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10 anos de Boate Kiss: pais e amigos fazem vigília para lembrar data

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Intenção é não deixar tragédia ser esquecida ou silenciada


Pub­li­ca­do em 27/01/2023 — 01:04 Por Gabriel Brum – Rádio Nacional  — San­ta Maria (RS)

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Famil­iares e ami­gos de víti­mas do incên­dio da Boate Kiss, em San­ta Maria, fiz­er­am uma vigília em frente à casa notur­na na madru­ga­da des­ta sex­ta-feira (17). A cam­in­ha­da começou na Praça Sal­dan­ha Mar­in­ho e seguiu em silên­cio até a boate, a uma quadra de dis­tân­cia. Foi apre­sen­ta­da uma core­ografia de dança retratan­do os even­tos da tragé­dia e uma colagem de men­sagens e ima­gens na facha­da da Kiss. Uma maneira de extravasar a saudade e o sofri­men­to impos­tos pela tragé­dia que deixou 242 jovens mor­tos e mais de 600 feri­dos. O caso com­ple­ta dez anos nes­ta sex­ta-feira.

O pres­i­dente da Asso­ci­ação dos Famil­iares de Víti­mas e Sobre­viventes da Tragé­dia de San­ta Maria, Gabriel Rova­doschi, agrade­ceu os par­tic­i­pantes. “É muito impor­tante ver tan­ta gente com­par­til­han­do desse momen­to, estando jun­to, cam­in­han­do jun­to, tril­han­do jun­to e reg­is­tran­do a história jun­to. E ten­do a cor­agem de enfrentar o que a gente tem enfrenta­do de lem­branças, de memórias. Sabe­mos que jun­tos a gente con­segue muito mais”.

 

O presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVSTSM), Gabriel Rovadoschi fala sobre os 10 anos do incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul
Repro­dução: O pres­i­dente da Asso­ci­ação d os Famil­iares de Víti­mas e Sobre­viventes da Tragé­dia de San­ta Maria, Gabriel Rova­doschi, disse que é muito impor­tante ver tan­ta gente com­par­til­han­do desse momen­to– Tomaz Silva/Agência Brasil

Para quem perdeu alguém naque­le 27 de janeiro de 2013, essa história não pode ser esque­ci­da nem silen­ci­a­da.

Parte da pro­gra­mação para res­gatar a memória após os 10 anos do incên­dio ocor­reu hoje na Praça Sal­dan­ha Mar­in­ho em San­ta Maria é uma exposição que traz fotos de jovens que mor­reram na tragé­dia com a sim­u­lação de como estari­am hoje. Umas das hom­e­nageadas é a Andrielle, fil­ha de Ligiane Righi.

“Eu sin­to que a gente tem que falar e eu prometi para a min­ha fil­ha que eu não ia deixar cair no esquec­i­men­to o que acon­te­ceu com ela e com as ami­gas, então todo esse movi­men­to que está aqui é uma aju­da para não deixar cair no esquec­i­men­to. Tem que ser lem­bra­do, tem que ser fal­a­do. As pes­soas esque­cem muito rápi­do, tem que ter memória. Os jovens têm o dire­ito de sair e se diver­tir e voltar com segu­rança para casa, porque a pre­ocu­pação com min­ha fil­ha era na rua, o ir e vir. Para mim ela esta­va segu­ra ali den­tro [da Boate Kiss]. Foi prova­do o con­trário. E nada mudou, infe­liz­mente. Em dez anos não apren­der­am com o que acon­te­ceu. Mas a gente segue, a gente está lutan­do pela fil­ha que ficou e para que nen­hum pai e nen­hu­ma mãe passe pelo que a gente pas­sa até hoje”, disse Ligiane

O pai de uma das vítimas, Paulo Carvalho fala sobre os 10 anos do incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul
Repro­dução: O pai de uma das víti­mas, Paulo Car­val­ho, criti­cou a anu­lação do jul­ga­men­to dos respon­sáveis pela tragé­dia da Boate Kiss — Tomaz Silva/Agência Brasil

Após 10 anos, o caso con­tin­ua sem que ninguém ten­ha sido respon­s­abi­liza­do. O júri que havia con­de­na­do 4 pes­soas em 2021 foi anu­la­do por questões proces­suais. Ain­da não há data para novo jul­ga­men­to.

“É uma ver­gonha do Judi­ciário. Pegar fir­u­las, detal­h­es proces­suais que não prej­u­dicaram em nada o jul­ga­men­to”, disse Paulo Car­val­ho, 72 anos, pai do Rafael Car­val­ho, out­ra das víti­mas no incên­dio na boate.

A psicólo­ga Ari­ad­na de Andrade disse que há pes­soas que criti­cam as ações que man­tém viva a dis­cussão em torno do caso da Boate Kiss.

“Uma coisa muito impor­tante de pen­sar é que esse pedi­do de esque­cer tam­bém tem a ver com o sen­ti­men­to de impunidade. A gente sem­pre con­ver­sa tam­bém que quan­do acon­tece um crime como este e isso pas­sa impune, a sen­sação que fica é de que se a gente não hon­ra os mor­tos como que cuidamos da vida. Pode­ria ter sido nós, os nos­sos par­entes. Se a gente não hon­ra os nos­sos mor­tos, é como se de que valeu a vida deles ou de que vale a nos­sa vida se não tem algo que dê segu­rança e garan­tia de que a nos­sa pas­sagem por aqui está segu­ra”, disse Ari­ad­na.

Out­ras ações con­tin­u­am nes­ta sex­ta para relem­brar uma das piores tragé­dias da história do Brasil, com cul­to ecumêni­co e diver­sos even­tos, entre debates e lança­men­tos de livro e de cam­pan­ha. As hom­e­na­gens e ativi­dades vão até dia 28.

Edição: Fábio Mas­sal­li

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