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Mais de 18 milhões de mulheres sofreram violência em 2022

Repro­dução: © Arqui­vo Agên­cia Brasil

Em média, vítimas relataram ter sofrido quatro agressões no ano


Pub­li­ca­do em 02/03/2023 — 18:19 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Mais um ano em que a vio­lên­cia con­tra as brasileiras têm sido cres­cente no país. É o que mostra a quar­ta edição da pesquisa Visív­el e Invisív­el: a Vitimiza­ção de Mul­heres no Brasil. Real­iza­do pelo Fórum Brasileiro de Segu­rança Públi­ca, o lev­an­ta­men­to per­mite esti­mar que cer­ca de 18,6 mil­hões de mul­heres brasileiras foram vitimizadas em 2022, o equiv­ale a um está­dio de fute­bol com capaci­dade para 50 mil pes­soas lota­do todos os dias. Em média, as mul­heres que foram víti­mas de vio­lên­cia relataram ter sofri­do qua­tro agressões ao lon­go do ano, mas entre as divor­ci­adas a média foi de nove vezes.

A pesquisa traz dados inédi­tos sobre difer­entes for­mas de vio­lên­cia físi­ca, sex­u­al e psi­cológ­i­ca sofridas pelas brasileiras no ano pas­sa­do. Em com­para­ção com as edições ante­ri­ores, todas as for­mas de vio­lên­cia con­tra a mul­her apre­sen­taram cresci­men­to acen­tu­a­do no ano pas­sa­do. Segun­do o lev­an­ta­men­to, 28,9% das brasileiras sofr­eram algum tipo de vio­lên­cia de gênero em 2022, a maior prevalên­cia já ver­i­fi­ca­da na série históri­ca, 4,5 pon­tos per­centu­ais aci­ma do resul­ta­do da pesquisa ante­ri­or.

“Todos os dados da pesquisa são real­mente bem tristes, mas, quan­do olhamos para as vio­lên­cias sofridas pelas mul­heres no Brasil, com­para­do com as pesquisas que a gente fez ante­ri­or­mente, todas as modal­i­dades de vio­lên­cia foram acen­tu­adas nesse últi­mo ano. Então as mul­heres estão sofren­do cada vez mais vio­lên­cia. Há aumen­to de 4 pon­tos per­centu­ais sobre as mul­heres que sofr­eram algum tipo de vio­lên­cia ou agressão no últi­mo ano, com­para­do com a pesquisa ante­ri­or. Esse é um dado que choca bas­tante”, lamen­ta a a pesquisado­ra do Fórum Brasileiro de Segu­rança Públi­ca Aman­da Lagre­ca.

A pesquisa ouviu 2.017 pes­soas, entre home­ns e mul­heres, em 126 municí­pios brasileiros, no perío­do de 9 a 13 de janeiro de 2023, e foi real­iza­da Insti­tu­to Datafol­ha e com apoio da Uber.

Os dados de fem­i­nicí­dios e homicí­dios dolosos de mul­heres do ano de 2022 ain­da não estão disponíveis, mas o cresci­men­to agu­do de for­mas graves de vio­lên­cia físi­ca, que podem resul­tar em morte a qual­quer momen­to, é um sinal, diz a dire­to­ra exec­u­ti­va do Fórum Brasileiro de Segu­rança Públi­ca, Sami­ra Bueno. “Não será sur­pre­sa se nos deparar­mos com o cresci­men­to de ambas as modal­i­dades de vio­lên­cia letal con­tra as mul­heres. Infe­liz­mente, o Brasil ficou mais inse­guro para todas nós.”

Os resul­ta­dos da pesquisa mostraram que 11,6% das mul­heres entre­vis­tadas foram víti­mas de vio­lên­cia físi­ca no ano pas­sa­do, o que rep­re­sen­ta um uni­ver­so de cer­ca de 7,4 mil­hões de brasileiras. Isso sig­nifi­ca que 14 mul­heres foram agre­di­das com tapas, socos e pon­tapés por min­u­to.

