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Agosto Dourado destaca padrão ouro de qualidade do aleitamento materno

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Médica diz que prática é benéfica para mãe e filho


Pub­li­ca­do em 01/08/2023 — 07:37 Por Alana Gan­dra – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Insti­tuí­do no Brasil pela Lei 13.435/2017, agos­to é o Mês do Aleita­men­to Mater­no, quan­do são inten­si­fi­cadas ações de con­sci­en­ti­za­ção e esclarec­i­men­to sobre a importân­cia da ama­men­tação. O mês é con­heci­do como Agos­to Doura­do, já que esta cor desta­ca o padrão ouro de qual­i­dade do leite mater­no.

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, a pedi­atra Euci­lene Kassya Bar­ros, pro­fes­so­ra do Insti­tu­to de Edu­cação Médi­ca (Idomed), disse que são inúmeros os bene­fí­cios da ama­men­tação para mães e bebês. O leite que a mãe pro­duz é o ali­men­to que tem todos os nutri­entes especí­fi­cos para cada neces­si­dade do fil­ho, ao mes­mo tem­po que estim­u­la o desen­volvi­men­to do sis­tema imunológi­co dos pequenos.

“Os bebês que mamam cos­tu­mam pas­sar menos tem­po no hos­pi­tal quan­do adoe­cem. São bebês que têm menos res­fri­a­dos no primeiro ano de vida, menos quadros diar­re­icos nos primeiros dois anos de vida, menos risco de obesi­dade e de dia­betes médias”. Para as mães, os bene­fí­cios da ama­men­tação vão da redução de peso mais ráp­i­da no pós-par­to á diminuição dos riscos de dia­betes tipo 2 e  de câncer de mama e de ovário. “Temos aí bene­fí­cios para ambas as partes”, afir­mou Euci­lene.

O leite mater­no evi­ta doenças, porque con­tém imunoglob­u­li­na A, pro­teí­na que age na pro­teção das mucosas do sis­tema res­pi­ratório do bebê, evi­tan­do a pro­gressão de infecções, além de reduzir a exposição e a absorção intesti­nal de alergêni­cos respon­sáveis pelas doenças res­pi­ratórias. Segun­do a pedi­atra, a ama­men­tação pro­lon­ga­da aci­ma de seis meses, pode traz­er ain­da mais bene­fí­cios.

Internações

De acor­do com dados do Min­istério da Saúde, a ama­men­tação exclu­si­va nos primeiros meses de vida reduz em até 63% as inter­nações hos­pi­ta­lares por doenças res­pi­ratórias, como pneu­mo­nia, bron­quio­lite e gripes. “Nos primeiros dias do pós-par­to, a mãe pro­duz o leite in natu­ra, que nós chamamos colostro, que é rico em imunoglob­u­li­na e pro­tege o bebê con­tra inúmeras doenças, ao lon­go de toda a vida. Nos quadros res­pi­ratórios, isso tem papel fun­da­men­tal”, acres­cen­tou Euci­lene.

O aleita­men­to mater­no pro­tege do risco de morte prin­ci­pal­mente nos primeiros 5 anos de vida, perío­do em que o risco cos­tu­ma ser maior, inde­pen­den­te­mente de a cri­ança ter comor­bidades, ou não. “O leite mater­no reduz esse risco, exata­mente por ser um ali­men­to padrão ouro.”

A pedi­atra adver­tiu que, nos primeiros dias, a mãe pode ficar com o mami­lo um pouco mais sen­sív­el, em função da mudança hor­mon­al que a mul­her pas­sa. Por isso, é impor­tante uma ori­en­tação ade­qua­da para se ava­lie a “pega” do bebê, se ele não tem um frênu­lo cur­to na lín­gua que pre­cise ser abor­da­do para que não machuque nem faça fis­sura na auréo­la e a mãe con­si­ga ama­men­tar sem dor nos primeiros dias.

Uso de silicone

A pedi­atra afir­mou que, não há imped­i­men­tos para a ama­men­tação em uma mul­her que tem prótese de sil­i­cone ou que pre­cisou faz­er uma cirur­gia de redução mamária. “Ela pode ama­men­tar. Hoje em dia, as cirur­gias são feitas já pen­san­do nis­so, são min­i­ma­mente inva­si­vas. No caso do sil­i­cone, não tem maiores prob­le­mas. No caso da redução de mama, os médi­cos se pre­ocu­pam em pro­te­ger a maior parte do teci­do mamário para, real­mente, faz­er com que isso não prej­udique a ama­men­tação de for­ma algu­ma”.

Euci­lene ressaltou, no entan­to, que essa mul­her pre­cis­ará ser acom­pan­ha­da porque não é tão raro, nos dois casos, ter que com­ple­men­tar a ali­men­tação da cri­ança, por con­ta de algu­ma difi­cul­dade na pro­dução de leite. “Pode haver essa neces­si­dade.”

