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ICMBio: Brasil tem 1,2 mil espécies da fauna ameaçadas de extinção

Repro­dução: © Dio­go Lagroteria/ICMBio

Plataforma lançada deve contribuir para conservação da biodiversidade


Pub­li­ca­do em 02/08/2023 — 19:15 Por Daniel­la Almei­da — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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O Insti­tu­to Chico Mendes de Con­ser­vação da Bio­di­ver­si­dade (ICM­Bio), vin­cu­la­do ao Min­istério do Meio Ambi­ente e Mudança do Cli­ma (MMA) lançou, nes­ta quar­ta-feira (2), a platafor­ma Salve, que reúne, na inter­net, infor­mações do Sis­tema de Avali­ação do Risco de Extinção da Fau­na Brasileira. 

A platafor­ma vir­tu­al apon­ta que 1.253 espé­cies dos sete bio­mas do país (Amazô­nia, Caatin­ga, Cer­ra­do, Mata Atlân­ti­ca, Pam­pa, Pan­tanal e Mar­in­ho) estão na cat­e­go­ria de ameaçadas de extinção, em uma das três sub­clas­si­fi­cações de risco: vul­neráv­el; em peri­go; e criti­ca­mente em peri­go. Entre os destaques, a platafor­ma Salve traz o rép­til jarara­ca-de-alca­trazes, o mamífero aquáti­co boto-cachim­bo e a ave sol­dad­in­ho-do-araripe, todos clas­si­fi­ca­dos como criti­ca­mente em peri­go.

- Plataforma exibe riscos de extinção de espécies em todo o país. - Gavião Real. Foto: Aure Vasconcelos/ICMBio
Repro­dução: — Platafor­ma exibe riscos de extinção de espé­cies em todo o país. — Gav­ião Real. Foto: Aure Vasconcelos/ICMBio

Estas espé­cies ameaçadas cor­re­spon­dem à 8,6% da lista total de 14.785 espé­cies avali­adas e cat­a­lo­gadas na platafor­ma lança­da, como espé­cies de inver­te­bra­dos e ani­mais ver­te­bra­dos, como mamífer­os, anfíbios, aves, répteis, peix­es mar­in­hos e con­ti­nen­tais. Neste uni­ver­so, a Salve pub­li­cou as fichas téc­ni­cas de 5.513 espé­cies, com mais de 150 mil pági­nas, no total.

Avaliações

A platafor­ma Salve é oper­a­da por servi­dores do ICM­Bio. No lança­men­to da fer­ra­men­ta, em Brasília, o pres­i­dente do ICM­Bio, Mau­ro Pires, esclare­ceu que as infor­mações sis­tem­ati­zadas disponi­bi­lizadas têm a real função de con­tribuir para man­ter a bio­di­ver­si­dade brasileira e afas­tar o risco de extinção das espé­cies.

“O ICM­Bio traz infor­mação para a políti­ca públi­ca e, tam­bém, disponív­el à sociedade para dar transparên­cia ao grau de ameaça e à situ­ação dessas espé­cies. A nos­sa função é pro­duzir infor­mação e cap­i­tan­ear parce­rias, mas o nos­so obje­ti­vo final mes­mo é reduzir o número de espé­cies ameaçadas. É evi­tar a extinção delas”, expli­ca Mau­ro Pires.

O pres­i­dente do Insti­tu­to Brasileiro do Meio Ambi­ente e dos Recur­sos Nat­u­rais Ren­ováveis (Iba­ma), Rodri­go Agostin­ho, con­sid­era que a platafor­ma do ICM­Bio servirá como impor­tante fer­ra­men­ta de con­sul­ta dos téc­ni­cos do Iba­ma. O órgão é respon­sáv­el, entre out­ros, por con­ced­er ou não o licen­ci­a­men­to ambi­en­tal a empreendi­men­tos no ter­ritório nacional, con­forme avali­ação do poten­cial polu­idor ou de degradação do meio ambi­ente. Por isso, Rodri­go Agostin­ho defende o tra­bal­ho inte­gra­do de Iba­ma, ICM­Bio e órgãos munic­i­pais e estad­u­ais de fis­cal­iza­ção ambi­en­tal para coibir erros.

“O Salve nos aprox­i­ma. Por isso, tam­bém os órgãos estad­u­ais de licen­ci­a­men­to pre­cisam con­hecer não só quais são as espé­cies ameaçadas naque­le esta­do, mas, onde elas estão”, frisou Rodri­go Agostin­ho.

A secretária Nacional de Reg­istro, Mon­i­tora­men­to e Pesquisa do Min­istério da Pesca e Aqui­cul­tura, a pesquisado­ra Flavia Luce­na Fre­dou, avalia pos­i­ti­va­mente a platafor­ma Salve. “Essa reunião de infor­mações é muito valiosa! O Salve disponi­bi­liza infor­mações nos doc­u­men­tos para você saber um pouco de tudo, de for­ma resum­i­da. Hoje, essas quase 15 mil espé­cies são uma fonte de infor­mações atu­al­iza­da, em um tra­bal­ho feito por cen­te­nas de mãos das pes­soas mais capac­i­tadas para faz­er isso, jun­to com o ICM­Bio.”

