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Governo criará coordenação de saúde da população negra

Repro­dução: © Joéd­son Alves/Agência Brasil

Anúncio foi feito pela ministra Anielle Franco


Pub­li­ca­do em 16/03/2023 — 20:11 Por Viní­cius Lis­boa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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A min­is­tra da Igual­dade Racial, Anielle Fran­co, adiantou nes­ta quin­ta-feira (16) que o gov­er­no anun­cia­rá novas medi­das de com­bate à desigual­dade racial no próx­i­mo dia 21 de março, quan­do a cri­ação da Sec­re­taria de Políti­cas de Pro­moção para a Igual­dade Racial (Sep­pir) com­ple­tará 20 anos. A sec­re­taria foi cri­a­da no primeiro manda­to do pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula Sil­va, em 2003, após deman­da históri­ca do movi­men­to negro.

Anielle Fran­co min­istrou aula inau­gur­al do semes­tre leti­vo na Esco­la Nacional de Saúde Públi­ca Sér­gio Arou­ca (ENSP/Fiocruz), na tarde des­ta quin­ta-feira, no cam­pus da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz), em Man­guin­hos, na zona norte do Rio de Janeiro.

Segun­do a min­is­tra, no próx­i­mo dia 21 haverá uma comem­o­ração no Palá­cio do Planal­to em que serão anun­ci­adas medi­das para aumen­tar a pre­sença de mul­heres negras no serviço públi­co fed­er­al; será insti­tuí­da uma coor­de­nação de saúde da pop­u­lação negra jun­to ao Min­istério da Saúde e tam­bém serão tit­u­ladas seis ter­ras de povos quilom­bo­las que aguardam a reg­u­lar­iza­ção há mais de 20 anos.

“É um proces­so muito lon­go a tit­u­lação das ter­ras quilom­bo­las. É um proces­so que vai e vol­ta, e as famílias estão se per­den­do. A ances­tral­i­dade está lá, mas as ter­ras estão indo emb­o­ra. A memória dessas mul­heres negras e desse povo está indo emb­o­ra, porque não tit­u­la”, disse a min­is­tra.

Além de tit­u­lações e ind­eniza­ções, a min­is­tra prom­e­teu ações de edu­cação e cul­tura ain­da jun­to a comu­nidades quilom­bo­las nos primeiros 100 dias do gov­er­no, e lem­brou que esse é um pedi­do do pres­i­dente Lula.

O min­istério tam­bém anun­cia­rá, em parce­ria com as pas­tas do Esporte e da Justiça, a cri­ação de um Grupo de Tra­bal­ho de Com­bate ao Racis­mo nos Esportes. “É inad­mis­sív­el o que o Vini Jr. está pas­san­do na Espan­ha, mas o que todo mun­do pas­sa aqui tam­bém, e a gente sabe como é”.

Marielle

Em dis­cur­so a alunos, pro­fes­sores e servi­dores da ENSP/Fiocruz, a min­is­tra Anielle Fran­co relem­brou os primeiros momen­tos após o assas­si­na­to de sua irmã, a vereado­ra Marielle Fran­co, que com­ple­tou 5 anos na terça-feira (14).

“A gente não pode esque­cer que a Mari foi víti­ma de um fem­i­nicí­dio políti­co”, disse a min­is­tra. “Eu jamais vou per­doar. Nun­ca vou per­doar terem olha­do para aque­la mul­her dis­cur­san­do e não terem nun­ca pen­sa­do em ter uma segu­rança pra ela. Nun­ca na min­ha vida eu vou aceitar isso”.

Anielle Fran­co afir­mou que somente após um crime cru­el como esse hou­ve a noção de que mul­heres negras na políti­ca tam­bém dev­e­ri­am ter segu­rança. Ela reforçou que essas mul­heres são víti­mas de vio­lên­cia políti­ca há anos, e que estu­dos con­duzi­dos pelo Insti­tu­to Marielle Fran­co em 2020 e 2021 mostraram que ess­es casos são recor­rentes.

“A Marielle pre­cisou mor­rer, ser assas­si­na­da do jeito que foi, cru­el­mente, para que out­ras pes­soas gan­has­sem segu­rança pri­va­da, car­ro blinda­do e tivessem a noção de que as políti­cas mul­heres negras pre­cisam de segu­rança tam­bém, além dos home­ns bran­cos”.

A min­is­tra tam­bém lem­brou o momen­to em que foi con­vi­da­da pelo pres­i­dente Lula para estar à frente da pas­ta da Igual­dade Racial e disse que con­ver­sou com out­ras mul­heres negras que são refer­ên­cia em sua vida, como a dep­uta­da Benedi­ta da Sil­va e as ativis­tas Lúcia Xavier e Jure­ma Wer­neck, assim que rece­beu a pro­pos­ta.

“Eu não quero entre­gar só sim­bolo­gia. Eu ten­ho orgul­ho de ser irmã dela. Mas eu ten­ho que entre­gar tra­bal­ho”, disse.

No dia a dia em Brasília, a min­is­tra disse que ain­da é ata­ca­da, espe­cial­mente no Con­gres­so Nacional, onde out­ras políti­cas negras tam­bém sofrem ofen­sas.

“Nen­hu­ma Câmara, nem em Brasília nem em nen­hum lugar, é his­tori­ca­mente desen­ha­da para mul­heres. A Talíria [Petroni, dep­uta­da fed­er­al] foi lá com fil­ho no colo e não tin­ha um lugar para tro­car a fral­da do meni­no. Não é desen­hado pra gente. A Eri­ka Hilton [trav­es­ti, dep­uta­da fed­er­al] esta­va lá, lindís­si­ma, mas o tem­po inteiro que ela pas­sa e as pes­soas afrontam chaman­do ela de coisas hor­ro­rosas. Se eu entro, porque o Exec­u­ti­vo tem que con­stru­ir com o Leg­isla­ti­vo e vice-ver­sa, eu sou ata­ca­da. Não vai ser fácil a gente recon­stru­ir”, disse.

Ouça na Radioagên­cia Nacional:

 

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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