma poltrona azul como se estivesse em um trono. Ao con­trário do que deve ocor­rer na madru­ga­da da quar­ta-feira, ele veio abrindo a apre­sen­tação da azul e bran­co de Oswal­do Cruz e Madureira, como gosta­va de diz­er Monar­co, can­tor, com­pos­i­tor e balu­arte da esco­la, mor­to em dezem­bro de 2021, expli­can­do que a Portela foi cri­a­da em Oswal­do Cruz, mas diante da expan­são dos bair­ros, atual­mente, a quadra está no lim­ite dos dois.

Enredo

Brasília (DF) 25/02/2025 - Carnavalescos no ensaio técnico da escola Portela. Foto: Magaiver Fernandes/Divulgação.
Repro­dução: Brasília (DF) 25/02/2025 — Car­navale­scos André Rodrigues e Antônio Gon­za­ga, no ensaio téc­ni­co da esco­la Portela. Foto: Mag­a­iv­er Fernandes/Divulgação.

A intenção dos car­navale­scos com o enre­do não é mostrar a vida do can­tor e com­pos­i­tor, mas a relação do tra­bal­ho dele com a vida do seu públi­co e fãs. “Nós inves­tig­amos como a músi­ca de MiIton atrav­es­sa cada pes­soa. Na ver­dade, não esta­mos inter­es­sa­dos em mostrar na aveni­da o desen­volvi­men­to que falasse sobre a vida pes­soal, ou tra­jetória pes­soal, a car­reira do Mil­ton Nasci­men­to. O que impor­ta para a gente, é saber a enormi­dade do artista, o taman­ho do artista a par­tir de como ele atrav­es­sa a vida das pes­soas. Nes­sas descober­tas nós vamos ven­do como o Mil­ton faz parte do dia a dia, do cotid­i­ano, dos momen­tos impor­tantes de muitos brasileiros e, prin­ci­pal­mente, do nos­so país”, anal­isou André para o site da esco­la.

Gon­za­ga adiantou que o desen­volvi­men­to do enre­do é exata­mente o que o títu­lo sug­ere. “A gente vai sair em pro­cis­são numa grande can­to­ria exal­tan­do e lem­bran­do essas grandes canções que tocam o emo­cional do povo brasileiro, que falam sobre as nos­sas iden­ti­dades, sobre a nos­sa cul­tura, sobre a nos­sa per­cepção, sobre a vida, sobre poe­sia, sobre músi­ca, até chegar­mos nesse grande trono no final, em Minas Gerais, para coroá-lo como grande sol da músi­ca pop­u­lar brasileira”, rela­tou.

Para André Rodrigues, a músi­ca do Mil­ton é impor­tante para mar­car momen­tos sobre cada pes­soa, sobre famílias. O car­navale­sco acres­cen­tou que ela acres­cen­tou humanidade no proces­so de desen­volvi­men­to do enre­do.

“Traz um sen­ti­men­to boni­to. O que a Portela vai mostrar tam­bém são essas relações pes­soais, essas relações que envolvem a músi­ca do Míl­ton Nasci­men­to como tril­ha. Por isso, que no des­file a cada ala que entrar será como se um grupo de pes­soas estivesse can­tan­do essas músi­cas. As nos­sas ale­go­rias, por sua vez, serão os andores desse des­file, como se nós, fãs de Mil­ton Nasci­men­to, tivésse­mos pro­duzi­do andores para poder levar em Três Pon­tas para poder hom­e­nageá-lo”, expli­cou.

André lem­brou que nos quase 102 anos de Portela, que serão com­ple­ta­dos em abril, essa é a primeira vez que a esco­la escol­he hom­e­nagear um artista em vida. “Isso mostra a dimen­são do Mil­ton Nasci­men­to para o cenário nacional. A importân­cia dele para a músi­ca pop­u­lar brasileira, mas tam­bém a gente bus­ca faz­er uma for­ma de equiparar essas duas grandezas, essas duas potên­cias. Em momen­to algum a gente colo­ca o Mil­ton Nasci­men­to maior do que a Portela ou a Portela maior que o Mil­ton Nasci­men­to, mas é impor­tante que os dois este­jam se rev­er­en­cian­do e de algu­ma maneira se hom­e­nage­an­do nesse momen­to”, ressaltou.

“É lin­do ver como o Mil­ton se debruça sobre a emoção porte­lense e é boni­to ver como a Portela tam­bém aca­ba se debruçan­do nas emoções que o Mil­ton Nasci­men­to traz para den­tro da esco­la”, com­ple­tou o car­navale­sco.

