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Ler ensina empatia a crianças, diz presidente da Biblioteca Nacional

Dia Nacional do Livro é comemorado nesta quarta (29)

Alana Gan­dra — repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 29/10/2025 — 07:48
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 21/08/2025 -Livro infantil mais procurado na biblioteca comunitária Atelier das Palavras, no morro da Mangueira, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Dia Nacional do Livro, comem­o­ra­do no Brasil na próx­i­ma quar­ta-feira (29), pode ser uma opor­tu­nidade para estim­u­lar a leitu­ra já a par­tir da infân­cia, con­tribuin­do para o desen­volvi­men­to da pes­soa. É o que afir­ma o pres­i­dente da Bib­liote­ca Nacional (BN), Mar­co Luc­ch­esi.

“Sem dúvi­da algu­ma, a infân­cia que começa com esse impacto de leitu­ra aca­ba lendo o mun­do dos livros e lê o livro do mun­do. São duas descober­tas que se com­ple­men­tam mutu­a­mente. A cri­ança vai crian­do den­tro dela via­gens para out­ros mun­dos, pos­si­bil­i­dades de exer­cí­cio de liber­dade, de imag­i­nação, de cria­tivi­dade, e, par­tic­u­lar­mente tam­bém, de empa­tia”.

“A cri­ança começa a com­preen­der que exis­tem out­ras for­mas de vida, out­ras orga­ni­za­ções de mun­do, out­ras for­mas de afe­to dis­tin­tas ou que recu­per­am como espel­ho o que aque­la cri­ança vive em sua casa. Mas, sobre­tu­do, ela dá essa empa­tia”.

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, Luc­ch­esi lem­bra que o Dia do Livro no Brasil é comem­o­ra­do em 29 de out­ubro por ser o aniver­sário de fun­dação da Bib­liote­ca Nacional.

“São 215 anos de grandes aven­turas, de grandes resul­ta­dos para o país, de uma políti­ca da memória que atrav­es­sa inúmeras ger­ações. E cada uma imprime uma direção nes­sa mes­ma políti­ca”, afir­ma. “O livro sig­nifi­ca um grau de expan­são da sen­si­bil­i­dade da cri­ança, da imag­i­nação, do int­elec­to e do espíri­to. É para um adul­to mel­hor que a leitu­ra ori­en­ta, para um adul­to mais gen­eroso, mais frater­no que a leitu­ra abre por­tas e janelas com mui­ta beleza”.

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Incentivo à leitura

Com esse obje­ti­vo, a Fun­dação Bib­liote­ca Nacional reforça a atu­ação da Casa da Leitu­ra, aber­ta em 1993, que visa à for­mação de leitores e a garan­tir aces­so democráti­co à lit­er­atu­ra, des­ti­na­da em espe­cial ao públi­co infan­til e juve­nil. A unidade fun­ciona na Rua Pereira da Sil­va, 86, em Laran­jeiras, zona sul do Rio de Janeiro. O fun­ciona­men­to é de segun­da a sex­ta-feira, das 10h às 17h.

“A Casa da Leitu­ra tem um papel fun­da­men­tal diante dos desafios de cri­ar novas vozes, amplian­do o lugar dessas cri­anças e ado­les­centes”, indi­cou Mar­co Luc­ch­esi.

Esse olhar estratégi­co da BN foi ampli­a­do na sem­ana pas­sa­da com a inau­gu­ração de uma bib­liote­ca em âmbito hos­pi­ta­lar, sob a coor­de­nação da insti­tu­ição. O pio­neiro foi o Hos­pi­tal Uni­ver­sitário Anto­nio Pedro (HUAP), da Uni­ver­si­dade Fed­er­al Flu­mi­nense (UFF). Segun­do Luc­ch­esi, a ideia é instau­rar a bib­lioter­apia, ou seja, tra­bal­har o livro como grande ter­apia, não só para as cri­anças neu­ro­di­ver­sas, mas tam­bém para os acom­pan­hantes e equipes médi­cas.

“Nós vamos con­tin­uar tra­bal­han­do com essa meta de hos­pi­tais, porque quer­e­mos abran­dar a espera para todo mun­do. A gente quer humanizar ess­es espaços com o pro­je­to dessas bib­liote­cas, sem­pre com a curado­ria da BN”.

Out­ra ação na área socioe­d­uca­ti­va dev­erá ser lança­da pela Bib­liote­ca Nacional em fevereiro do próx­i­mo ano, com obje­ti­vo de levar livros a ado­les­centes pri­va­dos de liber­dade. Luc­ch­esi desta­cou que as cri­anças estão em toda parte e o exer­cí­cio da leitu­ra não é só levar a leitu­ra às pes­soas, mas apren­der com as pes­soas como elas podem ler.

