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Boate Kiss: como moradores de Santa Maria lidaram com a tragédia?

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Dez anos depois, os habitantes relembram as marcas deixadas


Pub­li­ca­do em 27/01/2023 — 18:51 Por Gabriel Brum — Rádio Nacional — San­ta Maria (RS)

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A tragé­dia da Boate Kiss mar­cou a vida e a história das pes­soas que perder­am um ami­go ou famil­iar, mas não afe­tou a elas. O caso impactou toda a cidade de San­ta Maria, no inte­ri­or do Rio Grande do Sul.

Não é difí­cil encon­trar alguém que ten­ha algo para con­tar sobre o que esta­va fazen­do naque­le 27 de janeiro de 2013 ou como a cidade mudou depois da tragé­dia. É o caso de Nicol­las Antunes, que tin­ha 12 anos na época.

“Eu era guri, era pequeno, não ten­ho mui­ta lem­brança, mas a prin­ci­pal, que me con­tam, e que min­ha mãe era para estar na boate naque­le dia. Na últi­ma hora, resolver­am não ir a boate e ir a um show mais próx­i­mo da nos­sa casa. Naque­le dia, min­ha mãe perdeu duas ami­gas”.

A morado­ra Lucy Poli­doro Paim con­ta que o fil­ho foi a boate naque­la noite, e sobre­viveu. Mes­mo com o alívio de ter fil­ho a sal­vo em casa, ela sente a dor da per­da das out­ras famílias. “A gente viveu um ano de tris­teza pro­fun­da. Cada dia que pas­sa­va, quan­do eu pas­sa­va pela Kiss, eu revivia tudo. É uma coisa inex­plicáv­el, só quem viveu vai saber”, disse.

A pro­fes­so­ra aposen­ta­da da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de San­ta Maria, Maria de Lour­des Pip­pi, mora­va per­to da boate. Ela diz que a tris­teza tomou con­ta da cidade. “A cidade ficou triste de ver­dade. Não tin­ha como esque­cer. Por onde a gente ia, tin­ha uma mãe, um pai ou alguém sofren­do. Fiz­er­am aqui na praça, ain­da tem, uma bar­ra­ca onde puser­am todas as fotos e ficavam aqui”.

A psicólo­ga do Eixo Kiss, do cole­ti­vo de psi­canálise de San­ta Maria, Vanes­sa Solis Pereira, diz que esse sen­ti­men­to cole­ti­vo vem de um sen­so de per­tenci­men­to. “Tem essa dimen­são de que é com viz­in­ho, com um con­heci­do. A maio­r­ia das pes­soas da cidade perdeu alguém no sen­ti­do mais dire­to, e a gente tra­bal­ha com a ideia de que todos nós perdemos”.

O incên­dio na Boate Kiss com­ple­ta 10 anos nes­ta sex­ta-feira (27). Duzen­tas e quarenta duas pes­soas mor­reram na tragé­dia e mais de 630 ficaram feri­das, além das mar­cas deix­adas em todo o municí­pio.

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