Entre as out­ras for­mas de vio­lên­cia citadas, as mais fre­quentes foram as ofen­sas ver­bais (23,1%), perseguição (13,5%), ameaças de vio­lên­cias físi­cas (12,4%), ofen­sas sex­u­ais (9%), espan­ca­men­to ou ten­ta­ti­va de estran­gu­la­men­to (5,4%), ameaça com faca ou arma de fogo (5,1%), lesão provo­ca­da por algum obje­to que foi ati­ra­do nelas (4,2%) e esfaque­a­men­to ou tiro (1,6%).

A pesquisa apre­sen­tou um dado inédi­to: uma em cada três brasileiras com mais de 16 anos sofreu vio­lên­cia físi­ca e sex­u­al provo­ca­da por par­ceiro ínti­mo ao lon­go da vida. São mais de 21,5 mil­hões de mul­heres víti­mas de vio­lên­cia físi­ca ou sex­u­al por parte de par­ceiros ínti­mos ou ex-com­pan­heiros, rep­re­sen­tan­do 33,4% da pop­u­lação fem­i­ni­na do país.

Se con­sid­er­a­do os casos de vio­lên­cia psi­cológ­i­ca, 43% das mul­heres brasileiras já foram víti­mas do par­ceiro ínti­mo. Mul­heres negras, de baixa esco­lar­i­dade, com fil­hos e divor­ci­adas são as prin­ci­pais víti­mas, rev­el­ou a pesquisa.

“Quan­do a gente olha esse dado de 33,4%, com­para­do com média glob­al da Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde, de 27%, o que esta­mos ven­do é que no Brasil esse número é mais ele­va­do do que o número um esti­ma­do pela OMS”, lamen­ta Aman­da Lagre­ca.

Para a pesquisado­ra, out­ro dado chocante é com relação ao autor da vio­lên­cia. Pela primeira vez, o estu­do apon­tou o ex-com­pan­heiro como o prin­ci­pal autor da vio­lên­cia (31,3%), segui­do pelo atu­al par­ceiro ínti­mo (26,7%).

O autor da vio­lên­cia é con­heci­do da víti­ma na maior parte dos casos (73,7%). O que mostra que o lugar menos seguro para as mul­heres é a própria casa – 53,8% relataram que o episó­dio mais grave de agressão dos últi­mos 12 meses acon­te­ceu den­tro de casa. Esse número é maior do que o reg­istra­do na edição de 2021 da pesquisa (48,8%), que abrangeu o auge do iso­la­men­to social durante a pan­demia de covid-19.

Out­ros lugares onde hou­ve episó­dio de vio­lên­cia foram a rua (17,6%), o ambi­ente de tra­bal­ho (4,7%) e os bares ou bal­adas (3,7%). Sobre a reação à vio­lên­cia, a maio­r­ia (45%) das mul­heres disse que não fez nada. Em pesquisas ante­ri­ores, em 2017 e 2019, esse número foi de 52%.

O número de víti­mas que foi até uma Del­e­ga­cia da Mul­her aumen­tou em relação a 2021, pas­san­do de 11,8% para 14% em 2022. Out­ras for­mas de denún­cia foram: lig­ar para a Polí­cia Mil­i­tar (4,8%), faz­er um reg­istro eletrôni­co (1,7%) ou entrar em con­ta­to com a Cen­tral de Atendi­men­to à Mul­her pelo Disque 180 (1,6%).

Assédio sexual

A pesquisa mostrou que 46,7% das brasileiras sofr­eram assé­dio sex­u­al em 2022, um cresci­men­to de quase 9 pon­tos per­centu­ais em relação a 2021, quan­do a prevalên­cia de assé­dio foi de 37,9%.

Com a pesquisam pode-se esti­mar que 30 mil­hões de mul­heres que relataram ter sofri­do algum tipo de assé­dio; 26,3 mil­hões de mul­heres ouvi­ram can­tadas e comen­tários desre­speitosos na rua (41,0%) ou no ambi­ente de tra­bal­ho (18,6% — 11,9 mil­hões), foram asse­di­adas fisi­ca­mente no trans­porte públi­co (12,8%) ou abor­dadas de maneira agres­si­va em uma fes­ta (11,2%).

Edição: Juliana Andrade

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