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Basta ao Feminicídio é o grito do Levante de Mulheres em São Paulo

Mobilização reuniu milhares de homens e mulheres na Avenida Paulista

Guil­herme Jerony­mo — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 07/12/2025 — 20:05
São Paulo
São Paulo (SP), 07/12/2015 - Ato nacional pelo fim da violência contra as mulheres, com o tema Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!, na Avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

A mobi­liza­ção con­tra o fem­i­nicí­dio encheu a Aveni­da Paulista neste domin­go (7), em um grande ato com a par­tic­i­pação de mil­hares de mul­heres e home­ns. Nas faixas e nos dis­cur­sos, o lev­ante pediu o fim da vio­lên­cia con­tra as mul­heres, com penas mais duras para crimes moti­va­dos por mis­oginia, e com­bate ao dis­cur­so de ódio.

O ato trouxe para a dis­cussão questões estru­tu­rais que reforçam e man­tém a vio­lên­cia de gênero. Entre os temas estavam leg­is­lação, liber­dade e respeito.

“Vim hoje porque acho que é muito impor­tante tornar visív­el a questão de quan­to a mis­oginia fere o dire­ito da mul­her de exi­s­tir, a nos­sa ver­dade de viv­er. Eu acho que tudo começa aí. Ela é tudo que fere a liber­dade da mul­her”, disse a pro­fes­so­ra Jes­si­ca Tor­res, 39 anos.

Para ela, não há uma idade a par­tir da qual se deve falar sobre o assun­to com as cri­anças. A docente tra­bal­ha o tema como parte do con­teú­do des­de o ensi­no infan­til,  já que os pequenos cos­tu­mam repe­tir com­por­ta­men­tos da família, inclu­sive os dis­crim­i­natórios.

São Paulo (SP), 07/12/2015 - Ato nacional pelo fim da violência contra as mulheres, com o tema Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!, na Avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
“Por isso é importante que os professores abordem com livros, atividades, com carinho e cuidado, demonstrem o que são atitudes misóginas. É uma coisa que pode ser leve, entende? A gente não está aqui para ser agressivo, a gente só quer poder ser livre”, acrescenta.

A ped­a­goga Fer­nan­da Prince, 34 anos, tra­bal­ha com cri­anças de 6 a 8 anos. Ela con­sid­era muito fácil e inter­es­sante tra­bal­har o tema com esse públi­co.

“Eles enten­dem muito fácil. É claro que sem­pre vai ter uma família ou out­ra que pode ver isso com maus olhos, mas é fun­da­men­tal tra­bal­har essa pau­ta do fem­i­nicí­dio, da vio­lên­cia con­tra a mul­her des­de pequeno. E [esse tema] está em tudo, por exem­p­lo, nos brin­que­dos, essa coisa de brin­que­do de meni­na, brin­que­do de meni­no, cor de meni­na, cor de meni­no. Tudo isso que parece ser bem ingên­uo, na ver­dade, estão ali as sementin­has, tan­to para o bem quan­to para o mal” expli­ca a docente, que foi para a mobi­liza­ção neste domin­go por já estar exaus­ta. “Eu acho que não tem mais como não vir pra rua”, afir­ma, frente à quan­ti­dade de fem­i­nicí­dios e à facil­i­dade com que pau­tas e influ­en­ci­adores machis­tas des­til­am seu ódio em redes soci­ais e na comu­ni­cação eletrôni­ca.

Maria das Graças Xavier, 58 anos, orga­ni­zou a par­tic­i­pação no protesto de um grupo de mul­heres e home­ns que atua no movi­men­to de mora­dia na região sud­este da cap­i­tal paulista. Segun­do ela, a artic­u­lação foi ráp­i­da e potente.

“A gente percebe que é um machis­mo estru­tur­al, e pre­cisamos acabar com isso,  temos que que­brar com o patri­ar­ca­do. Esse ato foi uma chama­da das mul­heres, fei­ta em menos de 10 dias, nacional­mente, em todos os esta­dos. Estou aqui em São Paulo, mas teve ato em Per­nam­bu­co, na Bahia, em Minas, em vários esta­dos”, desta­ca a mil­i­tante.

Graça, como pref­ere ser chama­da, con­sid­era urgente a dis­cussão do papel do Esta­do na con­strução de cam­pan­has e políti­cas públi­cas de com­bate à vio­lên­cia. Para ela, quem vive nas per­ife­rias vê con­stan­te­mente mul­heres machu­cadas e vê ou sabe de mortes cau­sadas porque home­ns não aceitam a igual­dade ou mul­heres não se sub­metam a eles.

Leis severas

Durante a man­i­fes­tação, os par­tic­i­pantes lev­avam cen­te­nas de car­tazes que pedi­am leis sev­eras con­tra o fem­i­nicí­dio.

“Existe uma cul­tura de opressão às mul­heres, uma cul­tura mile­nar. E tem mui­ta mul­her mor­ren­do por causa dis­so, mor­ren­do aos poucos com ter­ror­is­mo psi­cológi­co, mor­ren­do por fal­ta de espaço na sociedade, den­tro de casa, no tra­bal­ho. E a gente pre­cisa muito falar dis­so”, afir­ma a com­er­ciante Lil­ian Lupino, 47 anos. “Os home­ns se sen­tem pro­te­gi­dos por fal­ta de leis sev­eras de punição.”

Veja fotos da manifestação em São Paulo:

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