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“Careca do INSS”, empresário e “advogado ostentação” são alvos da PF

Operação Cambota cumpriu hoje mandados contra empresários

Alex Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 12/09/2025 — 12:24
Brasília
Brasília (DF), 22/05/2025 - empresário Antonio Carlos Camilo Antunes é apontado pela Polícia Federal (PF) como figura central do esquema de fraudes que pode ter movimentado mais de 6 bilhões de reais de beneficiários da Previdência. Antunes era conhecido como “Careca do INSS. Foto: Linkedin/Reprodução
Repro­dução: © Linkedin

Poli­ci­ais fed­erais cumpri­ram, na man­hã des­ta sex­ta-feira (12), a dois man­da­dos judi­ci­ais de prisão pre­ven­ti­va con­tra os empresários Anto­nio Car­los Cami­lo Antunes, que ficou nacional­mente con­heci­do como “Care­ca do INSS”, e Mau­rí­cio Camisot­ti.

Os man­da­dos foram exe­cu­ta­dos no âmbito da Oper­ação Cam­b­o­ta, que a Polí­cia Fed­er­al (PF) defla­grou para apro­fun­dar as inves­ti­gações acer­ca da cobrança ile­gal de men­sal­i­dades asso­cia­ti­vas descon­tadas sem autor­iza­ção dos bene­fí­cios prev­i­den­ciários pagos a mil­hões de aposen­ta­dos e pen­sion­istas.

Tam­bém estão sendo cumpri­dos 13 man­da­dos de bus­ca e apreen­são em endereços lig­a­dos a sus­peitos de envolvi­men­to no esque­ma, todos autor­iza­dos pelo Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF). Entre os alvos da ação está o advo­ga­do Nel­son Wil­ians, dono de um dos mais caros escritórios de advo­ca­cia do país e que se tornou con­heci­do por osten­tar, em suas redes soci­ais, uma vida de luxo.

Sus­peito de lid­er­ar o esque­ma bil­ionário de fraudes, o “Care­ca do INSS”, foi deti­do em sua residên­cia, em Brasília (DF). Um novo man­da­do de bus­ca e apreen­são foi exe­cu­ta­do na casa de um dos fil­hos de Antunes, Romeu Car­val­ho Antunes – em cuja residên­cia, a PF apreen­deu, em maio, uma BMW e doc­u­men­tos.

Seu advo­ga­do, Cle­ber Lopes, disse a jor­nal­is­tas que, além de deter Antunes, que pas­sará por uma audiên­cia de custó­dia, os agentes fed­erais tam­bém voltaram a apreen­der doc­u­men­tos e veícu­los do empresário — que já tin­ha sido alvo de man­da­dos de bus­ca e apreen­são em out­ras ocasiões.

“Esta­mos com toda a doc­u­men­tação sep­a­ra­da, cat­a­lo­ga­da, e vamos apre­sen­tá-la à autori­dade poli­cial na per­spec­ti­va exata­mente de des­faz­er esta equiv­o­ca­da com­preen­são que foi, talvez con­ve­nien­te­mente con­struí­da con­tra o sen­hor Antunes, para, even­tual­mente, dis­ten­sion­ar out­ros inter­ess­es”, comen­tou o advo­ga­do, defend­en­do a atu­ação profis­sion­al de seu cliente e ale­gan­do sur­pre­sa com a prisão de Antunes.

“Todos ficamos sur­pre­sos porque, des­de que assum­i­mos a defe­sa, em março, temos feito tudo de maneira repub­li­cana. Todas as vezes em que ele pre­cisou via­jar, ped­i­mos autor­iza­ção judi­cial, ele via­jou, voltou e nós com­pro­va­mos tudo. Ele não tem tido con­ta­to com ninguém, man­ten­do o foco em sua defe­sa, já que esta­mos man­ten­do o foco na orga­ni­za­ção e orde­nação dos doc­u­men­tos que usare­mos na defe­sa”, acres­cen­tou o advo­ga­do, argu­men­tan­do que o STF autor­i­zou a prisão pre­ven­ti­va “a par­tir de uma com­preen­são equiv­o­ca­da dos fatos”.