Gon­za­ga afir­mou que a Portela está muito feliz de ter Mil­ton Nasci­men­to con­duzin­do este car­naval, o que tam­bém é o sen­ti­men­to dele em ser hom­e­nagea­do pela Portela. “Nós enten­demos a grandeza do artista, a grandeza da esco­la, que a gente está tra­bal­han­do e a gente entende que a soma dessas duas potên­cias vai resul­tar em um grande car­naval”, con­cluiu.

Tia Surica

Pres­i­dente de hon­ra da Portela, balu­arte da esco­la, can­to­ra, inte­grante da Vel­ha Guar­da, Iranette Fer­reira Bar­cel­los, 84 anos de idade, con­heci­da como Tia Suri­ca, é respeita­da no mun­do do sam­ba, onde começou cedo. Quan­do tin­ha qua­tro anos foi lev­a­da pelos pais Judith e Pio, para a Portela, que con­sid­era a sua segun­da família, e dali não se afas­tou nun­ca mais. Se emo­ciona, cho­ra de tris­teza e de ale­gria, ri, faz fei­joadas, par­tic­i­pa ati­va­mente da vida da azul e bran­co.

Com todo esse cur­rícu­lo, Tia Suri­ca ficou feliz com o anún­cio do enre­do. A hom­e­nagem ao can­tor e com­pos­i­tor brasileiro, como afir­mou, é mais que mere­ci­do.

“Fiquei muito emo­ciona­da, ador­ei porque temos que rece­ber flo­res em vida. Quan­do o car­navale­sco sug­eriu este enre­do e a dire­to­ria aceitou eu fiquei muito sat­is­fei­ta. Ele e um grande can­tor e um grande com­pos­i­tor”.

“Con­forme eu digo sem­pre, o car­naval se perde na aveni­da. Ten­ho certeza que se a gente des­fi­lar bem, estou con­fi­ante nesse campe­ona­to. Vai ser um des­file emo­cio­nante. Ten­ho certeza que o pes­soal vai se emo­cionar muito. Ele já está com idade, então hom­e­nagear Mil­ton Nasci­men­to é fun­da­men­tal por tudo que ele fez para a músi­ca brasileira”, defend­eu.

Quadra

Segun­do Tia Suri­ca o envolvi­men­to dos com­po­nentes da esco­la foi visív­el nos ensaios na quadra da Rua Clara Nunes. “Pare­cia até ensaio ger­al. Foi emo­cio­nante. Todo mun­do can­tan­do, aque­la ale­gria, aque­la sat­is­fação. A bate­ria óti­ma, porque a bate­ria da Portela está muito boa e o pes­soal curtin­do o sam­ba. [O enre­do] con­quis­tou a comu­nidade, que abraçou”, rela­tou.

Na per­gun­ta se a Vel­ha Guar­da abençoou? A respos­ta veio logo: “Foi ger­al, graças a Deus”.

A prox­im­i­dade do des­file ofi­cial mexe com os sen­ti­men­tos de Tia Suri­ca. “Ago­ra, quan­do chega mais per­to é que eu vou me empol­gan­do. Estou doi­da que chegue e a Portela vai ser a últi­ma de terça-feira [o últi­mo dia de des­files do Grupo Espe­cial]. Se Deus quis­er nós fare­mos um bom des­file”, apon­tou.

Rio de Janeiro (RJ) 03/01/2025 - Tia Surica ganha homenagem de Teresa Cristina no Samba na Gamboa, da TV Brasil Frame TV Brasil
Repro­dução: Rio de Janeiro (RJ) 03/01/2025 — Tia Suri­ca gan­ha hom­e­nagem de Tere­sa Cristi­na no Sam­ba na Gam­boa, da TV Brasil Frame TV Brasil — TV Brasil

Tia Suri­ca fez questão de diz­er que durante a escol­ha pela Liesa para definir a ordem das esco­las nos três dias de des­file, foi ela quem sor­te­ou o nome da Portela.“Fui sor­tu­da de tirar a últi­ma bola e a min­ha esco­la ser a últi­ma”, disse, acres­cen­tan­do que gos­ta de ser a esco­la a encer­rar os des­files. “Eu gos­to. Eu quero é pas­sar na Mar­quês de Sapu­caí com a min­ha queri­da Portela. Como pres­i­dente de hon­ra. É mui­ta coisa para uma pes­soa só, né?, per­gun­tou, soltan­do uma gar­gal­ha­da.

Ness­es 80 anos de Portela, Tia Suri­ca relem­bra os locais de des­files: “Ago­ra é a Mar­quês de Sapu­caí, mas já teve na Aveni­da Antônio Car­los, Aveni­da Pres­i­dente Var­gas”, disse, desta­can­do o ano de 1966, quan­do foi intér­prete do sam­ba enre­do Memórias de Um Sar­gen­to de Milí­cias, com­pos­to por Paulin­ho da Vio­la. “E fui campeã, hein?.

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