Brasília, 09/10/2023 O projeto Lê Pra Mim, de incentivo à leitura de livros infantis brasileiros, tem início no Museu dos Correios, em Brasília. Esta nova temporada na capital do país vai até quarta (11) e faz parte das comemorações pelos 360 anos dos Correios. O ator Paulo Betti e o jornalista Fábio William fizeram a abertura do evento. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Reprodução: O projeto Lê Pra Mim, de incentivo à leitura de livros infantis brasileiros, em Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Potencialização

Para o pro­fes­sor God­ofre­do de Oliveira Neto, imor­tal da Acad­e­mia Brasileira de Letras (ABL), o livro poten­cial­iza a cog­nição da cri­ança e a con­duz para um mun­do mais human­ista. Daí, a importân­cia dessa data para sub­lin­har a importân­cia do livro para a cri­ança para, mais tarde, ter uma visão mais críti­ca e com­pe­tente das coisas, inclu­sive da políti­ca e da ciên­cia.

“Só pelo fato de o livro servir como mate­r­i­al didáti­co e para­didáti­co nas esco­las do Brasil inteiro, isso já mostra a importân­cia do livro. Não é um capri­cho, é algo fun­da­men­tal”, diz o imor­tal, que lem­brou tam­bém que o livro em papel não mor­reu. “Ao con­trário, ele con­segue sobre­viv­er ao lado do e‑book, do livro dig­i­tal”.

Oliveira Neto cita a exper­iên­cia da Sué­cia, que tin­ha aboli­do o livro impres­so e voltou atrás em sua decisão. “Então, os livros de con­hec­i­men­to ger­al, de história, geografia, matemáti­ca, por­tuguês, ciên­cias humanas e soci­ais são fun­da­men­tais para a sus­ten­tação da cri­ança no mun­do”, defend­eu.

Sobre a lit­er­atu­ra de ficção, o pro­fes­sor acres­cen­ta que é pos­i­ti­va a exper­iên­cia, em sala de aula, de ler com as cri­anças e con­statar que a cri­ação de out­ro mun­do pelo autor ou auto­ra coin­cide com histórias cri­adas pelas próprias cri­anças.

“É algo fasci­nante. Assim, elas mer­gul­ham no mun­do literário e pas­sam a gostar de ler. De novo, não é ape­nas um capri­cho, mas é algo fun­da­men­tal para sua con­sti­tu­ição no mun­do. Acho fun­da­men­tal essa data e a val­oriza­ção do livro”, con­cluiu Oliveira Neto.

O pres­i­dente da ABL, Mer­val Pereira, acres­cen­tou que o Dia Nacional do Livro “é um dia para cel­e­brar o poder trans­for­mador da leitu­ra em nos­sas vidas, uma opor­tu­nidade de incen­ti­vo do amor pelos livros e da val­oriza­ção da lit­er­atu­ra.

“Com o livro, as cri­anças explo­ram imag­i­nação e habil­i­dades. Ao ler, apren­dem a recon­hecer a importân­cia do diál­o­go e da inclusão, val­ores cru­ci­ais para a vida mod­er­na. Como for­madores de opinião, deve­mos pro­mover e facil­i­tar o aces­so aos livros a todos, des­de os primeiros anos de vida. E enco­ra­já-los a encon­trar os vários mun­dos que exis­tem den­tro dos livros”.

Rio de Janeiro (RJ), 05/09/2023 – Público lota a 20ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Reprodução: Público lota a 20ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, em 2023. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Sabor especial

Na avali­ação do pro­fes­sor Hubert Alqueres, vice-pres­i­dente da Asso­ci­ação Brasileira de Livros e Con­teú­dos Edu­ca­cionais (Abre­liv­ros) e vice-pres­i­dente de Oper­ações da Câmara Brasileira de Livros (CBL), o dia 29 de out­ubro é uma data muito impor­tante para os brasileiros cel­e­brarem a leitu­ra, os autores, as edi­toras, os livreiros, pro­fes­sores e, aci­ma de tudo, os leitores.

Este ano, a data tem um sabor ain­da mais espe­cial, porque o Rio de Janeiro foi escol­hi­do pela Orga­ni­za­ção das Nações Unidas para a Edu­cação, a Ciên­cia e a Cul­tura (Unesco) Cap­i­tal Mundi­al do Livro. “É a primeira cidade de lín­gua por­tugue­sa a rece­ber essa dis­tinção”, desta­cou.

“Para as cri­anças, a leitu­ra aju­da a for­mar o vocab­ulário, o raciocínio, a sen­si­bil­i­dade, a cria­tivi­dade. Acho que, para os jovens, ela amplia mun­dos, dá refer­ên­cias cul­tur­ais, desen­volve o sen­so críti­co. E, para quem está mais vel­ho ou atrav­es­san­do momen­tos difí­ceis de saúde, o livro é, muitas vezes, uma grande com­pan­hia”.

Tam­bém curador do Prêmio Jabu­ti, Alqueres comen­tou que é muito impor­tante, no Dia Nacional do Livro, que se dis­cu­ta essas políti­cas públi­cas cada vez mel­hores e mais efe­ti­vas para con­quis­tar os leitores, engloban­do cri­anças, jovens e adul­tos, do pon­to de vista da edu­cação e da cul­tura.

Pro­movi­do pela CBL, o Prêmio Jabu­ti é o mais tradi­cional prêmio literário do Brasil. Cri­a­do em 1959 pelo então pres­i­dente da CBL, Edgard Cav­al­heiro, o prêmio foi ide­al­iza­do para pre­mi­ar autores, edi­tores, ilustradores, grá­fi­cos e livreiros de maior destaque a cada ano.

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