O cirurgião plás­ti­co Fer­nan­do Ama­to, espe­cial­ista em recon­strução mamária e mem­bro da Sociedade Brasileira de Cirur­gia Plás­ti­ca (SBCP), tam­bém não vê prob­le­ma para a mul­her com sil­i­cone ama­men­tar. “Nor­mal­mente não inter­fere”, disse Ama­to, expli­can­do que o implante fica abaixo da glân­du­la ou até embaixo da mus­cu­latu­ra peitoral e, durante a colo­cação, quase não ocorre trau­ma na glân­du­la mamária.

Aleitamento prolongado

Euci­lene Bar­ros defend­eu a importân­cia do aleita­men­to mater­no pro­lon­ga­do, mes­mo após a intro­dução de out­ros ali­men­tos na dieta da cri­ança. Segun­do a pedi­atra, a Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS) con­sid­era ide­al um perío­do de dois anos, ou mais, de ama­men­tação. “Esta é a recomen­dação para todas as mães.”

Con­hecer os bene­fí­cios do aleita­men­to mater­no para as mães e as cri­anças é impor­tante para a mãe e a cri­ança. Este ano, o tema da cam­pan­ha da Sem­ana Mundi­al do Aleita­men­to Mater­no, que vai de 1º a 7 de agos­to, é “Pos­si­bil­i­tan­do a ama­men­tação: fazen­do a difer­ença para mães e pais que tra­bal­ham”.

Os primeiros meses de vida são muito impor­tantes, mas a médi­ca e pro­fes­so­ra do Idomed desta­cou que é pre­ciso apoiar as mul­heres que tra­bal­ham fora para que con­sigam per­si­s­tir no aleita­men­to nos dois primeiros anos, como recomen­da a OMS. É impor­tante que a mul­her que ama­men­ta, tan­to nesse começo quan­to depois dos 6 meses, ten­ha uma rede de apoio que pos­sa, de fato, garan­tir que man­ten­ha o propósi­to de con­tin­uar ama­men­tan­do, acres­cen­tou.

Saúde óssea

O médi­co reuma­tol­o­gista Felipe Griz­zo, mem­bro da Asso­ci­ação Brasileira de Avali­ação Óssea e Osteome­tab­o­lis­mo (Abras­so), desta­cou que, ape­sar de a ama­men­tação exclu­si­va causar uma per­da óssea tem­porária na mul­her, estu­dos sinal­izam que ocorre uma recu­per­ação com­ple­ta após o des­mame. Pesquisas não encon­traram tam­bém aumen­to no risco de osteo­porose pós-menopausa rela­ciona­do à ges­tação ou lac­tação.

Griz­zo enfa­ti­zou que o aleita­men­to mater­no não traz male­fí­cios para a saúde óssea da mãe. Emb­o­ra cada caso deva ser anal­isa­do indi­vid­ual­mente, o reuma­tol­o­gista expli­cou que não há, em ger­al, con­traindi­cações para a ama­men­tação, por causa de prob­le­mas osteometabóli­cos. “Frat­uras durante a ama­men­tação são extrema­mente raras e geral­mente estão asso­ci­adas a condições de saúde pré exis­tentes”. A recomen­dação é que, durante o pré-natal, as ges­tantes sejam avali­adas indi­vid­ual­mente para iden­ti­fi­cação de condições de risco para frat­uras durante a ama­men­tação e imple­men­tação das medi­das pro­te­ti­vas necessárias.

O reuma­tol­o­gista lem­bra que durante a ges­tação, ocorre uma mobi­liza­ção sig­ni­fica­ti­va de cál­cio pela mul­her para a for­mação do esquele­to do feto, o que ele­va a absorção intesti­nal desse min­er­al nesse perío­do, com­para­do à fase ante­ri­or à gravidez. Para pre­venir a per­da óssea, indi­cou ser essen­cial garan­tir a ingestão ade­qua­da de cál­cio ou a suple­men­tação durante o segun­do e o ter­ceiro trimestre de ges­tação. O espe­cial­ista esclare­ceu ain­da que durante a lac­tação, a absorção intesti­nal do cál­cio da mãe retor­na aos níveis pré-gesta­cionais.

No caso de gravidez na ado­lescên­cia, a ges­tação ocorre durante o perío­do de pico de mas­sa óssea, o que lev­an­ta ques­tion­a­men­tos sobre o impacto tar­dio no esquele­to mater­no. Con­tu­do, estu­dos real­iza­dos não demon­straram aumen­to da osteo­porose na pós-menopausa nes­sas mul­heres, infor­mou o reuma­tol­o­gista.

Edição: Nádia Fran­co

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