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Ararinhas-azuis recapturadas testam positivo para vírus letal

ICMBio multa criadouro em R$ 1,8 milhão por falhas de biossegurança

Rafael Car­doso — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 28/11/2025 — 20:28
Rio de Janeiro
Ararinha-azul de vida livre próximo ao criadouro
Reproução: © Miguel Monteiro/ICMBio

O Insti­tu­to Chico Mendes de Con­ser­vação da Bio­di­ver­si­dade (ICM­Bio) infor­mou que as 11 arar­in­has-azuis (Cyanop­sit­ta spixii) recap­turadas no iní­cio de novem­bro tes­taram pos­i­ti­vo para cir­cov­írus, agente cau­sador da doença do bico e das penas.

A enfer­mi­dade, de origem aus­traliana, afe­ta psi­tacídeos como araras, papa­gaios e periq­ui­tos, não tem cura e é fatal na maior parte dos casos. O vírus não ofer­ece risco a humanos nem a aves de pro­dução.

As arar­in­has havi­am sido repa­tri­adas da Europa, inte­graram o Cri­adouro para Fins Con­ser­va­cionistas do Pro­gra­ma de Rein­tro­dução da Arar­in­ha-Azul em Curaçá (BA) e foram soltas em 2022. Inves­ti­gações seguem em anda­men­to para iden­ti­ficar a origem da infecção.

O próx­i­mo pas­so é iso­lar os ani­mais pos­i­tivos e neg­a­tivos, garan­ti­n­do a adoção reforça­da de pro­to­co­los de biosse­gu­rança.

Após a detecção ini­cial do vírus, em maio, o ICM­Bio instau­rou o Sis­tema de Coman­do de Inci­dente para gerir a emergên­cia e evi­tar a dis­sem­i­nação da doença entre arar­in­has e out­ros psi­tacídeos da região.

Vis­to­rias do ICM­Bio, em parce­ria com o Insti­tu­to do Meio Ambi­ente e Recur­sos Hídri­cos (Inema) e a Polí­cia Fed­er­al, con­stataram des­cumpri­men­to de medi­das bási­cas de biosse­gu­rança no cri­adouro — entre elas limpeza inad­e­qua­da das insta­lações e uso irreg­u­lar de equipa­men­tos de pro­teção por fun­cionários.

A insti­tu­ição foi autu­a­da em cer­ca de R$ 1,8 mil­hão. O Inema já havia apli­ca­do mul­ta adi­cional de aprox­i­mada­mente R$ 300 mil.

“Se as medi­das de biosse­gu­rança tivessem sido aten­di­das com o rig­or necessário e imple­men­tadas da for­ma cor­re­ta, talvez a gente não tivesse saí­do de ape­nas um ani­mal pos­i­ti­vo para 11 indi­ví­du­os pos­i­tivos para cir­cov­írus”, diz Cláu­dia Sacra­men­to, coor­de­nado­ra da Coor­de­nação de Emergên­cias Climáti­cas e Epi­zootias do ICM­Bio.

“O que a gente espera é que o ambi­ente não ten­ha sido com­pro­meti­do, ameaçan­do a saúde de out­ras espé­cies de psi­tacídeos da nos­sa fau­na”.

A rein­tro­dução da arar­in­ha-azul na Caatin­ga depende forte­mente do mane­jo ex situ, já que a pop­u­lação man­ti­da sob cuida­dos humanos é, até o momen­to, a úni­ca con­sid­er­a­da viáv­el.

O acor­do de coop­er­ação entre ICM­Bio e a Asso­ci­ação para Con­ser­vação de Papa­gaios Ameaça­dos (ACTP), que pos­si­bil­i­tou a trans­fer­ên­cia de 93 aves ao Brasil, foi encer­ra­do em 2024 dev­i­do a des­cumpri­men­tos da ACTP — entre eles a ven­da e trans­fer­ên­cia, sem con­sen­ti­men­to do gov­er­no brasileiro, de 26 arar­in­has para a Índia.

Mes­mo sem o acor­do, ações da ACTP podem con­tin­uar des­de que sigam os instru­men­tos ofi­ci­ais de con­ser­vação coor­de­na­dos pelo ICM­Bio, como o Plano de Ação Nacional para a Con­ser­vação da Arar­in­ha-Azul, o Plano de Ação das Aves da Caatin­ga e o Pro­gra­ma de Mane­jo Pop­u­la­cional da espé­cie. O obje­ti­vo cen­tral per­manece o mes­mo: reesta­b­ele­cer uma pop­u­lação saudáv­el e estáv­el em seu habi­tat nat­ur­al, nas unidades de con­ser­vação de Curaçá (BA), como a APA e o Revis da Arar­in­ha-Azul.

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