Ameaça de extinção

De acor­do com o coor­de­nador de Avali­ação do Risco de Extinção das Espé­cies da Fau­na do ICMBio/MMA, Rodri­go Jorge, o número de espé­cies na cat­e­go­ria de ameaçadas de extinção aumen­tou. “Esta­mos cientes de que há, no país, uma série de pressões que lev­am ao aumen­to do número de espé­cies ameaçadas de extinção. Isso é bas­tante pre­ocu­pante. E o prin­ci­pal moti­vo é a redução do habi­tat dessas espé­cies, em decor­rên­cia, prin­ci­pal­mente, do des­mata­men­to”.

Neste momen­to, a platafor­ma Salve reg­is­tra, além das 1.253 espé­cies ameaçadas de extinção, a extinção de seis espé­cies da fau­na brasileira; mais uma espé­cie extin­ta na natureza (quan­do os úni­cos mem­bros vivos con­heci­dos são man­ti­dos em cativeiro) e out­ras três espé­cies regional­mente extin­tas. Entre eles, estão a ave gri­ta­dor-do-nordeste, de Per­nam­bu­co; o anfíbio per­ere­ca-verde-de-fím­bria, orig­inário da Mata Atlân­ti­ca de São Paulo; e o mamífero rato-de-Noron­ha.

A secretária Nacional de Bio­di­ver­si­dade, Flo­restas e Dire­itos Ani­mais do MMA, Rita Mesqui­ta, lamen­ta casos como ess­es, infor­ma­dos na nova platafor­ma. Para a secretária, o Salve será uma fer­ra­men­ta extre­mante útil para plane­ja­men­tos inte­gra­dos.

“Para mim, é difí­cil pen­sar que existe um número, mes­mo que pequeno, de espé­cies que se extin­guiram e, prin­ci­pal­mente, quan­do pen­so em uma lista, que não é tão peque­na, das espé­cies que estão ameaçadas. Por isso, é impor­tante que a gente dê sequên­cia a ess­es planos nos ter­ritórios. Lá, onde essas espé­cies ocor­rerem, para que elas saiam dessas lis­tas [de extinção]”, plane­ja Rita Mesqui­ta.

Transparência

O aces­so da platafor­ma Salve está disponív­el para con­sul­tas e down­load das fichas téc­ni­cas das espé­cies por espe­cial­is­tas, pesquisadores, estu­dantes e pop­u­lação em ger­al inter­es­sa­da em infor­mações sobre espé­cies ameaçadas.

O coor­de­nação-Ger­al de Pesquisa e Mon­i­tora­men­to da Bio­di­ver­si­dade do ICM­Bio, Marce­lo Marceli­no, val­oriza a fer­ra­men­ta dig­i­tal como for­ma de dar transparên­cia dos dados à sociedade. “Ao faz­er a avali­ação das espé­cies, a gente assume o com­pro­mis­so com a leg­is­lação brasileira, com a Con­sti­tu­ição {Fed­er­al], mas ao lançar o Salve públi­co, nós temos um com­pro­mis­so com a transparên­cia e, ain­da, para faz­er a sociedade enx­er­gar este tra­bal­ho, crit­icá-lo e poder con­tribuir com ele”.

Pesquisa científica

Ape­sar da platafor­ma sobre a fau­na ser oper­a­da pelo ICM­Bio, espe­cial­is­tas da comu­nidade cien­tí­fi­ca são os respon­sáveis por incluir e atu­al­iza a infor­mações sobre as espé­cies da fau­na brasileira no ban­co de dados da Salve. Os pesquisadores ain­da orga­ni­zam, revisam e, por fim, val­i­dam a avali­ação do risco de extinção das espé­cies fei­ta pelos téc­ni­cos do ICM­Bio

A secretária-Ger­al do Fun­do Brasileiro para a Bio­di­ver­si­dade (Fun­bio), Rosa Lemos de Sá, con­sid­era a fer­ra­men­ta útil aos acadêmi­cos e cen­tros de pesquisa. “A platafor­ma fará uma enorme difer­ença para a acad­e­mia e para a con­ser­vação da bio­di­ver­si­dade, neste país, com todas as infor­mações que podem ser aces­sadas de qual­quer lugar e que podem ser atu­al­izadas em tem­po real sobre os sta­tus das espé­cies”. E avalia o sis­tema pos­i­ti­va­mente. “O fato de você ter uma platafor­ma que avalia espé­cies fora das unidades de con­ser­vação, dá-nos uma ideia do que pre­cisa ser feito e de como a gente pode tra­bal­har para inte­grar áreas que não são for­mal­mente pro­te­gi­das”.

Melhora da categoria de risco

O coor­de­nador de Avali­ação do Risco de Extinção das Espé­cies da Fau­na do ICM­Bio, Rodri­go Jorge, rev­el­ou que o tra­bal­ho de con­ser­vação da bio­di­ver­si­dade traz alguns resul­ta­dos otimis­tas, como a saí­da de 144 espé­cies da lista de ameaçadas de extinção. “Para exem­pli­ficar, das cin­co espé­cies de tar­taru­gas mar­in­has exis­tentes no Brasil, qua­tro mel­ho­raram seus esta­dos de con­ser­vação e uma, especi­fi­ca­mente, saiu da lista de espé­cies ameaçadas de extinção, a tar­taru­ga verde”. Ape­sar de comem­o­rar a saí­da da lista de maior risco, Rodri­go Jorge esclarece que as espé­cies ain­da depen­dem de esforço de con­ser­vação para per­si­s­tirem fora de peri­go e para garan­tia de sobre­vivên­cia.

Con­heça a platafor­ma Salve.

Edição: Aline Leal

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