 

A reportagem da Agên­cia Brasil ain­da ten­ta con­ta­to com a defe­sa do empresário Mau­rí­cio Camisot­ti. Em nota, o advo­ga­do Nel­son Wil­ians infor­mou que tem colab­o­ra­do inte­gral­mente com as autori­dades respon­sáveis pela inves­ti­gação e que con­fia que a apu­ração demon­strará sua total inocên­cia.

De acor­do com a PF, relatórios de inteligên­cia do Con­sel­ho de Con­t­role de Ativi­dades Finan­ceiras (Coaf) rev­e­lam que o escritório de Wil­ians repas­sou R$ 15,5 mil­hões a Camisot­ti, por meio de transações con­sid­er­adas “atípi­cas”. Segun­do o advo­ga­do, sua relação com o empresário é “estri­ta­mente profis­sion­al e legal”.

“Os val­ores trans­feri­dos ref­er­em-se à aquisição de um ter­reno viz­in­ho à sua residên­cia, transação líci­ta e de fácil com­pro­vação”, reit­er­ou Wil­ians, sus­ten­ta­do a expli­cação apre­sen­ta­da ante­ri­or­mente, quan­do a transação veio a públi­co. “Ressalta­mos que a medi­da cumpri­da [o man­da­do de bus­ca e apreen­são] é de natureza exclu­si­va­mente inves­tiga­ti­va, não impli­can­do qual­quer juí­zo de cul­pa ou respon­s­abil­i­dade.”

Após o iní­cio da Oper­ação Cam­b­o­ta, o senador Car­los Viana (Podemos-MG), pres­i­dente da Comis­são Par­la­men­tar Mista de Inquéri­to (CPMI) que o Con­gres­so Nacional instau­rou para apu­rar as cobranças ile­gais de men­sal­i­dades asso­cia­ti­vas, disse que a prisão “dos dois prin­ci­pais envolvi­dos no esque­ma de fraudes no INSS” é ape­nas um “primeiro pas­so” para esclare­cer os fatos e iden­ti­ficar e punir os envolvi­dos.

“Temos muitas out­ras pes­soas que tam­bém têm que ser pre­sas, têm que dar declar­ações na cadeia. Para que não pos­sam fugir e, prin­ci­pal­mente, para que não pos­sam escon­der o patrimônio rou­ba­do dos aposen­ta­dos”, comen­tou Viana, lem­bran­do que, na sem­ana pas­sa­da, o cole­gia­do envi­ou ao rela­tor do caso no Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al, o min­istro André Men­donça, um pedi­do para que a Corte autor­izasse a prisão de 21 pes­soas inves­ti­gadas.

“Temos out­ras 19 pes­soas [em relação às quais] ped­i­mos a prisão. Esper­amos que, muito em breve, elas tam­bém sejam alvos de oper­ações da PF. Porque estas prisões já chegam com atra­so, pois a PF já sabe todo o envolvi­men­to da quadrilha, as asso­ci­ações, as empre­sas de facha­da, e ninguém tin­ha sido pre­so”, com­ple­tou Viana.

Além do pedi­do de prisão encam­in­hado ao STF na sem­ana pas­sa­da, o cole­gia­do aprovou, ontem (11), cer­ca de 400 pedi­dos de infor­mação e de que­bra de sig­i­los bancário, fis­cal e telemáti­co de sus­peitos de par­tic­i­pação no esque­ma, incluin­do os de Antunes e de Camisot­ti.

“Ago­ra, o próx­i­mo pas­so é pedirmos ao min­istro André Men­donça que o STF libere [para depor à CPMI] o sen­hor Antunes, o Care­ca [do INSS] na próx­i­ma segun­da-feira [15], e o sen­hor Camisot­ti na próx­i­ma quin­ta-feira [18], que já tin­ham sido inti­ma­dos pela Polí­cia Leg­isla­ti­va. Espero que o min­istro man­ten­ha a ida deles [ao Con­gres­so Nacional], des­ta vez, como con­duzi­dos.”

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